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29 de outubro de 2020 09:56

Dia do melhor companheiro

Uma das fontes mais importantes de conhecimento, o livro é celebrado nacionalmente nesta quinta (29)

Quando o funcionário Público Federal João Paulo Gomes Soares passou no concurso  que o fez mudar de Roraima para Alagoas, a primeira preocupação foi com sua pequena biblioteca particular. Eram cerca de 300 livros e um sentimento de apego e carinho infinito.  Não deu outra, sem titubear despachou seus companheiros carinhosamente embalados e acondicionados em mais de cinco caixas de papelão, a um custo de R$ 4 mil. Para ele o gasto compensou, afinal em sua nova vida a companhia dos livros seriam fundamentais.

A estudante de medicina Beatriz Baía não pede outra coisa aos pais, amigos e namorado que não sejam livros. Aos 20 anos ela mantém, desde os 10 anos, uma lista pronta para as datas  comemorativas em que sabe que pode ganhar um presente. Para ela, as obras são suas janelas, o caminho para acessar conhecimento e o melhor escape para as atribulações da rotina diária e o estresse da vida atribulada de uma futura médica.

O amor de Beatriz e João ganha novos contornos hoje, quando se comemora o Dia Nacional de uma das invenções mais enriquecedoras do ser humano: o livro.  Tanto apego aos objetos pode até ser controverso, mas o que  ninguém discute é que um livro pode ser uma fonte inesgotável de conhecimento, transportando leitores para os lugares mais espetaculares da imaginação humana, além de informar, ajudar  na escrita e diversificar o vocabulário das pessoas, aumentando o nível intelectual da comunidade onde está inserido.

“Seja por prazer, seja para estudar ou para se informar, a prática da leitura aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a interpretação. O contato com os livros ajuda ainda a formular e organizar uma linha de pensamento. Assim,  uma obra literária, de qualquer estilo,  é uma importante parceira na hora de construir um pensamento”, disse a pedagoga e especialista leitura Vânia Santos.

“Sobre o apego aos livros, eu não posso opinar. Mas posso dizer, que pelo menos, é uma paixão saudável. Afinal, a leitura de livros é um hábito para a evolução, já que é a primeira porta de acesso ao conhecimento. Seja por prazer, seja para estudar ou para se informar, a prática da leitura aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a interpretação. Infelizmente, com o avanço das tecnologias do mundo moderno, cada vez menos as pessoas interessam-se pela leitura. E, quando escolhem os aparatos tecnológicos para ler, geralmente, não se encontra profundidade. Claro que a tecnologia é importante é fundamental. Mas os livros, estes sempre terão seus lugares garantidos na estante”, reforçou.

Para a jovem Beatriz Baía o posicionamento da especialista em leitura é o resumo dos motivos que a levaram a ser uma leitora voraz. “Aprendi cedo, com meus pais e um tio que tem uma biblioteca em casa, que os livros me mostrariam caminhos, me dariam subsídio para me destacar e tirar boas notas. De fato,  eu poderia fazer como muitos dos meus amigos, e  buscar esse conhecimento de maneira mais prática, mais superficial, que é  mais fácil de achar na internet. Mas gosto de ver meus livros”, disse a garota que aprendeu a falar italiano comprando e ganhando obras em italiano. “Nessa hora aliei a tecnologia, ia lendo no livro e buscando significados e  regras na internet”, diz com orgulho.

A futura médica ainda ressalta a importância de fazer esse conhecimento circular. “Conheço muita gente que diz que não tem paciência para ler um livro, no entanto, é tudo uma questão de hábito, de transformar a leitura em prazer.  Por isso não tenho muitos em casa, eu acredito que depois de um tempo esse conhecimento que foi proporcionado a mim pelos livros precisa circular. Por isso, eu faço doações ou empresto sem pena, prefiro pensar que eles estão criando asas na cabecinha de outras pessoas”, diz a jovem que tem um vocabulário extraordinário.

