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25 de outubro de 2021 18:08

Matrix 4, Homem Aranha e outros são as apostas para retorno aos cinemas

Estreia de filmes aguardados e que apelam à nostalgia do público, como Homem-Aranha e Duna, podem puxar recuperação do setor

↑ Foto: Divulgação

Apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19 no mundo, os cinemas ainda sofrem para se restabelecer na cadeia do audiovisual. Após mais um ano com as salas fechadas no Brasil e no mundo e do crescimento sem precedentes do streaming, o segmento aposta no lançamento de uma nova sequência de blockbusters no último trimestre deste ano para reverter o cenário.

Além de Duna, que chegou ao país na última quinta-feira (21/10), como um dos longas mais aguardados do ano, os próximos meses terão as estreias de Eternos, em 5 de novembro, de Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa, em 17 de dezembro, e Matrix 4, previsto para chegar no dia 22 do mesmo mês.

Thiago Romariz, especialista em cultura e tecnologia, avalia que reação do público à chegada das estreias previstas para o final deste ano e o início de 2022 será importante para traçar qualquer expectativa em relação ao setor. “A gente vai ver grandes filmes voltando ao cinema e o quanto as pessoas vão estar sedentas a ir até as salas assisti-los. É mais importante ainda analisar se elas vão ter o mesmo nível de consumo de antes”, pontua.

Mesmo com o cenário de incertezas, o especialista acredita que o cinema tem, sim, condições de se recuperar rapidamente no contexto pós-pandêmico. Ele aposta que alguns dos títulos aguardados para o período podem, até, bater a cobiçada marca de US$ 1 bilhão em bilheteria. O último longa a conseguir a façanha foi Star Wars: A Ascensão Skywalker, em janeiro de 2020.

“De todos esses, o que tem mais chances é Homem-Aranha. Pelo apelo do personagem, cruzamento de novos universos e o apelo da própria franquia. É um filme que está sendo esperado há muito tempo e, como ele chega em dezembro,vai estrear em um momento de vacinação mais avançada. Querendo ou não, também é um dos únicos que vão estrear na China e no resto do mundo ou exclusivamente nos cinemas”

 

Encontrar um meio para driblar as mudanças impostas pelas plataformas digitais, entre elas o desejo do público de ver o filme no conforto do lar, é um dos grandes desafios que a indústria cinematográfica terá de enfrentar para retomar o patamar pré-pandêmico. “O streaming vai continuar dominante e agora disputando um espaço relevante com o cinema”, acrescenta o especialista.

Apelar à nostalgia pode ser uma boa estratégia, já que a maior parte das bilheterias de 2021 vem justamente de filmes que são continuações de franquias antigas e conhecidas. À exemplo de Velozes e Furiosos, que arrecadou US$ 700 milhões mundialmente, Viúva Negra (US$ 379 milhões) e Shang-Chi (US$ 360 milhões).

“A gente não tem bola de cristal, mas a tendência é que os filmes grandes tomem, cada vez mais, conta do cinema. Ano que vem temos pelo menos três produções da Marvel, quatro da DC Comics, a volta de várias franquias grandes… Esses filmes gigantescos precisam do cinema, o que não quer dizer que o streaming vai perder a força. Eles podem conviver. O que resta saber é como o cinema vai se adaptar a esse novo tipo de consumidor que prefere assistir no momento que quer do que ser obrigado a sair de casa pra isso”, pontua Romariz.

Confiança na recuperação

Até a semana passada, 2,9 mil salas estavam em operação no país, enquanto outras 500 se encontravam “temporariamente fechadas”, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine). No ano que precedeu a pandemia, os cinemas faturaram quase de R$ 3 bilhões, contra menos de R$ 700 milhões no ano passado. No primeiro semestre de 2021, foram apenas R$ 255 milhões. Mas, observando apenas os dados de julho, a renda chega a quase metade do valor de todo o ano: R$ 114,9 milhões.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido até retomar o desempenho de antes, mas o clima entre as grandes empresas do setor é de otimismo. “O público está voltando gradativamente. Cada grande lançamento supera os recordes de seu antecessor. Todos as pessoas que entrevistamos saíram dos nossos cinemas absolutamente confiantes com o protocolo de segurança e encantadas por poder viver novamente essa experiência. A vacinação está com ótima adesão no Brasil e temos muitos blockbusters vindo por aí. Tudo isso somado traz uma perspectiva muito positiva para o terceiro trimestre”, comentou a gerente de marketing do Kinoplex, Patrícia Cotta.

A executiva explica que a rede fundada por Severiano Ribeiro tem concentrado esforços na oferta de novas tecnologias, formatos de sala, produtos e serviços diferenciados, se que não encara o streaming como um empecilho para levar o público de volta às poltronas. “É uma experiência absolutamente diferente do cinema, uma opção a mais de lazer, com características muito distintas”, comenta.

Fonte: Cinema/Metrópoles / Ranyelle Andrade

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