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Leonard Cohen: entenda o legado de um astro da música e da literatura
Cantor morreu na noite de quinta-feira (10)
Leonard Cohen foi um dos compositores mais admirados da história. Assim como Bob Dylan, conseguiu unir música e poesia, com reconhecida maestria e sucesso nas duas áreas.
A morte dele na noite desta quinta-feira (10), coloca fim a uma carreira de cinco décadas, 14 discos de estúdio, 13 livros e uma incalculável influência na cultura pop.
Reservado, Cohen construiu sua imagem mítica com versos que abordavam espiritualidade, romance e a tragédia.
Ao lançar o mais recente CD You Want It Darker, ele inclusive deixou claro que, assim como na sua obra, conseguia ter também domínio da vida e anunciava logo na primeira música do álbum que estava pronto para morrer.
Em uma entrevista coletiva sobre o trabalho, o cantor alegou ter exagerado nessa afirmação. Claro que, na sequência, a mídia especulou sobre o estado de saúde do cantor, sem chegar à nenhuma conclusão. Pouco tempo depois, ele nos deixou aos 82 anos de maneira discreta. E, assim como Bowie, morto no início do ano, presenteando os fãs com um belo álbum inédito.
Em oito décadas de vida, ele atingiu o sucesso sem se render a fórmulas fáceis no momento de compor. Suzanne, First I Take Manhattan e principalmente Hallelujah comprovam isso. A versatilidade de Cohen permitia que ele fosse da declamação sobre uma base ao hino espiritual de estádio.
Aliás, Hallelujah, maior sucesso do compositor, se tornou tão conhecida em nível mundial que alçou o canadense a um status de astro pop tardio — posição que ele desfrutou incialmente como escritor.
Nas duas últimas décadas, após Jeff Buckley regravar Hallelujah, o cantor foi redescoberto por uma nova geração de fãs, fenômeno que criou demanda para ele cair na estrada com longas turnês mundiais, mesmo já tendo superado os 60 anos de idade.
Sempre apontado como merecedor de um Nobel de Literatura, para alguns especialistas Cohen deveria ter sido escolhido este ano no lugar de Dylan, que ganhou o prêmio, mas ainda não aceitou.
Sobre o assunto, o canadense teve a oportunidade para falar sobre o amigo americano e fez a ressalva de que Dylan é tão grande que essa homenagem poderia ser comparada à insignificância de colocar uma medalha no Monte Everest.
Para conhecer melhor a evolução do músico em cinco décadas de atuação, recomenda-se ouvir Songs Of Leonard Cohen (1967), Death of a Ladies' Man (1977) I Am Your Man (1988) e a despedida do bardo, em You Want It Darker (2016).
Do folk às composições com sintetizadores, Leonard Cohen foi ao lado de Dylan o mais próximo que um astro de rock surgido no auge do movimento chegou de unir com perfeição duas inspirações artísticas: a literatura e a música.
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