Interior

23 de novembro de 2016 18:25

Fiscalização Preventiva Integrada apreende uma tonelada de queijo impróprio

FPI flagrou várias irregularidades em laticínio de Olho d'Água do Casado

José Santos Amaro teve sua rotina de trabalho interrompida, nesta quarta-feira (23), quando a Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco da Tríplice Divisa (FPI), por meio da equipe de Produtos de Origem Animal e Agrotóxico, flagrou várias irregularidades no laticínio onde ele trabalha, em Olho d'Água do Casado, Sertão de Alagoas. 

Sem camisa, com feridas na barriga e apenas uma bermuda suja como proteção, ele é o retrato fiel da falta de higiene e informação e do descaso com a saúde pública que a FPI vem encontrando nestas pequenas fábricas clandestinas espalhadas na região da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. 

Só nos dois primeiros alvos da fiscalização foram apreendidos e destinados à incineração uma tonelada de queijo e 50 kg de manteiga. Além disso, em um dos laticínios, foram encontradas duas espingardas e munição.

“O Regulamento de inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, que é a  legislação reguladora desse tipo de atividade, possui quase mil artigos. Esses laticínios irregulares, em sua maioria, desobedecem praticamente todos. E isso é uma situação que atenta contra a saúde pública, é muito grave. E tanto os queijos estão contaminados, quanto há inobservância de conformidade das instalações com a legislação”, explicou a coordenação da equipe.

A lista de irregularidades

Apontando para o entorno do laticínio de Olho d'Água do Casado, os ficais destacaram a primeira irregularidade encontrada. “Toda essa área deveria estar cercada e animais não podem ficar rondando o imóvel. Talvez isso pareça algo sem importância, mas tenham certeza que não é. Como toda essa área está contaminada pelas fezes depositadas na areia, o vento levanta poeira e leva tudo para dentro dos fábricas onde o queijo é produzido, causando a sua contaminação”, detalhou a Adeal.

Interdição e multa

Instalado de maneira precária em uma pequena casa, o laticínio foi multado pelo IMA, pelo Ibama e pela Adeal. Está última, fez a autuação por falta de licença de funcionamento e ausência de registro nos órgãos sanitários competentes. Também foi constatado o uso de madeira serrada sem a exibição de licença do vendedor. Somadas as sanções pecuniárias dão quase R$ 12 mil.

Já o Conselho Regional de Medicina Veterinária notificou o laticínio por não possuir registro junto ao órgão e não ter um veterinário que inspecione a fabricação dos alimentos. De acordo com os técnicos da equipe, nada nas instalações da fabriqueta de queijo e manteiga estava regular.

Dentre as irregularidades, estão o teto que precisaria ser de material lavável, mas era de gesso e ainda apresentava sinais de mofo; a mesa onde a massa de queijo era manipulada deveria ser de inox, entretanto, ela era de madeira. E o piso instalado também era totalmente inadequado.

“Nem a maneira como colocaram a cerâmica no chão e nas paredes está correta. A impressão que temos é que as pessoas parecem não entender que estão colocando em risco a vida de quem consumir esses produtos. É por isso que a gente conversa, explica a grande probabilidade de uma contaminação e recolhe tudo. A saúde dos moradores da região tem que ser preservada”, explicou a promotora Lavínia Fragoso, coordenadora da FPI Alagoas.

Em Piranhas

A situação era ainda mais grave no laticínio localizado município de Piranhas. Com instalações tomadas por moscas, o local apresentava condição de higiene ainda piores que a fábrica de olho d'Água do Casado. Além disso, a pouco metros do local da fabricação do queijo, foi instalada uma pocilga e uma vacaria.

“A situação era ainda mais assustadora. Flagramos uma infestação de moscas cobrindo paredes, equipamentos e massas para queijo”, comentou o IMA.

E as multas desta vez foram agravadas porque o soro (material restante do leite durante sua transformação em queijo), estava sendo  jogado no meio ambiente sem nenhum tipo de cuidado, em completo desrespeito às normas técnicas exigidas.

Em Piranhas o laticínio também foi interditado.

Fonte: Assessoria / MP-AL

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