Histórias das Copas

28 de junho de 2018 10:40

Artistas da bola entram em campo

↑ Brasil 5 x 2 Suécia

O encarte especial da Tribuna Independente traz, a partir deste primeiro número, até o final da Copa da Rússia, todas às terças-feiras, um resumo da história do futebol brasileiro, contada por meio de seus maiores craques, com o perfil dos grandes protagonistas que brilharam nos campos e foram adorados pela torcida, desde os tempos da fase amadora, durante os anos 1920, passando pela chegada do profissionalismo (anos 1930) – com o surgimento dos primeiros ídolos nacionais, popularização e paixão pelo futebol – até a chamada Era de Ouro do futebol brasileiro (1958-1970), a geração campeã, do negro Pelé e índio Garrincha.

Tempos de futebol-arte, da ginga de corpo, do jogo de cintura, da bicicleta, da folha seca, da “domingada” (alusão a Domingos da Guia), a malandragem. Os cronistas esportivos da época foram os responsáveis pela difusão do futebol-arte brasileiro. Tanto na fase pioneira, dos anos 1930-1950, com Gilberto Freyre, José Lins do Rego, Lima Barreto, os jornalistas Mário Filho, no Rio de Janeiro e Tomaz Mazzoni, em São Paulo – precursores do Jornalismo Esportivo.

Já na fase moderna – anos 1960 e 1970, pontificaram os escritores Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, e os jornalistas Nelson Rodrigues, João Saldanha, Armando Nogueira e Stanislaw Ponte Preta.

Os artistas da bola vão desfilar nas próximas edições, com um resumo da história de cada um deles, como se fosse um álbum de figurinhas. Nesta edição, estão o primeiro ídolo nacional Arthur “El Tigre” Friendenreich, um mulato de olhos verdes, filho de pai alemão e mãe negra; Ademir Menezes, o “Queixada”, ídolo vascaíno, artilheiro da Copa de 1950; Bellini, eterno capitão; e Tostão, que marcou época ao fazer jogos inesquecíveis com seu parceiro, Pelé.

A viagem vai continuar nos próximos números, com uma linha do tempo que inclui também o “Diamante Negro” Leônidas da Silva, inventor do gol de bicicleta e a geração tricampeã do mundo, com o preto Pelé e o índio Garrincha.

Boa viagem!

Arthur Friedenreich (São Paulo, 18 de julho de 1892 – São Paulo, 6 de setembro de 1969)

Filho de um comerciante alemão e de uma lavadeira negra brasileira, Friedenreich, apelidado “El Tigre” ou “Fried”, foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na época amadora, que durou até 1933. Teve importante participação no Campeonato Sul-americano de Seleções (atual Copa América) de 1919. Ele marcou o gol da vitória contra os uruguaios na decisão. Suas chuteiras ficaram em exposição na vitrine de uma loja de joias raras no Rio de Janeiro. Poucos anos depois de Charles Miller chegar ao país, em 1894, trazendo o futebol como novidade, o Brasil revelou seu primeiro ídolo. Hoje em dia, são poucos aqueles que viram Friedenreich brilhar nas décadas de 1910, 1920 e 1930.

Ademir Marques de Menezes (Recife, 8 de novembro de 1922 — Rio de Janeiro, 11 de maio de 1996)

Atacante e artilheiro na Copa do Mundo de 1950, quando o Brasil foi vice-campeão em pleno Maracanã, perdendo para o Uruguai. Apelidado de “Queixada” devido ao queixo proeminente, Ademir foi um cultuado artilheiro revelado pelo Sport Club do Recife, para muitos o maior jogador a ostentar no peito o leão rampante e a Cruz de Malta, símbolos do rubro-negro pernambucano e do Vasco da Gama, respectivamente. Pela seleção brasileira, foi campeão sul-americano em 1949 e artilheiro da Copa do Mundo de 1950, com nove gols. É também, junto com outros atletas, o terceiro maior artilheiro da Copa América, com treze gols marcados. Ademir Menezes foi eleito o melhor jogador do Vasco nas temporadas 1949, 1950, 1951 e 1952.

Hilderaldo Luís Bellini (Itapira, 7 de junho de 1930 – São Paulo, 20 de março de 2014)

Capitão da seleção brasileira de futebol na conquista do primeiro título mundial, em 1958, na Suécia, e bicampeão no Chile, em 1962. Sua foto levantando a Taça Jules Rimet com as duas mãos sobre a cabeça é uma das marcas do futebol brasileiro, e passou a ser repetida por todo capitão ao levantar a taça. Se tornou famoso no Vasco da Gama, onde chegou em 1952, numa época de renovação do time, após o desmanche do famoso Expresso da Vitória. Bellini era um zagueiro vigoroso, raçudo, que se impunha dentro da área. Compensava a limitada técnica com muita seriedade e lealdade aos adversários, o que lhe deu o posto de capitão da seleção em 1958.

Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão (Belo Horizonte, 25 de Janeiro de 1947)

Atacante brasileiro tricampeão do mundo, em 1970, no México, e artilheiro do Brasil nas eliminatórias sul-americana para a Copa, ao lado de Pelé. É considerado um dos grandes jogadores do futebol nacional e internacional. Tostão ficou marcado ao longo de sua carreira pela sua visão de jogo. Com passes esplêndidos deixava os atacantes em excelentes condições para marcar. Possuía toques sutis, inteligência notável para se deslocar e armar o jogo, um gênio do futebol mundial. Mesmo jogando no meio-campo para municiar os atacantes, era também artilheiro, tinha a capacidade de dar o drible curto contra o adversário com facilidade.

Ademir Menezes, o Queixada, é personagem importante do imaginário futebolístico nacional

Tostão, jogador de inteligência rara, foi fundamental na conquista do Brasil no Mundial de 1970

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