Interior

20 de março de 2019 12:47

Mulher que matou marido tetraplégico e enterrou no quintal alega legítima defesa

Maria José da Silva está sendo julgada hoje e confessou o crime ocorrido em 2017

↑ A ré Maria José da Silva diz que marido tentou contra a sua vida primeiro (Fotos: Sandro Lima)

Murici, município localizado na Zona da Mata de Alagoas, cenário de um crime nunca visto por moradores daquela cidade. A vítima, o marido tetraplégico identificado como José Severo dos Santos, de 39 anos, a ré Maria José da Silva, que está sendo julgada nesta quarta-feira (20), acusada de matá-lo a golpes de facão, enrolar num lençol e depois enterrar o corpo com a ajuda de uma segunda pessoa no próprio quintal.

O advogado de defesa de Maria José, Paulo Guilherme, alega que sua cliente agiu em legítima defesa, tendo em vista, que, teria havido uma discussão em decorrência de ciúmes na noite do crime em 2017. Após alguns dias de constatado o desaparecimento de José Severo por parte de familiares dele, ela acabou confessando o crime.

Paulo Guilherme alega que sua cliente agiu para não morrer

 

Também advogado da ré, Yury Montezuma, a tese é de que Maria José agiu em legítima defesa. “Vamos tentar desqualificar as qualificadoras do homicídio, uma vez que a promotoria de justiça a denunciou por homicídio triplamente qualificado”.

“Ela (ré) alega que agiu em legítima defesa após uma discussão entre o casal tendo em vista que ele tentou contra a vida dela. O filho deles não estava em casa. Ele era deficiente, mas uma pessoa que conseguia exercer plenamente os exercícios de vida dele, tanto é que ele costumava caçar com colegas. Ela também diz que as brigas eram recorrentes”, frisou.

Motivação seriam mensagens descobertas por Maria José

Ainda de acordo com Yury Montezuma, a motivação para a discussão seriam mensagens descobertas por Maria José no aparelho celular do marido, ela teria pedido explicações e ele atirado contra a mesma, que não foi atingida porque a arma de fogo teria falhado.

A irmã de José Severo, Antônia Severo, estava no julgamento e disse que acredita na condenação de Maria José. “O crime foi de tamanha atrocidade, sem pena, nem dó. Ela nos enganou, quando íamos à residência deles, ela nos despistava dizendo que ele tinha ido caçar em Maceió e Rio Largo. Minha mãe estranhou porque ele sempre passava na casa dela e avisava que estava indo caçar”, explicou.

“A gente não se conforma de uma pessoa ter morrido dessa forma, queremos justiça, não aguento nem falar, o crime chocou a cidade, isso nunca aconteceu aqui em Murici. Ele era muito bom, e foi muito cruel. Ela dopou, esfaqueou e enterrou o corpo no quintal de casa, temos certeza de que ela não agiu sozinha, teve uma segunda pessoa na cena do crime, porque ele era grande não tinha como ser sozinha”, revelou a irmã da vítima.

Irmã de José Severo se emocionou ao falar dele: “era um homem bom)

A sobrinha Mônica Albertino afirmou que ninguém da família de José Severo esteja convencido de que foi legítima defesa. “Ele jamais tentaria contra a vida de ninguém, era um homem bom e pacato. Ele era cadeirante estava de benefício após um acidente de carro sofrido há 11 anos. Não temos conhecimento de um possível envolvimento dele com outra mulher, como ela alega a motivação da discussão, a gente nunca soube de nada. Ele, nem arma tinha, caçava mais era uma caça com cachorro, ele tinha muitos cães”, mencionou.

Depois de cometer o crime, a mulher procurou a delegacia da cidade para registrar boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento do marido. Posteriormente, confessou o crime, alegando legítima defesa.

ACUSAÇÃO

O promotor Marcos Mousinho irá sustentar a acusação do homicídio qualificado e ocultação de cadáver. “Ela é ré confessa, mas se for acatada a legítima defesa pelo júri popular composto por sete mulheres é absorvida”.

De acordo com o promotor, Maria José além de confessar o crime ainda detalhou que após enterrar o corpo do marido, passou cimento na cova rasa e gesso na tentativa de disfarçar o mau cheiro da putrefação. “Os irmãos da vítima desconfiaram, entraram na residência e perceberam que no quintal havia um cimento fresco, e tendo a intuição de que ali ele estava enterrado chamaram a polícia que constatou o fato”.

“Na verdade, ela já estava com o facão dentro do quarto, então o crime foi premeditado. Conforme o laudo os golpes foram na região da cabeça, braço e antebraço da vítima”, disse Marcos Mousinho.

Fonte: Tribuna Hoje / Ana Paula Omena

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