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Para onde foi o dinheiro do filme mais caro da história do Brasil?
Flávio Bolsonaro e Thiago Miranda falam em contrato e repasses de Daniel Vorcaro, mas produtora e Mário Frias negam entrada do dinheiro em 'Dark Horse'
O caso do filme “Dark Horse” chegou a um ponto em que a principal dúvida já não é apenas se Flávio Bolsonaro tentou levantar dinheiro com Daniel Vorcaro. Ele já admitiu que sim. A contradição central é outra: se houve contrato, cobrança de parcelas e relato de repasses milionários, por que a produtora do longa diz que não recebeu um centavo do banqueiro?
Essa é a pergunta que emerge do choque entre as declarações públicas já dadas por personagens centrais da história. De um lado, o senador Flávio Bolsonaro admite que buscou patrocínio privado, cobrou parcelas atrasadas e afirmou que havia um contrato cuja interrupção poderia inviabilizar a conclusão do filme. De outro, a Go Up Entertainment sustenta que nunca recebeu recursos de Vorcaro nem de empresas ligadas a ele.
Quem diz que o dinheiro existiu?
As versões que apontam para a existência do aporte são numerosas e objetivas. O Intercept Brasil, responsável pela reportagem original, revelou mensagens e áudios em que Flávio cobra o pagamento de parcelas e demonstra preocupação com a continuidade do projeto, enquanto o empresário Thiago Miranda afirmou ao UOL e à colunista Malu Gaspar, de O Globo, que o acordo previa US$ 24 milhões e que cerca de metade disso chegou a ser paga.
O próprio Flávio, ao rebater a repercussão do caso, reforçou que houve valores pagos. Em sua nota de defesa, ele declarou que Daniel Vorcaro “parou de honrar com as parcelas do contrato” e afirmou que isso criava o risco de o filme não ser concluído. A declaração é relevante porque não trata apenas de uma conversa preliminar com investidor: ela fala em contrato e em inadimplência.
Thiago Miranda foi ainda mais direto. Segundo ele, Vorcaro era o único investidor do filme até a Operação Compliance Zero e conseguiu colocar cerca de R$ 62 milhões no projeto antes de interromper os repasses. Se essa versão estiver correta, “Dark Horse” não só teria recebido dinheiro do banqueiro como seria o filme mais caro da história do Brasil.
Quem diz que o dinheiro não entrou?
A Go Up Entertainment apresentou uma versão oposta. Em declaração à Folha de S. Paulo e também em nota pública, a produtora afirmou que não recebeu “absolutamente nenhum recurso” de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao empresário. A empresa também sustentou que Flávio Bolsonaro pode ter procurado investidores por conta própria, sem que isso se refletisse em verba efetivamente recebida pela produção.
O deputado Mário Frias, que escreveu o roteiro e é um dos produtores do filme, repetiu essa mesma linha. Ele declarou que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em ‘Dark Horse’”, embora tenha acrescentado que, mesmo se houvesse, não veria irregularidade por se tratar, segundo ele, de uma relação privada sem dinheiro público.
É justamente aí que a história trava. Porque as duas versões não são complementares. Elas se anulam. Se Flávio e Thiago Miranda dizem que houve contrato, parcelas e repasses milionários, e se a produtora e Frias dizem que não entrou dinheiro de Vorcaro no filme, as declarações deixam sem resposta para onde teriam ido os recursos mencionados nas negociações.
Onde o dinheiro pode ter parado?
A própria apuração já publicada indica um caminho que ajuda a explicar a contradição. Segundo o Intercept Brasil, parte do dinheiro ligado a Vorcaro teria seguido, por meio da Entre Investimentos e Participações, para os Estados Unidos, até o fundo Havengate Development Fund LP, apontado como supostamente associado a aliados de Eduardo Bolsonaro
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