Esportes

Após saída da Série D, Carlos Bonatelli expõe dificuldades financeiras do CSA

Executivo de futebol diz que elenco e diretoria fizeram 'o possível', nega qualquer tipo de sabotagem interna e afirma que problema financeiro marcou toda a temporada

Por Tribuna Hoje 04/09/2026 00h56 - Atualizado em 04/09/2026 01h51
Após saída da Série D, Carlos Bonatelli expõe dificuldades financeiras do CSA
Carlos Bonatelli - Foto: Allan Max / Ascom CSA - Arquivo

Logo após a entrevista do técnico Moacir Júnior, o executivo de futebol do CSA, Carlos Bonatelli, também assumiu responsabilidades pelo fracasso na busca pelo acesso e fez um pedido público de desculpas à torcida azulina. Em coletiva concedida na noite desta quinta-feira (3), no Estádio Rei Pelé, o dirigente destacou as dificuldades enfrentadas ao longo da temporada, negou problemas de comprometimento do elenco e revelou obstáculos financeiros que acompanharam o clube durante todo o ano.

Bonatelli afirmou que fez questão de comparecer à entrevista mesmo após a eliminação para prestar esclarecimentos e demonstrar respeito ao torcedor. “Primeiro fica também um pedido de desculpa ao torcedor. Eu tenho a obrigação de vir aqui falar. Nos momentos mais delicados da temporada, a gente sempre deu a cara a tapa. Não seria agora que eu iria me esconder”, declarou.

O executivo rejeitou qualquer narrativa de tumulto interno envolvendo premiações ou insatisfação dos atletas nos dias que antecederam a decisão. Segundo ele, o grupo tinha conhecimento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube e permaneceu comprometido até o fim da campanha. “Jamais o elenco se rebelou, até porque o elenco sabia do esforço da diretoria. Esse esforço estava sendo dos atletas, da comissão técnica, dos funcionários e da diretoria. Ninguém fez tumulto, ninguém fez corpo mole. Todo mundo se dedicou ao máximo”, afirmou.

Durante a coletiva, Bonatelli fez um retrato das limitações econômicas enfrentadas pelo CSA em 2026. Segundo ele, o clube precisou operar constantemente acima de sua capacidade financeira para manter o departamento de futebol funcionando. “Acredito que o CSA, em nenhum momento, sequer teve receita suficiente para pagar a sua despesa do mês. Fomos muito além da nossa possibilidade”, disse.

O dirigente revelou ainda que o clube enfrentou novos entraves financeiros nos dias que antecederam a partida decisiva. De acordo com ele, a diretoria trabalhava para quitar compromissos com o elenco quando sofreu bloqueios judiciais em contas do clube. “Estávamos para conseguir pagar a imagem dos atletas na data de hoje [quinta-feira] e teve um bloqueio de conta de um atleta que esteve aqui no início de 2024. Foram alguns bloqueios de conta durante esse período. O departamento jurídico buscou solucionar o quanto antes, mas essas são as dificuldades e os bastidores do futebol”, explicou.

Questionado sobre seu futuro no CSA, Bonatelli evitou confirmar permanência para a próxima temporada e afirmou que a decisão caberá à direção do clube. Ele ressaltou, porém, que ainda precisa concluir procedimentos administrativos relacionados ao encerramento da temporada. “Essa avaliação cabe à direção. Vivi 24 horas todos os dias do clube. Agora preciso finalizar esse ciclo, porque ainda existem coisas a serem feitas no pós-competição. Depois, naturalmente, o CSA vai precisar se oxigenar. Faz parte do mundo da bola”, comentou.

Ao analisar a campanha, o executivo assumiu a responsabilidade pela formação do elenco e relembrou as dificuldades encontradas desde os primeiros meses do ano. Entre elas, citou o cenário político instável do clube, que teria dificultado negociações e a montagem da equipe. “Tínhamos a situação das indefinições políticas do clube, o que acarretou muita dificuldade para a montagem do elenco e para os atletas comprarem a ideia de vir para o CSA. Durante o ano isso não mudou”, afirmou.

Apesar do resultado negativo, Bonatelli elogiou o comprometimento do grupo e destacou que diversos jogadores permaneceram no clube mesmo tendo respaldo legal para rescindir seus contratos diante dos atrasos financeiros. “Qualquer atleta poderia ter saído antes. Tem mais de 10 atletas que tinham a possibilidade de sair a qualquer momento e tinham o fator legal a seu favor. Mas todos firmaram até o final e tentaram dentro das nossas condições”, destacou.

Sobre a queda de rendimento da equipe na fase decisiva da Série D, o dirigente preferiu não apontar um motivo específico. Na avaliação dele, o CSA perdeu competitividade e controle emocional em momentos determinantes dos confrontos eliminatórios.

Bonatelli citou como exemplo os duelos diante de Uberlândia e Nacional-AM, reconhecendo que a equipe não conseguiu repetir o nível de atuação apresentado em partidas anteriores da competição. “A gente não tem como apontar um fator ou outro. Tivemos chances, buscamos alternativas, mas não tivemos tranquilidade para fazer os gols. Não conseguimos fazer o resultado. Infelizmente, fica esse gosto amargo”, lamentou.

Ao encerrar a entrevista, o executivo voltou a agradecer o apoio da torcida e disse acreditar que o CSA tem condições de se reconstruir. Além disso, apontou atletas das categorias de base como uma das esperanças para a sequência do projeto azulino. “O CSA tem talentos interessantes na base que devem ser aproveitados. É preciso ter coragem para colocar esses atletas. Espero que possam ser protagonistas de um próximo ano de muito sucesso. Um clube dessa grandeza não merece estar na Série D”, concluiu.