Educação

Ciência produzida nas Escolas Sesi ganha espaço e aproxima estudantes da pesquisa

Projeto Cultura Científica em Movimento reuniu 28 trabalhos de alunos das Escolas Sesi e de redes municipais parceiras no Maceió Shopping

Por Comunicação Sistema Fiea 15/09/2026 19h57 - Atualizado em 15/09/2026 20h20
Ciência produzida nas Escolas Sesi ganha espaço e aproxima estudantes da pesquisa
Projeto Cultura Científica em Movimento no Maceió Shopping - Foto: Comunicação Sistema Fiea

Estudantes das Escolas Sesi Centro e Benedito Bentes e das redes municipais parceiras de Maceió e São Miguel dos Campos apresentaram, nesta terça-feira (15), no Maceió Shopping, 28 projetos desenvolvidos a partir de pesquisas realizadas na Educação Básica. Das 10h às 22h, o Projeto Cultura Científica em Movimento reuniu trabalhos em diferentes áreas do conhecimento e levou ao público protótipos, soluções e resultados de investigações conduzidas pelos próprios alunos, em uma ação de estímulo à iniciação científica e ao protagonismo estudantil.

Ao longo do dia, mães, pais, avós e outros familiares acompanharam as apresentações e puderam conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelos estudantes. Para muitos deles, a experiência representou também a oportunidade de explicar suas pesquisas para um público amplo, defender suas ideias e perceber que o conhecimento produzido na escola pode dialogar com questões concretas da sociedade.

A iniciativa reflete uma concepção de educação que se tornou uma característica das Escolas Sesi Alagoas. Por meio da iniciação científica, os estudantes têm contato com métodos científicos, ferramentas de investigação e diferentes etapas da produção do conhecimento, desde a identificação de problemas e formulação de hipóteses até a análise de resultados e elaboração de soluções.

"A iniciação científica é uma oportunidade para o estudante compreender o que é a ciência, como ela é construída e por que ela existe. Despertar esse interesse ainda na Educação Básica é fundamental para que nossos alunos desenvolvam um olhar investigativo, crítico e capaz de questionar a realidade", destaca a coordenadora de Educação Básica do Sesi Alagoas, Marseille Lessa.

Mais do que ampliar conhecimentos específicos, a educação pela pesquisa contribui para o desenvolvimento de competências científicas, habilidades técnicas, autonomia, criatividade, capacidade de análise e trabalho colaborativo. Também favorece a formação crítica e social dos estudantes, ao estimulá-los a compreender problemas de seu entorno a partir de evidências e a pensar em possibilidades de intervenção.

Diversidade de temas e aplicações

Os 15 trabalhos apresentados no Maceió Shopping abordaram temas diversos, relacionados a questões ambientais, sociais, tecnológicas e de saúde. Entre eles estavam, por exemplo, pesquisas sobre a importância das abelhas para a preservação do meio ambiente, o reconhecimento do papel dos povos originários, o desenvolvimento de próteses de baixo custo e a criação de embalagens inteligentes capazes de indicar a deterioração de alimentos.

Na Escola Municipal Luzinete Lindalva Jatobá, de São Miguel dos Campos, o trio Adrya da Silva Macário, Ruan Guilherme de Souza Silva e Maxsuel dos Santos Neves desenvolveu um protótipo de prótese robótica de baixo custo que, integrada à inteligência artificial, auxilia a movimentação dos membros superiores. A proposta surgiu a partir de uma experiência de Adrya com uma luva que possuía algumas funções, e ganhou forma durante as aulas de robótica. "A gente quis ajudar as pessoas que não têm mãos ou dedos.

Pensamos em uma prótese de baixo custo, porque hoje em dia próteses custam a partir de R$ 500 mil, R$ 200 mil, que é um valor exorbitante, no Brasil. Então eu e meus amigos pensamos nisso com o intuito de ser algo sustentável, de baixo custo, para que não seja tão caro para as pessoas", explicou o estudante.

Na Escola Sesi Benedito Bentes, Rebeca Omena da Silva apresentou o Bio-Sense, projeto desenvolvido a partir da pesquisa sobre materiais naturais e sua aplicação em uma solução para a conservação e identificação da condição dos alimentos. A estudante conta que a participação na mostra ampliou sua percepção sobre as possibilidades da pesquisa científica. "Antes de entrar no Sesi, nunca tinha imaginado participar de uma feira assim ou apresentar meu projeto num shopping, para tanta gente. Então, para mim, é uma coisa incrível mostrar o que eu desenvolvi durante esses meses, minha pesquisa, meu processo", afirma.

Segundo Rebeca, a pesquisa também permitiu compreender melhor problemas ambientais relacionados aos materiais que utilizamos no cotidiano. "Eu acredito que nosso projeto não é só sobre resolver um problema, mas também sobre expor aquele problema", diz.

Na Escola Sesi Centro, Bianca Gouveia Nascimento Costa, Gabrielly Santos Amorim e Júlia Mariah Siqueira Lima investigaram a representação dos povos indígenas nos materiais didáticos, propondo formas de ampliar o conhecimento sobre essas populações e combater estereótipos. "Nosso tema é de grande importância, principalmente pelos grandes preconceitos que existem hoje em relação aos povos originários, aos indígenas. A gente queria trazer essa conscientização para as pessoas da nossa escola para, assim, de pouquinho em pouquinho, levar para o mundo", conta Bianca.

Júlia destaca a dimensão social do trabalho. "Um dos nossos objetivos é desfazer o estereótipo que a gente tem dos povos indígenas. A nossa ideia é trazer essa conscientização para os alunos porque eles vão levá-las para a sociedade."

A participação em projetos dessa natureza dá continuidade a uma trajetória construída pelo Sesi Alagoas na disseminação da cultura científica entre seus estudantes. Ao longo dos anos, alunos da instituição já participaram de mostras e feiras nacionais de ciência e engenharia e de programas de iniciação científica, incluindo o PIBIC Jr. Sesi/Senai, desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).

Ao colocar esses trabalhos em contato com a sociedade, o Cultura Científica em Movimento reforça a importância de iniciar ainda na Educação Básica a formação de jovens capazes de investigar, analisar informações, desenvolver soluções e tomar decisões fundamentadas. Em Alagoas, esse processo ganha relevância adicional por contribuir para a formação de uma nova geração preparada para atuar em um cenário no qual ciência, tecnologia e inovação têm um papel cada vez mais decisivo no desenvolvimento social e econômico.