Interior

9 de dezembro de 2018 18:43

Mutirão encaminha mais de mil crianças para tratamento de anemia

Ação faz parte do Programa da Primeira Infância de Alagoas (CRIA) e aconteceu em seis municípios, atendendo 1.910 crianças

↑ Ação do CRIA busca evitar efeitos da deficiência de ferro em crianças de até 2 anos (Foto: Thiago Sampaio / Agência Alagoas)

O Programa da Primeira Infância de Alagoas (CRIA) encerrou esta semana o mutirão de avaliação da taxa de ferro e encaminhou cerca de 1.000 crianças para tratamento de anemia, num total de 1.910 atendidas, em seis municípios alagoanos.

O objetivo da ação foi identificar as crianças entre 6 a 24 meses que estão com anemia e encaminhá-las para tratamento. Além disso, todos os pais receberam orientação nutricional e puderam avaliar o crescimento dos pequeninos.

As avaliações foram feitas por meio de um exame de sangue. O resultado saiu na hora e as crianças já foram consultadas por nutricionistas. As que estão com anemia foram encaminhadas para tratamento e receberão dose de sulfato ferroso e vitamina A. Na ocasião os agentes de saúde e a equipe do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN), que coordenou a ação, e é parceiro do CRIA, realizaram a avaliação antropométrica detalhada.

Segundo a nutricionista e pesquisadora do CREN, Ana Paula Clementino, os efeitos da deficiência de ferro em crianças são os mais impactantes e têm consequências adversas significativas para a saúde, com atraso no desenvolvimento cognitivo e motor, fadiga e baixa produtividade. “É a terceira principal causa global de incapacidade, com impacto na saúde, educação, economia e na produtividade de toda uma nação”, explicou Ana Paula.

Capacitação

A pesquisadora chamou atenção para dados de estudos publicados no Brasil que mostram inadequações na alimentação de crianças, sobretudo entre as menores de dois anos. “O desmame precoce, alimentação complementar inapropriada e o alto consumo de alimentos industrializados contribuem para o desenvolvimento das carências nutricionais, principalmente de ferro e vitamina A”, falou.

A avó do pequeno Lucas Vinícius, de 1 ano e 6 meses, Eliane Marques, comprovou na consulta o que apontam os estudos sobre anemia do Brasil. Diagnosticado com carência de ferro, o neto não come frutas nem verduras e consome apenas suco industrializado. “Ele come feijão e toma leite, mas gosta mesmo é de biscoito e doces. Não come verdura porque ninguém come lá em casa. Agora estou vendo que ele está com anemia e vamos fazer o que a nutricionista pediu”, disse Eliane.

Para o secretário municipal de saúde de Pilar, Marcelo Costa, desde que foi implantado o Programa da Primeira Infância no município, a atenção à prevenção foi reforçada e colocada como prioridade para crianças e gestantes. “Em menos de dois anos vimos uma transformação no atendimento. Os agentes públicos estão preparados para atender esse público e ações como essa só reforçam o conhecimento dos nossos técnicos.”, afirmou o secretário.

A equipe de nutrição do CREN, que é parceira do CRIA, realizou o mutirão nos seis municípios que participam do Programa da Primeira Infância. Pilar, São Luiz do Quitunde, Murici, Teotônio Vilela, Pão de Açúcar e Batalha receberam as equipes durante os meses de novembro e dezembro, com o apoio das secretarias municipais de saúde. Os relatórios finais do mutirão serão entregues aos secretários municipais de saúde para que possam desenvolver políticas de saúde voltadas ao combate da anemia.

Fonte: Agência Alagoas / Texto: Iara Malta

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