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Samir Xaud se afasta da Seleção em meio a crise e CBF 'blinda' time

Presidente da confederação viajou para Orlando após denúncias de uso indevido de recursos da entidade com despesas pessoais

Por Naiana Ribeiro com Ibahia 17/06/2026 17h53 - Atualizado em 17/06/2026 18h09
Samir Xaud se afasta da Seleção em meio a crise e CBF 'blinda' time
Samir Xaud se afasta da Seleção em meio a crise e CBF 'blinda' time - Foto: Divulgação/Reprodução

A presença constante do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, no dia a dia da Seleção Brasileira - com livre acesso a treinos, vestiários e ônibus da delegação - sofreu uma interrupção significativa. O dirigente se afastou do grupo logo após a eclosão de uma crise na última segunda-feira (15), motivada por denúncias de gastos supostamente indevidos custeados pela confederação com pessoas estranhas aos seus quadros.

Diante da repercussão, Samir deixou Nova Jersey, nos Estados Unidos (EUA), e seguiu para Orlando, em um movimento interpretado como uma tentativa de "estancar a sangria pessoal e profissional" durante a Copa do Mundo 2026.

Embora aliados tenham sustentado que o deslocamento para Orlando já estava planejado para encontros de presidentes de federações durante a primeira fase do Mundial, fontes da ESPN asseguraram que a partida às pressas foi motivada pelo temor de que o vazamento dos gastos prejudicasse tanto a reputação do dirigente quanto a preparação comandada por Carlo Ancelotti.

O caso, revelado pelo portal LeoDias, aponta que o presidente utilizou o nome da CBF para reservar um hotel de luxo em Nova York para uma amiga pessoal. O portal indicou, ainda, que essa não seria uma prática isolada, citando um episódio anterior no Qatar, e exibiu registros do dirigente com sua acompanhante durante um jantar em Manhattan.

A situação gerou um desdobramento familiar, já que os eventos ocorreram enquanto a esposa de Samir estava na Cidade do México, onde o acompanhou na abertura do torneio.

Em resposta à repercussão, o dirigente buscou quitar o valor da reserva com recursos próprios, visando descaracterizar qualquer uso indevido do cargo. A CBF, em esclarecimento, afirmou que dirigentes costumam utilizar a logística da entidade para fins pessoais mediante reembolso imediato, negando, contudo, ter arcado com os custos da hospedagem em Nova York. Em Orlando, Samir trabalha para manter o apoio dos presidentes de federações e minimizar os desgastes familiares e institucionais.

Gestão na ausência do presidente

Com o afastamento de Samir, o vice-presidente Gustavo Dias Henrique, integrante do núcleo de Brasília que exerce influência na confederação, assumiu a responsabilidade de gerir a crise interna e proteger o ambiente da Seleção, ainda conforme informações da ESPN. A orientação da cúpula da entidade é que o presidente limite suas aparições a compromissos oficiais, mantendo-se "distante do grupo de jogadores".

A rotina de Samir, que incluía deslocamentos de helicóptero e presença constante nos treinos e concentrações, deverá ser alterada. A coordenação do dia a dia em Basking Ridge e Morristown passará a ser conduzida por Gustavo Dias Henrique em conjunto com Rodrigo Caetano. O vice-presidente é uma figura de confiança de Francisco Schertel Mendes, sócio do IDP, entidade que se consolidou como "o centro do poder na CBF".

Posicionamento da CBF

Após a publicação das informações pela ESPN, a assessoria da entidade refutou a narrativa de que o dirigente teria "largado" a Seleção para "sumir de cena". Segundo o comunicado, a viagem já estava programada e o dirigente apenas cumpre agenda com outros presidentes de federações, destacando que "o estranho seria ele não estar lá". A nota classifica como "desonesto tentar criar uma relação de causa e efeito entre os dois fatos".

A ESPN, contudo, manteve a informação de que houve o afastamento, pontuando que o dirigente não compareceu a agendas recentes de interação com familiares e treinos da equipe, eventos dos quais ele participava regularmente.