Entretenimento
Globo confirma volta de 'Avenida Brasil' ao 'Vale a Pena Ver de Novo'
Exibida originalmente em 2012, novela de João Emanuel Carneiro retorna à grade da tarde após 'Rainha da Sucata' e reacende o embate entre Nina e Carminha
Catorze anos depois de parar o país na hora do jantar, "Avenida Brasil" volta à tela da TV Globo no "Vale a Pena Ver de Novo", na sequência de "Rainha da Sucata". A reprise reacende um fenômeno que extrapolou a audiência e se entranhou na cultura pop, das frases repetidas à exaustão aos memes que seguem circulando nas redes, e convida uma nova geração a descobrir por que Carminha virou sinônimo de vilania.
Exibida originalmente em 2012, a novela escrita por João Emanuel Carneiro combinou melodrama clássico com ritmo de thriller e uma galeria de personagens que rapidamente ultrapassaram a ficção. No centro da trama está o embate entre Carminha (Adriana Esteves) e Nina (Débora Falabella), duas mulheres ligadas por um passado de abandono e traição.
A história começa com Rita (Mel Maia), menina que vê a vida desmoronar após o pai, Genésio (Tony Ramos), cair em um golpe arquitetado pela ambiciosa Carminha. Casada com o viúvo, a vilã articula, ao lado do amante Max (Marcelo Novaes), o roubo do dinheiro da família. Quando Genésio morre atropelado por Tufão (Murilo Benício), jogador de futebol tomado pela culpa, Carminha enxerga a oportunidade de ascender socialmente. Para eliminar a única testemunha de seus crimes, abandona Rita em um lixão, ponto de partida de uma saga que mistura vingança, identidade e disputa de poder.
É no lixão que a novela amplia seu retrato social. Sob a exploração de Nilo (José de Abreu) e a proteção de Mãe Lucinda (Vera Holtz), Rita constrói laços afetivos, especialmente com Batata (Bernardo Simões), seu primeiro amor. A separação dos dois — ela adotada por uma família argentina, ele levado por Carminha para viver como Jorginho — pavimenta o conflito que anos depois moverá a trama.
Doze anos se passam até que Rita retorne ao Brasil como Nina, agora chef de cozinha. Determinada a acertar contas, ela se infiltra na casa de Tufão ao ser contratada por Ivana (Letícia Isnard) e passa a conviver diariamente com a ex-madrasta, que mantém a fachada de esposa dedicada enquanto sustenta um relacionamento clandestino com Max. Na mansão, Nina reencontra Jorginho (Cauã Reymond), sem saber, o Batata de sua infância, e vê seu plano de vingança ser atravessado por sentimentos mal resolvidos.
Ambientada no fictício bairro do Divino, no subúrbio carioca, a novela construiu um painel vibrante da classe média brasileira da virada da década de 2010. Entre o salão de beleza de Monalisa, as armações de Leleco (Marcos Caruso) e as peladas do Divino Futebol Clube, circula uma fauna de personagens que ajudou a consolidar a identificação do público com aquela geografia afetiva. O futebol, com Tufão como ídolo improvável, funciona como elemento de coesão e também como motor dramático.
O impacto foi imediato. "É tudo culpa da Rita!", "Toca pro inferno, motorista!" e "A partir de agora, você vai me chamar de senhora!" atravessaram a tela e ganharam as ruas e a internet. Indicada ao Emmy Internacional em 2013, a novela tornou-se a produção mais exportada da TV Globo, vendida para mais de 140 países e dublada em 19 idiomas. Em 2023, ganhou sua primeira adaptação internacional, a turca Leyla – Sombras do Passado.
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