Educação

UNICEF reúne profissionais de educação para discutir alfabetização e abandono escolar em Alagoas

Encontro será realizado, nesta terça (14) e quarta (15), no auditório do TCE-AL, em Maceió, com secretários, técnicos e gestores de Educação de 94 municípios alagoanos

Por Assessoria 14/04/2026 08h07
UNICEF reúne profissionais de educação para discutir alfabetização e abandono escolar em Alagoas
Estudantes em sala de aula - Foto: Assessoria

Quase metade das crianças do 2º ano do ensino fundamental em Alagoas ainda não está alfabetizada na idade esperada. O dado do indicador Compromisso Nacional Criança Alfabetizada acende um alerta sobre os desafios da educação no estado e será um dos pontos centrais do 3º Ciclo de Formação do Selo UNICEF com foco na Educação, que será promovido, na próxima terça (14) e quarta-feira (15). Realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com a parceria técnica da Associação de Defesa da Educação, Saúde e Assistência Social (Asserte), o evento conta com a parceria da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação Alagoas (UNDIME-AL), Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) e Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).

A expectativa é de que cerca de 300 secretários, técnicos e gestores de Educação participem do encontro, que será realizado no auditório do TCE-PB, em Maceió, e vai discutir estratégias para ampliar o acesso à escola, enfrentar a exclusão e o abandono escolar, fortalecer a alfabetização e promover a recomposição das aprendizagens, além de apoiar a transição positiva da educação para o mundo do trabalho.

“O acesso à educação com qualidade e equidade é um direito fundamental de cada criança e adolescente e uma das bases para o desenvolvimento do País. Por meio do Selo UNICEF, é possível fortalecer gestores públicos para que garantam trajetórias escolares de sucesso e aprendizagens significativas, sem deixar ninguém para trás”, destaca Verônica Bezerra, coordenadora da área de Educação do UNICEF para o Nordeste. “Não basta estar na escola, é preciso garantir que cada menina e menino estejam aprendendo, na idade adequada, protegidos de violência e com perspectivas de um presente e futuro digno”, completa.

O Brasil ainda tem 993 mil crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos fora da escola, de acordo com a PNAD Contínua 2024. Pouco mais da metade (55%) são meninos; 67% são pretos, pardos ou indígenas; e cerca de 40% vivem nas famílias 20% mais pobres do país. A faixa etária mais afetada é de 15 a 17 anos, com 440 mil adolescentes fora da escola.

Em Alagoas, 94 municípios participam do Selo UNICEF edição 2025-2028. Neles, vivem mais de 677 mil crianças e adolescentes com menos de 19 anos, além de uma população de 23 mil pessoas indígenas e 37 mil quilombolas. No Estado, apenas 48% dos estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental na rede municipal estavam alfabetizados em 2024, segundo o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

Abordagem étnico-racial na educação

A programação dos encontros inclui oficinas práticas voltadas à implementação das atividades nos municípios. Os participantes serão convidados a analisar situações reais e construir soluções coletivas relacionadas aos desafios educacionais locais, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento da atuação intersetorial.

A programação das capacitações inclui discussões sobre abordagem étnico-racial nas políticas públicas municipais, tema que acompanha todo o percurso metodológico desta edição do Selo UNICEF. A proposta do UNICEF é fortalecer os esforços para que as políticas públicas alcancem as crianças indígenas e quilombolas nos municípios da Amazônia e do Semiárido Brasileiro, promovendo gestões municipais inclusivas e antirracistas e garantindo os direitos destes grupos.

A raça/cor ainda é um dos principais indicadores de exclusão escolar no Brasil. “De cada três meninas e meninos que estão fora da escola, dois são pretos, pardos ou indígenas, o que reforça a necessidade de políticas públicas que enfrentem desigualdades de forma estruturada e intersetorial”, ressalta Verônica Bezerra.

As formações

As ações de educação no Selo UNICEF são organizadas em três grandes frentes: acesso à educação, aprendizagem de qualidade com equidade e transição positiva da educação para o trabalho. O progresso dos municípios é monitorado por indicadores nacionais, incluindo o percentual de estudantes da rede pública que abandonaram a escola no ensino fundamental e o percentual de crianças do segundo ano da rede municipal alfabetizadas. Os encontros contam com a participação de especialistas do UNICEF e parceiros implementadores do Selo UNICEF nos estados, que apoiam tecnicamente os municípios ao longo de todo o ciclo do programa, até a certificação final em 2028.Sobre o Selo UNICEFO Selo UNICEF é uma das maiores iniciativas de fortalecimento de políticas públicas do País. Na última edição (2021-2024), 933 municípios dos 2.023 que foram mobilizados pelo programa receberam a certificação. Isso representa a melhoria de indicadores-chave relacionados à infância e adolescência nestas localidades, como imunização, permanência de crianças na escola e prevenção de violências.

A edição atual, que segue até 2028, já atingiu número recorde de adesões, com 2.277 cidades de 18 estados participando: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais (apenas cidades do norte do estado), Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. A iniciativa reconhece o esforço dos municípios na promoção, realização e garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

Para o Selo UNICEF, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Equatorial Energia, Grupo Profarma e XBRI Pneus, com a parceria de RD Saúde e parceria institucional do Consórcio Nordeste, Consórcio Amazônia Legal e ATRICON.

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil. O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.