Interior

12 de julho de 2017 16:30

População de Maribondo protesta mais uma vez pedindo soltura de prefeito

Aproximadamente 150 manifestantes interditaram os dois sentidos da rodovia BR-316

Atualizada às 18h01

Na tarde desta quarta-feira (12), por volta das 13h, manifestantes de Maribondo realizaram a interdição total de dois sentidos da rodovia BR-316, no trecho do quilômetro 205. Eles reivindicam a soltura do prefeito Leopoldo Pedrosa, detido desde o dia 28 de junho por suspeita de ter agredido a ex-esposa. Até o momento, foram registrados congestionamentos de 2 quilômetros nos dois sentidos da via.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), não há opção de desvio na região e não existe previsão de liberação. Os manifestantes pedem que a imprensa envie equipes ao local.

A PRF informa também que o Gerenciamento de Crises da Polícia Militar foi acionado e está a caminho. Não há relato de agressividade dos moradores do município. Eles utilizam um carro de som para realizar o protesto e fizeram o bloqueio com a queima de pneus.

A rodovia foi liberada por volta das 18h.

Moradores de Maribondo realizaram outro protesto na segunda-feira

A Tribuna Independente divulgou na edição de terça-feira (11) que o vice-prefeito da cidade, Serginho Marques (PRTB), não assumiu a administração do município por imposição da Câmara de Vereadores. Ao ter a pauta de afastamento de Leopoldo do cargo, lida em plenário, os parlamentares têm pedido vistas, o que naturalmente faz Leopoldo não ser afastado. Mesmo preso, o prefeito não é impedido de despachar do Sistema Prisional de Maceió.

A estimativa dos organizadores é a de que a manifestação de segunda-feira (10) contou com a participação de 1.500 pessoas, que vestiam roupas de cor preta, camisas com a foto de Leopoldo e carregavam cartazes e faixas com frases de apoio ao prefeito.  A finalidade do protesto seria impedir uma possível ameaça ao clima de estabilidade que o município vive desde que Leopoldo assumiu a administração pública do município. Segundo informações de moradores da cidade, o gestor preso acusado de agredir a ex-mulher conseguiu colocar o pagamento dos servidores em dia, algo que não vinha sendo feito pela gestão passada, que deixou o município com mais de três meses de salários atrasados.

Protesto desta quarta-feira tem a mesma motivação do ato realizado na segunda-feira (Foto: Assessoria / PRF-AL)

Além disso, os manifestantes também conseguiram protocolar na Justiça um abaixo assinado com mais de cinco mil assinaturas pedindo a soltura e consequentemente o retorno de Leopoldo para a administração de Maribondo.

A Lei Orgânica do município prevê que o prefeito possa se ausentar do município por um prazo máximo 15 dias. O protesto ocorre dias antes de expirar o prazo previsto na Constituição Federal.

Segundo a reportagem da Tribuna Independente apurou com pessoas ligadas ao prefeito, sua ex-mulher, Meiry Vasconcelos já havia conseguido uma medida protetiva contra ele. Leopoldo era monitorado por uma tornozeleira eletrônica para não se aproximar dela, mas teria retirado o equipamento um dia antes da agressão.

Desembargador manteve a prisão do prefeito

Leopoldo Pedrosa teve a prisão preventiva mantida pelo desembargador João Luiz Azevedo Lessa. O pedido de reconsideração da defesa foi negado na terça-feira, sob os argumentos de garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e a proteção da integridade física das vítimas.

Para o desembargador João Luiz Lessa, a conduta do prefeito, além de ousada, revela uma ameaça à efetividade da Justiça, demonstrando a necessidade de uma intervenção mais severa, para garantir a integridade física e psicológica da vítima, que também relatou à polícia ter recebido diversas ameaças de morte.

Quanto às alegações de ausência de prova, o desembargador esclareceu que as provas se amparam nas declarações das vítimas e do laudo de exame de corpo de delito já anexado ao processo.

Antes de analisar o pedido da defesa, o desembargador determinou que o processo fosse remetido à Procuradoria-Geral da Justiça, para apresentar manifestação a respeito do pedido de reconsideração.

A Procuradoria-Geral de Justiça ofereceu a denúncia em desfavor de Leopoldo César Amorim Pedrosa, tipificando as condutas nos arts. 129, § 9º do Código Penal brasileiro, por três vezes; no art. 147 do Código Penal c/c art. 7º, inciso II, da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha).

(Foto: Assessoria / PRF-AL)

Na oportunidade, o Ministério Público Estadual ainda requereu a manutenção da prisão preventiva de Leopoldo Pedrosa, destacando a “iminente ameaça à vida e a integridade física das referidas vítimas, assim como a própria instrução penal”.

Em consulta ao Sistema de Automação da Justiça (SAJ) do segundo grau, o desembargador João Luiz constatou ainda que Leopoldo Pedrosa responde a outro processo criminal que tramita sob sua relatoria (nº 0705649-17.2013.8.02.0001), no qual é acusado da suposta prática dos crimes de embriaguez ao volante e uso de documento falso. O réu tem, inclusive, medidas cautelares decretadas, em substituição a prisão em flagrante, pelos fatos investigados.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

De acordo com o processo, Meiry Emanuella Oliveira Vasconcelos foi agredida tal forma que chegou a desmaiar devido aos fortes golpes que levou, bem como que sua mãe, Rosineide de Oliveira Vasconcelos, que só não foi agredida com um pedaço de pau porque Jacyara de Oliveira Vasconcelos, irmã da vítima, conseguiu intervir.

Após a última agressão, Meiry Emanuella foi ao plantão do Complexo de Delegacias Especializadas e encaminhada a 2ª Delegacia Especializada Defesa da Mulher, na qual prestou queixa e entregou uma arma de fogo de propriedade do Leopoldo César, em seguida, foi encaminhada para fazer o exame de corpo de delito.

À Polícia, Meiry Emanuelle relatou que não rompia o relacionamento por medo, porque quando dizia que queria se separar, já que não aguentava mais a situação, Leopoldo Pedrosa afirmava que “se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”. A vítima disse que teme bastante por sua vida e de sua família, pois um irmão seu foi morar no Rio de Janeiro por causa das ameaças do agressor.

Fonte: Tribuna Hoje

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