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18 de março de 2019 11:08

Novelas da Globo ficam mais curtas para acompanhar sucesso de séries

Seguindo o movimento da audiência, a emissora reduz tamanho de folhetins e investe em novos formatos

↑ Foto: Divulgação

AssédioIlha de Ferro e a recente Shippados são alguns dos produtos pensados exclusivamente para o aplicativo de streaming Globoplay. No elenco, nomes como Bárbara Paz, Antonio Calloni, Cauã Reymond e Tatá Werneck. Isso prova o peso que das novas práticas de consumo dentro do grupo Globo. A força é tanta que mesmo as tradicionais novelas estão mudando.

As aproximações da emissora com o público mais novo podem ser notadas, a incorporação multimidiática da turma do Choque de Cultura e a presença de youtubers nos folhetins indicavam isso. Agora, outro passo decisivo está sendo tomado: sob comando de Silvio de Abreu (Belíssima, A Próxima Vítima e Rainha da Sucata), o núcleo de teledramaturgia limitou as novelas a 150 capítulos.

Para se ter uma ideia, produções como Por Amor, de Manoel Carlos, tiveram 190 episódios. Exibida em 1997, o folhetim nem mesmo sonhava em competir com a invasão dos seriados estrangeiros, que criaram na audiência o costume de assistir tramas mais curtas distribuídas em temporadas.

“À medida que a circulação e a distribuição passaram a oferecer alternativas de acesso e recepção, o público foi diversificando a maneira de assistir. Então toda a indústria de dramaturgia que estava ancorada no modelo generalista e linear viu o bolo ser divido com outros modelos de serialização”, explica o analisa Alexandre Kieling, pesquisador em audiovisual da Universidade de Católica de Brasília (UCB).

As produções globais de maior repercussão nos últimos anos são seriados, mostrando que, mesmo dentro da crítica, a “serialização” encontra maior respaldo. Com 64 episódios – menos da metade do que consta na nova diretriz para novelas –, Verdades Secretas (2015) foi sucesso de público e faturou o Emmy Internacional. Na mesma premiação, em 2012, Fernanda Montenegro foi condecorada como melhor atriz por Doce de Mãe.

Novidade em breve
A próxima atração das 18h, Órfãos da Terra, com estreia marcada para 2 de abril, já vai se adequar às novas diretrizes. “É fundamental que as novelas sejam mais curtas. Hoje em dia, ninguém tem mais tempo de parar tudo e assistir a 200 capítulos. Aliás, a maneira de vermos esses programas mudou, passa no celular, no tablet, no computador, no táxi. É muito difícil encontrarmos quem acompanhe uma atração no dia a dia”, opina Duda Rachid, uma das autoras do folhetim.

O pesquisador brasiliense corrobora essa visão. “A cada dia, o consumo será mais customizado e a audiência massiva vai se fragmentar em recepção por dispositivos fixos ou móveis em temporalidades de consumo distintas”, pondera. “Quem quiser continuar no jogo tem de trabalhar com convergência, múltiplas plataformas, conteúdos transmídia e interação com o público”, completa Kieling.

Até mesmo entre os atores, a proposta encontra boa aceitação. Ciente da rotina extenuante de gravações, Herson Capri aprova a nova política da emissora. “Encurtar as novelas é um caminho bom, porque chega uma hora em que se estica tanto a história que nenhum autor consegue manter a qualidade. Produzimos [o equivalente a] três longas-metragens. É muita coisa”, conta.

Para o experiente Osmar Prado, a mudança atende a mudanças no mercado audiovisual do mundo inteiro. “Nos primórdios, nas primeiras novelas, havia mais tempo para assisti-las. Hoje, é tudo mais rápido. O sucesso maior atualmente nem são as telenovelas, são as minisséries, que duram uma semana e, muitas vezes, têm três, quatro capítulos”, analisa.

Concorrência
Se antes a liderança da Globo na teledramaturgia era quase incontestável – com pequenas ameaças vindas da Record TV –, no mundo de séries, a situação é bem diferente. A Netflix, maior serviço do gênero no mundo, tem investido pesado no mercado nacional.

As já lançadas 3%O Mecanismo e Samantha! são algumas amostras da força do canal. Além dessas, o streaming planeja novas atrações, como O EscolhidoCoisa Mais Linda, Cidades Invisíveis, Sintonia, Ninguém Tá Olhando, A Facção e Spectros.

Assim, o Brasil passa a ser o terceiro país com o maior número de produções originais no serviço de streaming – e o primeiro de língua não inglesa.

Fonte: Metrópoles / Luiz Prisco/Marcelo Nobre/Marcos Maynart

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