Histórias das Copas

16 de julho de 2018 15:32

De Viçosa à França: futebol e academia

↑ A lendária Seleção Brasileira de 1982, pouco antes da “Tragédia do Sarriá” (Foto: Reprodução)

O viçosense Arnóbio Cavalcanti, diretor-presidente da Algás, é um boleiro dos melhores. Conhece técnicas e táticas do futebol como ninguém. Chegou a ser treinador de time amador na universidade em que estudava na França; tentou sua carreira de jogador de futebol pelo clube de seu coração, o CSA, mas foi impedido pelo pai; e desde os tempos de garoto na Atenas de Alagoas, a bola era a sua paixão e razão. “A bola é racional, custa pouco e integra as pessoas”.

Arnóbio cresceu entre os campinhos da cidade, a padaria do pai, e a biblioteca local, a mesma onde Graciliano Ramos em seu tempo de menino também frequentava.

Arnóbio Cavalcanti relato emocionado das suas memórias de Copas do Mundo.

“Todo terreno baldio virava um campo de futebol, hoje não existe mais. Os espaços dos campinhos desapareceram do meu imaginário. Mas era um meio de integração e inserção social; quem não jogasse futebol na minha época estava fora da sociedade.  Sua primeira Copa ele nunca esquece, e nem poderia.

“Nas vésperas da Copa do México, em 1970, meu pai aumentou o mix da padaria, e começou a vender rádios junto com os pães. E as vendas arrebentaram. E eu ouvia os lances, os gols de Pelé, Jairzinho, Gerson, Rivellino e depois saía correndo atrás de uma bola. No meu tempo de menino meu imaginário estava na bola”.

Ele segue repartindo sua paixão com a família, o futebol e a gestão pública, área em que é um especialista, com seis livros publicados, um deles sobre o desenvolvimento de Alagoas. Na trajetória de Arnóbio é forte sua presença na administração pública – foi secretário de Estado de Planejamento, é professor da Ufal, e da Universidade de Provence, na França, como discente convidado. Foi consultor do Banco Mundial e do setor siderúrgico nacional.

Mas quando se fala em Copas do Mundo seus olhos brilham. Ele já comprou bandeira, duas camisas da seleção e está se organizando para a Copa da Rússia com os amigos.

Na Copa de 1974 já tinha noção de estratégias e colecionava os famosos álbuns de figurinhas. Em 1978, na Argentina, a paixão foi atropelada pela política.

“A pressão foi grande, o Brasil pode até ter sido campeão moral, mas aquela goleada da  Argentina no Peru foi armação, né?”.

Em 82, foi  a Copa de sua maturidade, um marco na vida de Arnóbio. Torceu como nunca pelo time de Telê, de Zico, de Sócrates, de Falcão, de Careca, de Éder, mas de nada adiantou diante dos três gols do carrasco Paulo Rossi, na derrota para os italianos.

“Eu tinha 22 anos, e vi que cada Copa era um ciclo de vida. Na Espanha, vivi minha primeira profunda decepção, me preparei para a vitória, mas de nada adiantou chorei por uns dias, me levantava sem motivação, parei de ver a Copa, era como quisesse negar aquela derrota para a Itália”.

Em 1994, estava na França, e o amor pelo Brasil aumentava para quem estava fora do país. Na universidade em que estudava tinha um time amador e ele foi convocado para treinar o time.

“Como era brasileiro eles me chamaram para ser o técnico, escalei o time com dois volantes à la Dunga e Mauro Silva, sem avançar muito. Era chamado de monsieur Cavalcanti. Os caras jogavam da maneira que orientava. Me tratavam como técnico de verdade. Fiz curso de treinador, comprei livros e mais livros de técnica e tática, das coisas do futebol. Tirei o time do rebaixamento, tive que mergulhar no mundo dos esquemas táticos, mas logo depois desisti da carreira”, confessa Arnóbio.

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