Interior

Dependente químico recuperado dá exemplo e abre o próprio negócio

Paulo Alves, natural de São Miguel dos Campos, fez curso de padeiro no Centro de Reinserção Social para Dependentes Químicos

Por Texto: Géssika Costa com Ascom Seprev 27/07/2019 18h14
Dependente químico recuperado dá exemplo e abre o próprio negócio
Reprodução - Foto: Assessoria
Na receita adicione compreensão, coloque inclusão e uma boa pitada de oportunidade. Assim é a vida de Paulo Alves, de 41 anos, empreendedor do ramo da panificação que mudou a sua história após descobrir na fabricação de pães caseiros uma nova chance de garantir renda para a família e, bem mais do que isso, viver longe do vício. Natural do município de São Miguel dos Campos, região Metropolitana de Maceió, o agora padeiro – num passado não tão distante - chegou a traficar drogas, virou dependente químico, além de ter sido alvo de várias tentativas de assassinato. Na nova vida, a fama de Paulo agora é outra. A qualidade e a excelência dos produtos desenvolvidos na cozinha do seu lar se espalharam na região onde mora e os amigos e vizinhos começaram a encomendar os pães caseiros. A virada na vida de Paulo só foi possível graças ao trabalho da Comunidade Acolhedora Dom Bosco, um dos 35 espaços de recuperação credenciados à Rede Acolhe, e do Centro de Referência em Reinserção Social e Produtiva para Dependentes Químicos de Alagoas. Por lá, durante alguns meses, após finalizar o tratamento contra dependência química, ele aprendeu o ofício de padeiro num dos cursos que o equipamento da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência oferece. “Quando eu olho para trás e vejo o que eu era às vezes nem acredito, mas com a ajuda de Deus e dos Anjos e Agentes da Paz consegui vencer. Quem me vê hoje, aos 40 anos, não imagina que aos 15 anos experimentei a primeira droga, aos 18 conheci o crack e aos 20 comecei a usar drogas injetáveis”, relembra. O miguelense sonha alto. Com as perspectivas da guinada nos negócios, ele pretende ajudar outras pessoas que também passaram pela mesma situação. “Esse curso foi que me despertou porque a gente muitas vezes anda atrás de trabalho e nem sempre consegue de imediato. Agora eu tenho sonho de abrir formalmente a ‘Nira Pães’ e colocar pessoas que passaram pelo que eu passei para trabalhar conquistando o pão de cada dia”, projeta. Os pães recheados de frango, pão de queijo, chocolate e goiabada – com valores de R$ 5 a R$10 - vêm contribuindo para o orçamento da família, como ressalta Solange Alves, mãe de Paulo. “Com a ajuda da comunidade e do curso de padeiro meu filho renasceu. Fico feliz quando vejo as pessoas que estão comprando parabenizando a qualidade do pão e também o exemplo de superação. De pouquinho em pouquinho, as vendas vão saindo.”, expõe com orgulho Solange. Thiago Rodrigues, dos Agentes da Paz, que acompanha Paulo, conta que o próximo passado da equipe é auxiliá-lo na abertura do registro de Microempreendedor Individual (MEI). “Estamos acompanhando todo o processo de reinserção dele e ficamos felizes quando vemos que o que estamos fazendo vem surtindo efeito. Agora vamos ajudá-lo a formalizar a padaria e assim contribuir para a profissionalização efetiva”, adianta. Histórico O Centro de Referência em Reinserção Social e Produtiva para Dependentes Químicos de Alagoas - um marco na história no trabalho realizado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) - completou em junho um ano de atividades com grandes resultados. O equipamento, que oferta cursos, oficinas produtivas e acompanhamento psicossocial de dependentes químicos que foram acolhidos e recuperados por uma das 35 comunidades acolhedoras credenciadas à Rede Acolhe, capacitou em um ano de funcionamento mais de 300 pessoas e contribuiu com a inclusão no mercado de trabalho de outras 50.