Histórias das Copas

28 de junho de 2018 10:57

Minhas Copas do Mundo I

↑ Carlito Lima é escritor, cronista e organizador de feiras literárias.

Desde menino sou vidrado em Copa do Mundo e em suas histórias.  A primeira Copa do Mundo em 1930 nasceu de um sonhador, Jules Rimet, presidente da FIFA. O local escolhido como sede foi o Uruguai por ter sido campeão olímpico em 1924 e 1928. O Uruguai foi o primeiro campeão do mundo numa eletrizante final com a Argentina, 4 a 2.  A segunda Copa aconteceu na Itália sendo campeão o país anfitrião na final, Itália 2 a 1 na Tchecoslováquia. A terceira Copa foi realizada na França, com a Itália se consagrando como bicampeã com um 4 a 2 na final contra a Hungria.

Estourou a Segunda Guerra Mundial em 1939 com a invasão da Alemanha à Polônia. A insanidade humana fez morrer nessa guerra 85 milhões de pessoas dos quais 50 milhões eram civis. As Copas de 1942 e 1946 não aconteceram.

Em 1950 a Europa ainda devastada vivia as sequelas da II Grande Guerra. A FIFA resolveu que a quarta Copa do Mundo seria na América do Sul, precisamente no Brasil.

Eu era menino, 10 anos, acompanhei toda Copa pelo rádio torcendo e ouvindo o Brasil arrasar. No quadrangular final ganhou da Suécia por 7 a 1, da Espanha, por 6 a 1, com o Maracanã em peso cantando o sucesso de carnaval. “Eu fui às touradas de Madri… e quase não volto mais aqui”.

Conta a lenda que, ao terminar o jogo, um senhor chorava feito uma criança e alguém reanimou: “Ei! nós ganhamos!”. Ele olhou para o cidadão e ainda chorando conseguiu comentar. “Não é por causa do jogo, é pela música, fui eu quem fiz”.

Era o Braguinha, compositor de sucessos de carnaval. Faltava apenas o Uruguai que havia empatado com a Espanha por 2 a 2. O Brasil precisava de um empate. Friaça fez 1 a 0 para o Brasil. O Uruguai, saindo não sabe de onde, empatou com Schiaffino e depois um gol de misericórdia de Ghiggia. Ninguém no mundo acreditou. Eu chorei durante três dias, aliás, ainda estou chorando há 68 anos.

Em 1954, na Copa da Suíça, a Hungria era a favorita em um time com Puskas, Kocsis, Czibor. Só ganhava de goleada; venceu a Alemanha na primeira fase por 8 a 3.  Na grande final, na conhecida Batalha de Berna, a Hungria fez 2 a 0 no início da partida. A Alemanha, surpreendentemente, virou o jogo.

Em 1958, o Brasil partiu para a Suécia sem perspectiva. Na primeira fase ganhou da Áustria por 3 a 0; empatou com a Inglaterra em 0 a 0. O terceiro jogo causava expectativa e medo. Por trás da Cortina de Ferro do bloco comunista a seleção favorita da Copa, a União das Repúblicas Socialistas Soviética (URSS), inventou o método científico de jogar futebol. Jogadores com muito fôlego, fortes e um emblemático goleiro com o uniforme todo preto: Lev Yashin, conhecido como o Aranha Negra.

O Brasil estava lascado! Foi quando os jogadores mais experientes da seleção brasileira Nilton Santos e Didi exigiram do técnico Feola a entrada de Garrincha, caboclo de Pau Grande, interior do Rio. Tinha pernas tortas e um menino, um negrinho de 17 anos, com um nome simples: Pelé.

Esses dois jogadores entraram contra a União Soviética. No início do jogo só deu Garrincha driblando todo time soviético. Vavá fez uma linda tabelinha com Pelé e o primeiro gol aos três minutos. Os dois estreantes arrasavam no jogo. No segundo tempo, Vavá fez o segundo gol. O futebol-arte do Brasil ganhou do futebol científico da União Soviética.

A seleção brasileira foi aplaudida de pé pelos suecos. Nas quartas de finais veio o País de Gales, apenas 1 a 0, com um lindo e histórico gol de Pelé. Na semifinal enfrentamos a França de Fontaine, artilheiro da Copa. E na final pegamos a dona da casa, a Suécia. O Brasil ganhou com mesmo placar da França: 5 a 2. Brasil campeão do mundo! E Nelson Rodrigues escreveu sua frase imortal: “O Brasil perdeu o complexo de vira-latas; somos os melhores do mundo”.

A euforia brasileira continuou no Chile em 1962 com o Brasil bicampeão. Pelé saiu machucado e Garrincha fez gol de falta e de cabeça. Consolidava a hegemonia do futebol-arte do Brasil. Final, 3 a 1 contra a Tchecoslováquia.

Em 1966, Copa na Inglaterra e a seleção brasileira tida como favorita. Começou com problemas na convocação. Os clubes pressionando para que seus jogadores fossem convocados, valorizados. O técnico Feola convocou 49 jogadores, divididos em quatro equipes de treinamento. Todos queriam capitalizar a seleção. A desorganização foi o maior fator para o maior vexame do Brasil em Copa do Mundo. Eliminado na primeira fase. Brasil 2 a 0 contra a Bulgária; Hungria 3 a 1 Brasil e Portugal 3 a 1 Brasil. Inglaterra campeã numa final de gol polêmico, contra a Alemanha, 4 a 2. Restava chorar de alegria.

*Artigo de Carlito Lima

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