Educação
Escola Estadual Correia Titara transforma realidade educacional em Marechal Deodoro
Nova sede da unidade de ensino se tornou referência para mais de 1.200 estudantes do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
A transferência da Escola Estadual José da Silva Correia Titara de Maceió para o povoado de Massagueira, em Marechal Deodoro, completou seis anos consolidando o acesso ao ensino médio na Região dos Canais - que, além da própria Massagueira compreende os povoados da Barra Nova e da Santa Rita.
Inaugurada em 09 de março de 2020, a nova sede da unidade resolveu uma demanda histórica dos moradores locais e garantiu a continuidade das atividades da instituição, cujo prédio original precisou ser desocupado.
A história da unidade carrega consigo um legado para a Educação de Alagoas. Originalmente localizada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa), em Maceió, foi, por décadas, uma instituição de referência na oferta do Curso Normal (o antigo Magistério), formando gerações de educadores. No entanto, devido a problemas estruturais e geológicos causados pelas atividades de mineração no bairro do Pinheiro, o antigo prédio foi desocupado e a escola foi relocada para o município de Marechal Deodoro.
Naquele ano, o povoado da Massagueira, polo gastronômico e turístico do estado, já era muito populoso. No entanto, os jovens locais não tinham uma escola de ensino médio próxima às suas casas e precisavam se deslocar para o centro de Marechal Deodoro, percorrendo uma distância de 15 km em um ônibus escolar.
Hoje, integrada à 1ª Gerência Especial de Educação (GEE), a escola oferece à comunidade um espaço com 12 salas de aula climatizadas, ginásio poliesportivo, campo society, laboratórios de informática, biologia, física e química, além de auditório e biblioteca.
O impacto real
O que define o Titara são os resultados na vida de quem passou por lá. Steffane Santos, que cursou o ensino médio na instituição entre 2021 e 2023, é hoje aluna do 4º período do curso de Matemática na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Moradora do bairro desde os 11 anos, ela lembra o sufoco que passava antes da inauguração, dependendo de ônibus escolares para chegar ao Centro de Marechal. A chegada da nova sede abriu portas que ela nem sabia que existiam.
"A escola é essencial para o jovem ter a perspectiva de que pode conquistar as coisas. Até então, eu nem sabia o que era uma graduação, uma licenciatura, o Sisu [Sistema de Seleção Unificada] ou o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil]. Foram os professores que trouxeram essas informações e nos ajudaram a montar um projeto de vida", conta a universitária.

O início não foi fácil. Em 2021, auge da pandemia da Covid-19, as aulas eram híbridas, e o uso de máscaras abafava o ambiente, impedindo que a turma aproveitasse os laboratórios de primeira. A virada veio a partir de 2022, com o retorno presencial e o incentivo diário de professoras como Dafne (Matemática), Tiel e Lucilene Rodrigues. A paixão por lecionar nasceu ali, quando ela participou do conselho escolar e conheceu os bastidores da Educação.
"A escola era a nossa segunda casa, a gente virou uma família de verdade. Se não fossem aqueles professores, talvez eu não estivesse na Ufal hoje. Carrego o Titara no coração como um lugar de transformação real", destaca Steffane.
Estratégias práticas
Atualmente comandada pela gestora geral Lucilene Rodrigues da Silva, a escola atende 514 alunos matriculados nos três turnos. O forte da unidade é o ensino médio integral, que funciona em jornada de 9 horas diárias para 405 estudantes. Lá, eles saem com o diploma regular e a formação técnica em Contabilidade, Administração ou Informática. No turno da noite, a unidade atende mais 109 alunos na EJA [Modular.
Para evitar que os estudantes desistam no meio do caminho, a equipe criou duas estratégias práticas de monitoramento.
A primeira é o Monitoramento de Permanência 48h. O sistema funciona de forma direta: se o aluno do Integral ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA) faltar dois dias seguidos sem justificativa, o professor mentor ou mediador liga imediatamente para os pais ou para o próprio estudante. A ação rápida conseguiu reverter um grande volume de abandonos ao longo do semestre.
A outra frente é o Acolhimento Noturno na EJA. Como a maioria dos 109 alunos da noite trabalha, a escola adotou uma recepção humanizada e flexibilidade controlada na pauta. Isso estabilizou a frequência dos trabalhadores que antes largavam os estudos por causa dos atrasos no emprego ou no transporte.
Para a gestora adjunta, Chrisnia Costa, que iniciou sua trajetória na escola como professora, ver histórias como essa se multiplicarem é o combustível do trabalho pedagógico. "Nosso maior orgulho é o profundo senso de pertencimento e o desenvolvimento que floresceu depois de tempos tão duros. Ver hoje a escola viva, pulsando, com os alunos ocupando e cuidando do espaço como se fosse a extensão de suas casas, é emocionante", ressalta.
Para a gerente da 1ª GEE, Márcia Malafaia, a consolidação da estrutura vai além dos números de matrículas e se reflete no bem estar social de toda a região. "A mudança das instalações trouxe inúmeros benefícios, sobretudo para a comunidade estudantil de Marechal Deodoro. Além da Massagueira e Região dos Canais, a escola atende aos povoados como Jiboia e Riacho Velho. Com estrutura moderna, proporciona aos estudantes conforto e condições adequadas para o processo de ensino-aprendizagem", conclui Márcia.
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