TRIBUTOS

O amor de Beatriz em ter os livros, compartilhar e sempre ganhá-los de presente pode sofrer um abalo. A reforma tributária pretendida pelo governo  federal pode tornar as obras literárias brasileiras mais caras.  Hoje, o mercado de livro é protegido pela Constituição de pagar impostos (art. 150). A lei 10.865, de 2004, também garantiu ao livro a isenção de Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para os programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep). A nova Contribuição Social sobre Operações de Bens e Serviços (CBS) vai substituir as contribuições para Cofins e para os programas do PIS/Pasep. Ou seja, essa mudança acaba com a isenção e taxa o livro em 12%.

Em entrevistas sobre o assunto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a isenção dos livros beneficia quem poderia pagar mais impostos. Para a pedagoga Vânia Santos e o funcionário público João Gomes, aficionados  pela leitura, na prática isso vai dificultar ainda mais  o acesso aos livros e, por conseguinte, à informação.

“Com o avanço da internet e dos livros virtuais, os editores já estão tendo muitas perdas, tendo que se adaptar, com dificuldade a esses novos tempos. Estamos vendo editoras e livrarias  de grande porte fecharem suas portas.  Essa situação é meio absurda, se já é difícil ter acesso aos livros, imagina eles custando mais caros”, questiona João Gomes.

“A imunidade tributária dos livros democratiza o saber, assegura a livre difusão do conhecimento. A tributação de livros não é um prejuízo apenas para o segmento editorial, mas para o Brasil como um todo. A média de leitura no Brasil é muito baixa:  4,96 livros lidos por pessoa, anualmente.  Cobrar 12% de impostos vai encarecer o produto e distanciar ainda mais os livros da população. Lembrando que em um país onde o acesso à educação, à informação já é quase impossível para alguns, é somar um mais um e saber a tragédia que viveremos”, afirmou Vânia Santos.

A tributação sobre os livros também mereceu crítica de entidades representativas do setor. Em um manifesto chamado Em Defesa do Livro, as entidades reconhecem a necessidade da reforma e da simplificação tributária no Brasil, mas apontam que “não será com a elevação do preço dos livros — inevitável diante da tributação inexistente até hoje — que se resolverá a questão”.

O documento ressalta ainda que “qualquer aumento no custo, por menor que seja, afeta o consumo e, em consequência, os investimentos em novos títulos. A imunidade é uma forma de encorajar a leitura e promover os benefícios de uma educação de longo prazo”. Assinam o manifesto entidades como a Associação Brasileira de Editores e Produtores de Conteúdo e Tecnologia Educacional (Abrelivros), a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), entre outras.

ORIGEM DO DIA

A criação do Dia nacional do livro faz referência à data de fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Ela foi fundada em 29 de outubro de 1810 pela Coroa Portuguesa. Na época, foi trazido para o local um grande acervo da Real Biblioteca Portuguesa. O primeiro livro editado no Brasil foi a obra de Tomás Antônio Gonzaga Marília de Dirceu, em 1808. Hoje, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro é a maior da América Latina e está entre as dez maiores do mundo.

Vale lembrar que o Brasil começou a editar seus próprios livros ainda em 1808, quando D. João VI fundou a Imprensa Régia. O primeiro livro a ser editado foi “Marília de Dirceu”, do escritor Tomás Antônio Gonzaga.

Os aficionados por livros ainda celebram anualmente o Dia Internacional do Livro, em 23 de abril, que surgiu na região da Catalunha, na Espanha, em homenagem ao escritor Miguel de Cervantes. E no Brasil, ainda há o dia 18 de abril dedicado ao livro infantil.

OS MAIS VENDIDOS NO MUNDO

A Bíblia é considerada o livro mais vendido no mundo, com mais de 5 bilhões de cópias vendidas e tradução para cerca de 3 mil idiomas.

O livro Dom Quixote (1612) é um clássico da literatura espanhola escrito por Miguel de Cervantes e vendeu mais de 500 milhões exemplares.

Para quem quer se aventurar em muitas histórias de um personagem leia Harry Potter, escrito por J.K. Rowling. A saga possui 7 livros e o primeiro da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), esta na lista dos mais vendidos.

