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Série 'O Espantalho' estreou quieto no Viki e já é o thriller policial de que ninguém está falando — mas deveria
Park Hae-soo e Lee Hee-joon estrelam drama coreano baseado em crimes reais que vêm subindo em audiência desde a estreia, em 20 de abril.
O Espantalho chegou ao Viki em 20 de abril e, em menos de duas semanas, a audiência na Coreia saltou de 2.9% para 5.2%. É o tipo de crescimento consistente que thriller nenhum consegue só com marketing — tem boca a boca aí.
A trama acompanha Kang Tae‑ju (Park Hae‑soo, de Round 6), ex‑detetive e perfilador criminal que volta à cidade natal depois de prender a pessoa errada e ver a carreira desmoronar. Ele é forçado a reabrir uma série de assassinatos que atravessaram três décadas — casos que remetem diretamente aos crimes de Hwaseong, os mesmos que inspiraram Memories of Murder, de Bong Joon‑ho. Para piorar, precisa trabalhar com Cha Si‑young (Lee Hee‑joon), um promotor que já usou confissão forjada para fechar caso e vê na investigação um trampolim político. A dinâmica entre os dois é de atrito puro, e o roteiro deixa essa tensão ferver sem pressa.
Park Hae‑soo entrega uma atuação contida, cheia de camadas. O cansaço do personagem não está só no texto, mas no corpo, no olhar, na forma de andar pelos corredores da delegacia. Lee Hee‑joon faz de Cha Si‑young um antagonista que nunca vira caricatura — frio e calculista, mas com uma ansiedade mal disfarçada correndo por baixo da superfície polida. Kwak Sun‑young, como a jornalista Seo Ji‑won, funciona como ponte entre a investigação e a comunidade, trazendo uma energia diferente para as cenas mais fechadas.
A direção é de Park Joon‑woo (Taxi Driver, Crash), que sabe filmar ação e tensão com personalidade. O roteiro é de Lee Ji‑hyun, também de Taxi Driver, e isso explica a sensação de que a história foi pensada para adultos. Não tem alívio cômico artificial, nem romance açucarado entrando de paraquedas. É thriller seco, com fotografia escura e trilha que valoriza o silêncio tanto quanto o barulho.
São 12 episódios de cerca de 60 minutos, e o vai‑e‑vem entre 1988 e 2019 é bem sinalizado — nunca dá a impressão de que o espectador está sendo enrolado. As surpresas vêm da investigação, de detalhes que você deixou passar ou de personagens secundários que de repente ganham peso.
O ponto que pode afastar parte do público é justamente o que faz a série ser o que é: a atmosfera é pesada do começo ao fim. Não há respiro. A violência não é gráfica o tempo todo, mas está sempre sugerida, e o tom realista — ancorado em um caso que traumatizou a Coreia — não oferece escapismo confortável. Quem procura passatempo para desligar o cérebro vai achar difícil. Quem gosta de suspense investigativo que respeita a inteligência do espectador, vai encontrar prato cheio.
No MyDramaList, espectadores elogiam a consistência do roteiro e a química tensa entre os protagonistas. No Viki, a nota do público gira em torno de 9.6 — número que reflete o entusiasmo inicial, mas que dificilmente seria tão alto se a série não entregasse algo sólido. Entre os críticos coreanos, os elogios se concentram na direção segura e na forma como o drama revisita um caso já batido sem soar repetitivo.
Para fãs de Through the Darkness, Beyond Evil e Signal, O Espantalho é casa. Não reinventa o gênero, mas executa com tanta competência que a comparação com Memories of Murder não é exagero — ele realmente olha para a mesma ferida histórica e encontra uma nova forma de falar sobre ela.
CONFIRA A MATÉRIA ORIGINAL NO ENDEREÇO https://papodedorama.com.br/o-...
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