Interior

12 de julho de 2018 15:22

Moradores de Porto Calvo protestam e pedem reabertura do matadouro público

Manifestação aconteceu durante dois dias nas proximidades do povoado Oscar Souza Cunha

↑ Protesto em Porto Calvo (Foto: Cortesia / Prefeitura de Porto Calvo)

Há alguns dias, na feira livre de Porto Calvo, os profissionais que dependem do matadouro público, juntamente com outros moradores, protestaram e pediram a reabertura do local com urgência para que recuperem seus trabalhos e que possam voltar a dar sustento as suas famílias. Os protestos começaram quando essas mesmas pessoas, patrões e empregados, bloquearam a AL-105, nas proximidades do povoado Oscar Souza Cunha, no município, com uma reivindicação única: reabrir o matadouro público, fechado a mais de um mês por ordem judicial.

Nos dois dias de protesto, os marchantes, que são os profissionais que lidam com a venda de carnes, juntamente com outras pessoas que dependem do matadouro para vender seus produtos e de onde sai o sustento de mais de 300 famílias, não pouparam críticas a Adeal, que desqualificou o matadouro e o juiz que mandou fechar o local. Na sexta os manifestantes usaram pneus, galhos de árvores e palhas para fechar a rodovia, na qual se formou uma enorme fila de veículos nos dois sentidos. No segundo dia, a manifestação foi realizada com palavras de ordem.

A polêmica criada em torno do matadouro público começou há exatamente um mês, quando o juiz João Paulo Martins da Costa determinou o fechamento e a imediata paralisação das atividades do matadouro público da cidade de Porto Calvo. Ele alegou que o local estava funcionando de forma clandestina, sem nenhum registro junto aos órgãos de fiscalização e que não estaria obedecendo às normas mínimas de condições higiênico-sanitárias.

O juiz se baseou num relatório dos técnicos da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), que desqualificou o local. O relatório numerava irregularidades como o abate dos animais, com método de séculos a muito já superado, das carnes serem armazenadas de maneira inapropriada e sem qualquer proteção e pelo fato de que os responsáveis pelo trato da carne não utilizarem quaisquer vestimentas ou utensílios adequados à higiene pessoal.

Promotor afirmou que ia pedir novo relatório a Adeal

Um dia depois da ordem judicial, por conta de toda a polêmica criada em torno do fechamento do matadouro, o prefeito de Porto Calvo David Pedrosa convidou o promotor da 2ª vara cível, Adriano Jorge de Barros, a fim de visitar as instalações do local, sobretudo para mostrar as condições de seu funcionamento. O detalhe é que a Promotoria de Justiça pediu a paralisação das atividades do referido, com base num relatório da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), datado de 28 de julho de 2017.

O promotor declarou na época que “há uma divergência do que está no relatório para a realidade atual do prédio”. Ele tinha afirmado que ia pedir a revogação da liminar e determinar a reabertura do matadouro, ressaltando que pediria a Adeal uma nova avaliação no prédio e de suas condições gerais. Até o fechamento dessa matéria nada tinha acontecido.

O matadouro de Porto Calvo fica às margens do Rio Manguaba e comercializa carne bovina para diversas cidades da Região Norte, como Matriz de Camaragibe, São Luís do Quitunde, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres, Barra de Santo Antônio e Jundiá. No entanto vários outros produtos também são comercializados no local, que emprega mais de 300 pessoas, de onde tiram seu sustento e de suas famílias. Nesses mais de 30 dias de fechamento o prejuízo é enorme e já se pode notar a escassez de alguns produtos nos supermercados locais.

Para aumentar a polêmica, no último dia 4, o Ministério Público Estadual recomendou que a Prefeitura de Porto Calvo se abstivesse de efetuar quaisquer gastos com verbas públicas na construção ou reforma do matadouro municipal ou abate de animais. O prefeito David Pedrosa afirmou prontamente em atender a recomendação e que a Procuradoria municipal se reunirá com o promotor para assegurar que as recomendações serão atendidas.

Por outro lado, e diante da continuidade do fechamento, os profissionais que dependem do matadouro, que são os mais prejudicados, garantem que as manifestações e os protestos vão continuar, já que a própria população está sentido na pele a falta de muitos produtos, como as carnes, por exemplo.

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Claudio Bulgarelli - Sucursal Região Norte

Comentários

MAIS NO TH