Educação
Escola pública: metodologia bilíngue implantada em AL é reconhecida como prática inovadora
Desenvolvida por alagoanas, Systemic Bilingual reúne cases nas redes pública e privada
Uma metodologia de ensino desenvolvida pelas educadoras alagoanas Vanessa Tenório e Fátima Tenório aplicada em escolas públicas de Maceió, Pilar e outros municípios do Brasil conquistou reconhecimento nacional durante a Bett Brasil, maior evento de inovação e tecnologia voltado à educação da América Latina. A Systemic Bilingual foi destacada como prática inovadora pela proposta de ampliar o acesso ao ensino de um segundo idioma na rede pública.
Durante a programação realizada no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), entre 5 e 8 de maio, os resultados da iniciativa foram apresentados em painel conduzido pela CEO e fundadora do programa. Na ocasião, também foi lançado o Manual para Implantação de Educação Bilíngue em Municípios em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Pilar.
Vanessa conduziu o painel “Educação Bilíngue Pública no Brasil: um modelo possível, escalável e comprovado” e defendeu que a expansão do ensino de língua estrangeira na rede pública depende de decisões políticas consistentes e articuladas entre diferentes esferas de governo. Ela apresentou a experiência da metodologia criada há 25 anos, inicialmente aplicada em escolas privadas e que atualmente também integra unidades públicas de ensino.
O projeto já apresenta avanços em diferentes regiões do país. A iniciativa começou em Pilar (AL), município pioneiro na implantação da primeira escola pública bilíngue do Norte e Nordeste, e atualmente alcança outras cidades alagoanas, incluindo Maceió, além de estados como Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Santa Catarina.
Mestre em Educação e especialista em Neurociência, Vanessa ressaltou que ampliar o acesso ao aprendizado de outro idioma na rede pública exige mais do que materiais didáticos. “Se dependesse apenas de material, o Brasil já seria 100% bilíngue, mas hoje temos cerca de 3% da população que fala inglês. É fundamental haver interesse político, recursos, integração entre os três poderes e condições reais de implementação, especialmente em escolas de tempo integral”, afirmou.
Reconhecimento nacional
Durante o evento, a Systemic Bilingual foi reconhecida como prática inovadora em educação na primeira edição de uma sessão especial de valorização promovida pela Bett Brasil. A premiação destacou experiências públicas consideradas referência em inovação educacional e capazes de inspirar soluções em diferentes regiões do país. O reconhecimento levou em consideração os cases desenvolvidos no município do Pilar e em unidades do programa Gigantinhos Bilíngue, em Maceió.
O impacto da iniciativa também é tema de estudo acadêmico conduzido por Gabriela Lotta, professora e pesquisadora de políticas públicas da Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa analisa os fatores que contribuíram para a transformação educacional em Pilar, e o resultado será publicado em livro. Gabriela participou do painel ao lado do secretário de Educação do Pilar, Clewinho Cavalcante, e da deputada estadual Fátima Canuto, autora de emendas parlamentares que contribuíram para a construção da unidade bilíngue.
Ensinar é o mesmo que aprender?
Além do debate sobre educação bilíngue, Vanessa Tenório também abordou desafios estruturais do ensino brasileiro. Em outra palestra da programação, ela discutiu a chamada “crise silenciosa da educação”, marcada pela diferença entre escolarização e aprendizagem real. Segundo a especialista, embora os alunos obtenham diplomas, muitos não desenvolvem competências devido a um modelo tradicional baseado na memorização e na transmissão de conteúdo.
“O maior desafio da educação contemporânea é garantir que cada aluno saia da sala de aula maior do que entrou”, pontuou ao defender mudanças no modelo pedagógico e na formação dos professores.
Sobre a Systemic Bilingual
A Systemic Bilingual atende atualmente estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e se diferencia por ir além das aulas tradicionais de inglês. O programa prevê 15 horas semanais em regime de tempo integral, com abordagem interdisciplinar. Nesse modelo, os alunos aprendem conteúdos curriculares em português em um período e revisitam os mesmos temas em inglês em outro, promovendo uma imersão contínua e prática no idioma.
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