Interior

Agroecologia Quilombola: saberes ancestrais e universidade em diálogo

Projeto de extensão promove oficinas teóricas e práticas em Santana do Mundaú, fortalecendo territórios quilombolas e a luta por soberania alimentar

Por Tribuna Hoje com Assessoria 14/05/2026 22h46 - Atualizado em 15/05/2026 01h46
Agroecologia Quilombola: saberes ancestrais e universidade em diálogo
Aulas práticas ocorreram na comunidade quilombola de Jussarinha, em Santana do Mundaú - Foto: Assessoria

O Curso de Geografia da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) – Campus V, em articulação com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) Aqualtune, o Instituto Irmãos Quilombolas e lideranças das comunidades tradicionais, deu início ao projeto de extensão “Agroecologia Quilombola”, que une formação acadêmica, valorização dos saberes ancestrais e fortalecimento das comunidades quilombolas de Alagoas.

A iniciativa, planejada coletivamente pelos professores Dr. Antônio Marcos Pontes de Moura e Dra. Adriana Rocely Viana da Rocha, atende a uma demanda apresentada pela presidente do Instituto Irmãos Quilombolas, em Santana do Mundaú. O projeto reúne estudantes, quilombolas, movimento negro e o coletivo feminino As Dandaras, criando espaços de diálogo entre universidade e território.

As atividades estão organizadas em duas oficinas:

Oficina 1 — “Noções Gerais sobre Agroecologia Quilombola” (ocorrida em 6 e 7 de maio)

Oficina 2 — “Sistemas Agroflorestais” (acontecerão de 19 a 21 de maio)

Nos primeiros dias, os encontros acontecem na Uneal – Campus V, em União dos Palmares, com debates e formação teórica. Já as práticas são realizadas na comunidade quilombola de Jussarinha, em Santana do Mundaú, sob orientação do professor Tiago da Silva, agroecólogo e quilombola da comunidade de Cajá dos Negros, em Batalha.

Os temas abordados incluem agroecologia quilombola, ancestralidade africana, preservação ambiental, sistemas agroflorestais, soberania alimentar, manejo sustentável e fortalecimento dos territórios.

A culminância será no dia 21 de maio, com o Primeiro Encontro das Mulheres Quilombolas e Movimento Negro sobre Agroecologia, reunindo autoridades, lideranças comunitárias e representantes da Uneal em um momento de celebração, diálogo político e afirmação dos direitos das comunidades quilombolas.

O projeto também fortalece a curricularização da extensão no Curso de Geografia, permitindo que estudantes vivenciem práticas formativas conectadas às realidades locais. Para o coletivo Dandaras e o Instituto Irmãos Quilombolas, o sonho é que a Uneal crie um curso de graduação em Agroecologia Quilombola, garantindo a permanência da juventude em seus territórios e combatendo a saída forçada em busca de trabalho precário.

Como afirmam as Dandaras: “Nada para quilombolas sem participação de quilombolas.”