Histórias das Copas

29 de junho de 2018 11:12

Artilheiro vovô sai de cena aos 46 anos

↑ foto histórica de José Feitosa para a Revista Placar e no começo de junho, aos 80 anos; (Foto José Vanderlei).

O atacante penedense José Augusto Xavier, nasceu no dia 28 de agosto de 1938. Jogou pelos campos brasileiros até os 46 anos de idade, quando encerrou a carreira no Penedense e por onde passou foi um ídolo da torcida: Santa Cruz e Penedense, os grandes rivais em sua terra natal; e mais CRB, CSA, Ferroviária; Botafogo e Campinense, na Paraíba, Itabaiana de Sergipe, e fez uma carreira gloriosa no Bahia, onde se sagrou campeão da Taça Brasil, de 1959, hoje equivalente ao Campeonato Brasileiro.

“Parei de jogar aos 46 anos. Em 1969, quando eu jogava pelo Itabaiana, um cronista de jornal de Sergipe escreveu que eu estava muito velho e pegou no meu pé. Mas aconteceu ao contrário, saiu do meu pé o gol do Campeonato Sergipano. Guardo até hoje o jornal”, lembra o lendário Flecha Negra das Alagoas, que, em sua contas pessoais, já fez mas de 800 gols e lamenta não ter uma contabilização oficial.

O atacante Xavier, hoje com 80 anos, é um pacato alagoano da cidade de Penedo, e faz parte da história dos 110 anos do futebol alagoano, quando em 1908 foi disputada a primeira partida de futebol no Estado, exatamente na cidade de Penedo. Sobre o time mais velho de Alagoas, onde começou, ele diz: “Quando eu venho aqui e passo neste Estádio (Alfredo Leahy), campo do Penedense, dá uma vontade danada de chorar. Quando eu não fazia três gols numa partida eu ficava doente. Foi aqui neste campo que o CRB me viu jogar e me levou para Maceió”.

Xavier tinha um chute potente, tinha uma compleição forte, e muito veloz pelo meio e pelas pontas.

“Eu chutava tão forte que o goleiro era capaz de entrar para o gol com bola e tudo. Era um chute que parecia uma flecha e daí começaram a me chamar de Flecha Negra. Antigamente aqui não existia gramado, era piçarra, que ficava o sangue correndo no joelho da gente”.

Em sua melhor fase, Xavier media 1,74m de altura, e seus permanentes 74 quilos, e inacabável vigor. Livre, depois de haver passado por times de todo o País, Xavier encerra a carreira no Penedense, time que jogou por cinco vezes ao longo de sua carreira. Foi  também pentacampeão pelo Bahia, em um dos times mais populares de toda a história do tricolor baiano: Nadinho, Florisvaldo, Henricão, Vicente e Nezinho, Nelsinho e Mário, Biriba, Marito, Xavier e Léo.

Xavier era um verdadeiro artilheiro. Sabia como se colocar dentro da área e aproveitar as bolas que sobravam a sua frente para mandá-la para as redes adversárias. Tipo do centroavante da sua época. Fazia da sua raça, seu entusiasmo, seu amor pelo futebol, sua grande arma. Depois que abandonou o futebol, continuou morando em Penedo, simples como sempre, e junto a seus amigos.

Comentários