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8 de abril de 2020 17:54

SBT tira apresentador Marcão do Povo do ar após comentário sobre o Covid-19

O apresentador do Primeiro Impacto sugeriu que o governo criasse um campo de concentração para colocar infectados com coronavírus

↑ Foto: Divulgação/SBT

O apresentador do jornal ‘Primeiro Impacto’, do SBT, Marcão do Povo, achou que seria útil nesta quarta-feira (8) ao dar uma “dica” para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido): criar campos de concentração para os infectados pelo novo coronavírus.

“Dá um decreto aí, põe o Exército na rua, a Marinha e a Aeronáutica e o governador que descumprir: cana! Leva pra um local adequado e põe essas pessoas pra se tratar lá, o comércio abre e todo mundo vai trabalhar normalmente”, sugeriu Marcão.

A fala do apresentador vai na esteira do discurso desaconselhável do presidente contra o isolamento das pessoas em casa. A própria emissora, inclusive, foi palco de uma de suas desastrosas declarações: no último dia 20, no ‘Programa do Ratinho’, Bolsonaro reclamou do fechamento das igrejas pelos governadores e disse que “pessoas vão morrer (…), mas não podemos criar esse clima todo que está aí, prejudica a economia”.

Em nota, o SBT disse que Marcão tem “liberdade de expressão para se manifestar”, mas reafirmou que suas opiniões “não representam as da emissora”.

Horas mais tarde, o SBT decidiu suspender o apresentador por 15 dias. A nota segue na íntegra:

Ontem, durante a exibição do programa jornalístico Primeiro Impacto, o apresentador Marcos Paulo Ribeiro de Morais, popularmente conhecido como Marcão do Povo, se utilizou do espaço em nosso jornal para expressar uma opinião de cunho pessoal que dizia respeito ao tema tão delicado que o mundo e nosso país atravessam: a COVID-19. 

Gostaríamos de esclarecer ao público, às autoridades, àqueles que estão na linha de frente ao combate incessante da pandemia e, em especial, às pessoas vitimadas, que de forma alguma a opinião expressada pelo apresentador reflete o pensamento, a atitude e o respeito que a emissora tem pelo momento atual. Temos total consciência da relevância do assunto e temos, a todo momento, nos preocupado em informar e esclarecer de forma isenta e imparcial os acontecimentos e as providências que as autoridades e todos brasileiros estão adotando para vencermos essa enorme crise de saúde já presente, e a econômica que se avizinha. 

Desta forma, sinceramente lamentamos que o apresentador tenha usado nossa plataforma de modo que contraria tão profundamente os nossos princípios. A todos que de alguma forma possam ter se ofendido ou mesmo se indignado com as opiniões pessoais do apresentador, nossas mais sinceras desculpas. Nossos profissionais de Jornalismo seguirão na dura missão de bem informar, sempre preocupados com o bem estar de todos os brasileiros.

Emissora demitiu funcionário em meio à pandemia

Também nesta quarta, pelo Twitter, um ex-funcionário do SBT contou como foi demitido sem nenhuma justificativa. Ele explicou que, após pedir para sua chefe que fizesse o seu trabalho de casa e não ser liberado, começou a sentir crises de ansiedade e ataques de pânico até pedir afastamento médico. Quando voltou ao trabalho, recebeu a notícia de sua demissão.

A emissora de Silvio Santos foi a única das abertas e não aumentar a presença do jornalismo em sua grade de programação por conta da pandemia. Pagou um preço por isso: de acordo com a jornalista Cristina Padiglione, da ‘Folha’, o SBT Brasil foi único noticiário dos principais canais abertos a perder audiência entre fevereiro e março.

O que, afinal, esses episódios significam sobre a posição do SBT na pandemia do coronavírus? Até que ponto uma emissora de TV, que necessita de uma concessão do poder público para funcionar, pode abrir espaço para o tipo de opinião como a de Marcão? Reforçar a narrativa da importância do comércio funcionar em um momento desses é o papel que um meio de comunicação de massa deve ter?

O SBT, que diminui, por gosto de seu criador, seu papel de prestador de serviços através do jornalismo, mostra-se um desserviço completo ao povo com sua programação e seus comunicadores de pouca massa (e Massa) encefálica.

Por fim, um lembrete sobre o jornalismo: “Se uma pessoa diz que chove e outra diz que não, o seu trabalho como jornalista não é dar voz a ambas: é abrir a porra da janela e ver se está chovendo”.

Fonte: Ultrapop / Bruno Pavan

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