Esportes

Rafael Tenório pede adiamento das eleições no CSA

Candidato único, empresário tem histórico de acessos, renúncias e missão de reconstruir clube a partir do dia 10/11

Por Tribuna Independente 27/10/2026 09h15 - Atualizado em 27/10/2026 09h26
Rafael Tenório pede adiamento das eleições no CSA
Rafael Tenório terá um novo desafio no comando do CSA, porém ele quer adiamento das eleições - Foto: Reprodução

O Centro Sportivo Alagoano teria nesta terça-feira um momento marcante de sua história política. Com a chapa “Resgate do Azulão 2 – União e Força” como única inscrita para a presidência executiva, Rafael Tenório seria o nome que se encaminhava para a aclamação hoje e para um novo ciclo à frente do clube marujo. Mas o dirigente pediu um adiamento do processo, e a nova data será em 10 de novembro.

O pleito chega acompanhado de cobranças por transparência financeira, reorganização administrativa e recuperação esportiva. A solenidade desta terça será apenas para aclamação dos novos conselheiros. Uma lista de 46 nomes foi divulgada e confirmada.

O empresário, que comandou o Azulão em um dos períodos mais marcantes da história recente do futebol alagoano, tenta retornar ao cargo em um cenário diferente daquele encontrado em sua primeira passagem: o CSA está na Série D do Campeonato Brasileiro e precisa reorganizar as contas e o departamento de futebol para voltar a disputar espaço nas principais divisões nacionais.

A trajetória de Rafael no CSA começou em 2015, quando assumiu a presidência em meio a dificuldades financeiras e com o desafio de reconstruir a equipe. O projeto, batizado de “Resgate do Azulão”, ganhou força com uma sequência de resultados esportivos que recolocou o clube em evidência nacional.

Em 2016 o CSA subiu da Série D para a Série C e terminou a competição como vice-campeão brasileiro. Em 2017 o Azulão conquistou a Série C e garantiu vaga na Série B. Já em 2018 o CSA terminou a Série B como vice-campeão e conquistou o acesso à Série A. O clube voltou a disputar a primeira divisão nacional. No período da gestão de Tenório, também conquistou os Campeonatos Alagoanos de 2018, 2019 e 2021. A sequência de três acessos nacionais consecutivos tornou aquela gestão uma das mais lembradas pela torcida azulina. O trabalho, porém, não encerrou as dificuldades políticas e financeiras que marcariam os anos seguintes.

Depois de deixar a presidência em 2021, Tenório viu o CSA ser comandado por Omar Coêlho, eleito em dezembro daquele ano. A queda para a Série C e a pressão interna antecederam a renúncia de Coêlho, em 2022. Em fevereiro de 2023, Rafael Tenório voltou à presidência por aclamação, com a proposta de executar o projeto “Resgate do Azulão II”. O retorno, entretanto, durou pouco: em 14 de março de 2024, ele anunciou novamente sua saída, citando as críticas recebidas nas redes sociais.

A vice-presidente Mirian Monte assumiu o cargo, mas a sequência de instabilidade política continuou. Em 2025, após o rebaixamento do CSA à Série D, houve novo conflito administrativo, seguido pela saída de Mirian e pela chegada de Robson Rodas à presidência, em dezembro daquele ano. Esse histórico é fundamental para entender o peso da eleição de 2026: o clube não precisa apenas recuperar o desempenho esportivo, mas também construir estabilidade entre diretoria, conselheiros e torcida.

A chapa “Resgate do Azulão 2 – União e Força” reúne nomes para áreas administrativas e esportivas do clube. Rafael Tenório para Presidente-executivo; Cristiano Mendonça como vice; Hugo Leahy será o Superintendente administrativo e Luciano Lessa será o Superintendente de esportes
Um dos pontos mais delicados da transição é a situação financeira. Tenório cobra da atual gestão um levantamento detalhado das dívidas do CSA. O candidato considerava insuficiente o resumo financeiro que havia recebido e defendia a apresentação de informações sobre ações trabalhistas, FGTS, fornecedores e outros compromissos.

Na ocasião, Tenório admitiu que poderia pedir o adiamento da eleição ou desistir da candidatura caso não recebesse os dados necessários. Até as informações consultadas para esta matéria, não foi possível confirmar uma atualização definitiva sobre a resolução desse impasse. Portanto, a aclamação prevista não deve ser tratada como resultado já oficializado.