Histórias das Copas

29 de junho de 2018 10:20

Minhas Copas do Mundo II

↑ Seleção de 1970 Tricampeã. A seleção brasileira de 1982 não foi a campeã naquele ano por absoluta força do ‘Sobrenatural de Almeida’, como dizia Nelson Rodrigues

A Copa de 1970 teve algumas peculiaridades. Na regulamentação antiga da Copa, dois países estavam classificados automaticamente sem precisar competir na fase classificatória de seu continente: o país anfitrião e o campeão da Copa anterior. Depois do vexame de 1966, o Brasil não pode escapar das eliminatórias da Copa de1970 no México que foram realizadas em 1969. O técnico escolhido foi o polêmico João Saldanha, embora jornalista de profissão e filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), entendia muito de futebol, tinha a experiência como técnico do Botafogo. A safra de renovação de bons jogadores era excelente. Na fase classificatória da América do Sul, o Brasil passou facilmente e sua arquirrival, a Argentina, desclassificada. Nos preparativos para a Copa, o presidente Médici insinuou que Dario, medíocre meia do Flamengo. deveria ser convocado. Saldanha, que não tinha papas na língua, respondeu prontamente. “Quando o presidente escolheu seus ministros, não me consultou e eu não vou aceitar sua sugestão”. E não convocou Dario. Antes de viajar para o México, a seleção em treinos andou jogando mal, até empatando contra o Bangu por 1 a 1. Aproveitaram e demitiram João Saldanha e chamaram Zagallo para treinador da seleção.  Como o grande problema em jogar no México é a altitude de 2.300 metros, ar rarefeito, exigindo bom preparo físico, Zagallo convidou dois excelentes preparadores físicos: Carlos Alberto Parreira e o capitão Cláudio Coutinho, introdutor do método de cooper no país. O Brasil foi um dos primeiros países a chegar ao México, se aclimatizou, e a preparação física dos jogadores foi a melhor possível, tanto que a seleção ganhou todas as partidas da Copa praticamente no segundo tempo. O interessante é que o ataque do Brasil era formado por craques e todos vestiam a camisa 10 em seus clubes de origem: Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos), Gerson (São Paulo) e Rivellino (Corinthians). Com um time de supercraques e com um excepcional preparo físico não tinha como não ganhar aquela Copa. Há quem diga que foi a melhor seleção brasileira de todos os tempos.

Em 1974, a Copa foi na Alemanha. O Brasil era um dos favoritos por ter sido campeão em 1970, porém, o time, sem Pelé, Tostão, Gerson, Carlos Alberto, Clodoaldo, não era nem sombra de 1970. A estrela da Copa era a seleção da Holanda, jogando um fino e envolvente futebol, apelidado de Carrossel Holandês, comandado pelo craque Johan Cruiff. Os jogadores não tinham posições definidas e jogavam em todas as posições, daí o nome de Carrossel. O Brasil ganhou a fase classificatória com dois 0 a 0 iniciais contra a Iugoslávia e Escócia, depois ganhou do Zaire de 3 a 0. Melhorou um pouco ganhando da Alemanha Oriental por 1 a 0; da Argentina por 2 a 1 e empacou na Holanda, ao perder por 2 a 0. Decidindo melancolicamente o 3º lugar, o Brasil perdeu da Polônia por 1 a 0. A campeã foi a Alemanha, vencendo a poderosa e alegre Holanda por 2 a 1, uma injustiça na história do futebol.

Em1978 – na Copa da Argentina – O Brasil classificou-se com resultados difíceis na 1ª fase.  Pelo regulamento, os oito classificados da 1ª fase foram divididos em dois grupos de quatro equipes, os campeões de cada grupo decidiam o título. No grupo final, o Brasil começou ganhando do Peru por 3 a 0, depois empatou com a Argentina em 0 a 0 e venceu a Polônia por 3 a 1. Já a Argentina ganhou da Polônia por 2 a 0, empatou com o Brasil em 0 a 0, precisava no jogo final ganhar do Peru por, no mínimo, 4 a 0 para se classificar em primeiro e fazer a grande final com o campeão do outro grupo. Ganhou do Peru por 6 a 0. Houve muita polêmica sobre essa goleada da Argentina. A grande final foi entre Argentina e Holanda, e os hermanos foram campeões mundiais pela primeira vez batendo os holandeses por 3 a 1.  O Jornal dos Sports lançou a manchete: “Peru sem vergonha”! Mas a badalada e eterna suspeita de que o Peru entregou o jogo jamais foi devidamente comprovada. O Brasil derrotou a Itália por 2 a 1 na disputa do terceiro lugar. Fim de jogo, e o técnico Coutinho soltou a frase – “Somos os campeões morais” – que no esporte nada diz.

Em 1982 – Copa da Espanha – O Brasil armou um dos melhores times da história do futebol mundial. O técnico Telê Santana convocou uma geração de novos craques que será lembrada por séculos. A seleção brasileira de 1982 não foi a campeã naquele ano por absoluta força do ‘Sobrenatural de Almeida’, como dizia Nelson Rodrigues. Na chave do Brasil nas quartas de finais ficaram Itália e Argentina. O Brasil ganhou da Argentina por 3 a 1, bastava o empate contra a Itália, mas perdeu por 3 a 2 , em um jogo inacreditável. Mesmo perdendo, foi considerada a melhor seleção da Copa de 1982. Infelizmente os deuses do futebol não foram justos.  Com um toque esmerado, o Brasil reafirmou seu futebol arte. Fica a homenagem aos craques Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Toninho Cerezo, Júnior, Paulo Isidoro, Sócrates, Serginho, Zico, Éder Aleixo, Paulo Sérgio, Etevaldo, Juninho, Falcão, Edinho, Pedrinho, Batista, Renato Frederico, Roberto Dinamite, Dirceu e Carlos.

 

Carlito Lima é escritor, cronista e organizador de feiras literárias.

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