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17 de agosto de 2019 10:46

Kareem Abdul-Jabbar critica retrato de Bruce Lee em ‘Era Uma Vez Em… Hollywood’

Atleta da NBA foi próximo do ator, chegando a aparecer no filme Jogo da Morte

↑ Kareem Abdul-Jabbar (Foto: Reprodução)

A polêmica a respeito da participação de Bruce Lee em Era Uma Vez Em… Hollywood continua. Shannon Lee, filha do ator, teceu críticas à forma como o novo filme de Quentin Tarantino retratou seu pai, afirmando que na produção “ele parece um idiota arrogante e cheio de exibicionismo”. O diretor, por sua vez, se defendeu afirmando que se baseou em relatos de pessoas próximas a Lee para criar sua versão, interpretada no longa por Mike Moh.

Agora foi a vez de Kareem Abdul-Jabbar, ex-astro da NBA, sair em defesa da memória de Bruce Lee. O atleta, que foi amigo e chegou a contracenar com o ator em Jogo da Morte, afirmou em sua coluna no THR que embora Tarantino tenha o direito de representá-lo da forma que quisesse, falhou em sua abordagem, a qual chamou de “desleixada e racista”:

“É claro, Tarantino tem o direito artístico de retratar Bruce da forma que quiser. Mas ao fazer de uma forma tão desleixada e de certa forma racista, é uma falha tanto como artista como ser humano. (…) Assisto a cada filme de Tarantino como se fosse um evento, sabendo que sua releitura de filmes de ação dos anos 1960 e 1970 serão muito mais divertidas do que uma simples homenagem. É isso o que torna as cenas de Bruce Lee tão decepcionantes, nem tanto pela base fatual, mas pela falta de consciência cultural.”

Jabar relembrou a frustração do ator em relação à forma como o cinema retratava asiáticos:

“Bruce Lee foi meu amigo e professor. Isso não dá a ele um passe livre sobre como é retratado nos filmes. Mas me dá algum conhecimento sobre o homem. (…) Durante nossos anos de amizade, ele falava de forma passional sobre quão frustrado estava com a representação estereotipada de asiáticos no cinema e na TV. Os únicos papeis eram vilões inescrupulosos ou serventes.”

Bruce Lee aparece em Era Uma Vez em… Hollywood em uma cena em que Cliff Booth, personagem interpretado por Brad Pitt, o provoca até o ator desafiá-lo para uma luta. De acordo com Jabar, o embate reforça a imagem perigosa que Lee combateu durante sua carreira:

“Bruce estava dedicado a mudar a imagem desdenhosa de asiáticos através de sua atuação, escrita e promoção do Jeet Kune Do, sua interpretação das artes marciais. É isso o que me incomoda por Tarantino ter escolhido retratar Bruce de uma forma tão unidimensional. A atitude de machão de Cliff (Brad Pitt) estilo John Wayne, um dublê mais velho que derrota esse chinês arrogante ecoa os vários estereótipos que Bruce estava tentando desmontar. É claro que o galã americano branco e loiro pode bater no seu carinha asiático chique porque essa merda estrangeira não manda aqui.”

O atleta ainda relembrou episódios em que Bruce Lee foi desafiado na vida real e sua resposta era diferente da mostrada no filme de Tarantino:

“Estive com Bruce várias vezes quando algum babaca aleatório chegava desafiando-o para uma luta em bom som. Ele sempre recusava educadamente e seguia em frente. A primeira regra do clube da luta do Bruce era não lutar – a menos que não houvesse outra opção. Ele não sentia necessidade de se provar.”

Fonte: Omelete / Gabriel Ávila

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