Um clássico infantil que encanta gerações e uma das obras mais traduzidas é O Pequeno Príncipe (1943) de Antoine de Saint-Exupéry. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas ” é uma das frases mais conhecidas do livro.

Presidente da Academia Alagoana de Letras fala da importância e do futuro dos livros

Com mais de um século de vida a Academia Alagoana de Letras (ALL) é mais importante guardiã da literatura alagoana. Não é exagero afirmar que seu papel tem grande relevância  na vida de escritores e editores  que fazem a produção literária em Alagoas. Afinal, lá se vai um século salvaguardando o conhecimento que construiu  a identidade do  povo alagoano.

No dia do Nacional livro o D&A conversou com o atual presidente da instituição, Alberto Rostand Lanverly, que falou um pouco da importância da data, do papel da AAL  diante dos desafios impostos pela tecnologia  e o mundo virtual, da atual produção dos escritores alagoanos e do futuro e novos rumos  que  a literatura deve tomar em um futuro próximo.

Os livros têm como função transmitir conhecimento, enriquecer as pessoas culturalmente, divertir, relaxar e, além, de outras coisas, ser uma boa companhia. Temos visto, cada vez mais, as pessoas se afastando deles e se aproximando do mundo virtual, onde as informações rápidas e sem aprofundamento. Como presidente de uma academia de letras, como reaproximar as pessoas dos livros?

Podemos dizer que um livro é a luz do mundo. Feliz daqueles que tem por habito a leitura. Os livros são salas de aula sem paredes e sem portas, afortunados são os que conseguem produzi-los e divulgando conhecimentos e sabedoria mundo afora. Apesar da facilidade virtual existente na atualidade, quando na pratica os dicionários e enciclopédias de outrora são substituídos por ferramentas de resposta rápida como o Google, o livro nunca perderá a sua importância, pois eles são como entes queridos que merecem não somente respeito mas extremo carinho.

Por incrível que pareça, apesar da evolução tecnológica vivenciada nos dias atuais, todos os eventos que envolvem livros são extremamente frequentados e não somente por adultos, mas principalmente por crianças. Como Presidente da mais importante Casa da Cultura do Estado de Alagoas, vejo que a forma mais segura de fazer com que o afastamento das pessoas dos livros continue sendo uma realidade, é desenvolver das formas possíveis, atividades literárias que envolvam os segmentos da sociedade, qualquer que seja a classe. É salutar sentir a alegria de um jovem ao externar de forma orgulhosa que recentemente leu um livro.

Qual a importância do dia do livro? No Brasil, escritores e editores têm o que celebrar? Afinal, principalmente com as constantes ameaças do governo federal tributar livros, editar uma obra tem ficado cada vez mais difícil …

O dia do livro merece todos os aplausos, por se tratar da reverência a um instrumento que divulga o saber através dos tempos. Em Alagoas escritores e editores tem sim o que celebrar até porque o otimismo é o tempero do universo, mesmo com os abusivos tributos que pairam sobre os trabalhos literários escritos no Brasil de hoje. Mas tudo passa.

Diante desse cenário qual o papel da Academia Alagoana de Letras?

A Academia Alagoana de Letras, quer seja através de concursos ou projetos literários envolvendo a sociedade, tem mostrado nos últimos tempos de forma veemente e efusiva que a capacidade de entender o que se está lendo é a forma mais curta e segura para que atingir a independência que o ser humano busca através dos tempos.

Como está a produção alagoana, o senhor tem notícias das recentes publicações?

A produção alagoana está cada vez maior. Os autores alagoanos, se ombreiam a todos os que no Brasil pontificaram por suas obras. Eu mesmo, estou com quatro livros prontos para serem entregues à comunidade literária. A pandemia em mim fortaleceu a arte de escrever de uma forma descomunal. O Mesmo se pode dizer dos demais Acadêmicos da Casa Jorge de Lima, esse ano, dezenas de livros foram lançados virtualmente, fazendo por merecer aplausos. As notícias mostram que as gráficas e editoras estão produzindo a todo o vapor. Não restam dúvidas de que a produção literária alagoana está excelente.

Fonte: Tribuna Independente

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