Educação

Daqui pro Mundo leva 150 estudantes alagoanos a intercâmbio este ano

Programa de intercâmbio bilíngue consolida maior política educacional da história de Alagoas

Por Kaique Pacheco / Ascom Seduc 12/04/2026 14h36 - Atualizado em 12/04/2026 15h45
Daqui pro Mundo leva 150 estudantes alagoanos a intercâmbio este ano
Estudantes viveram experiências que marcaram suas vidas - Foto: Agência Alagoas

Às vésperas da sua terceira edição, o programa Daqui pro Mundo se consolidou, em 2026, como a maior política de intercâmbio da história do estado, saltando de 50 pioneiros em 2024 para 150 sonhos embarcados nesta edição.

Nesta reportagem especial, será contada a história dos estudantes Sara, João Gabriel, Daielly e Stella e do professor Simon, que, em 2025, participaram da imersão no Centre of English Studies (CES) na cidade de Worthing, conhecida pela sua arquitetura georgiana e por ter servido de inspiração para que o escritor irlandês Oscar Wilde escrevesse sua obra mais famosa: “O Retrato de Dorian Gray”.

A experiência permitiu que o sotaque das Alagoas se misturasse à gramática britânica de forma orgânica. A escola, reconhecida pelo acolhimento, transformou-se em um ponto de encontro de nacionalidades onde a língua inglesa deixou de ser uma matéria escolar para virar ferramenta de conexão com o mundo.

Decisões definem destinos

Sara Ribeiro tem 18 anos e é aluna da Escola Estadual Almeida Cavalcanti, em Palmeira dos Índios. Menina tranquila, apaixonada por Sociologia, História e pelas tramas de Harry Potter, ela viu em Worthing não apenas um lugar para estudar, mas um espaço para entender o comportamento humano, seu grande sonho de futura psicóloga.

Na CES Worthing, ela se surpreendeu com o calor do acolhimento. "A escola é incrível e bem aconchegante, os professores são atenciosos e as aulas são, na maioria, divertidas e de fácil entendimento", destaca a estudante. Para ela, o intercâmbio foi um exercício de liberdade. Enquanto caminhava pelas ruas históricas de Worthing, ela não via apenas prédios antigos, mas capítulos da história que estudava nos livros em Alagoas.

Esse olhar atento faz dela uma jovem que não apenas passou pela Inglaterra, mas que deixou a Inglaterra passar por dentro dela, consolidando sua vontade de conhecer ainda mais países.

Que eu mude o mundo

Natural de Branquinha, João Gabriel Gomes tem 18 anos e estuda na Escola Estadual Juvenal Lopes Ferreira de Omena. Para ele, que é fascinado por cálculos e pela forma como a Física descreve o universo, o intercâmbio foi uma imersão em uma nova constante, a comunicação global.

Estudar na CES Worthing foi desafiador e gratificante. João conta que o método de ensino focava muito na conversação e na integração. "Eles buscavam muito nos separar das pessoas do mesmo idioma, para interagirmos mais e nos aprofundarmos na comunicação", explica o jovem, que logo percebeu que o aprendizado acontece no detalhe e na convivência diária com o grupo.

João Gabriel é o tipo de estudante que acredita que o conhecimento deve ser uma ferramenta de transformação, sem apagar a própria essência. Ele destaca que "não faz sentido se preocupar com medo ou insegurança", pois a competência da equipe garante que a única preocupação seja absorver cada momento dessa experiência extraordinária de intercâmbio cultural.

Comparação destrói personalidade

Daielly Santos, 17 anos, veio da Escola Estadual Professor Pedro de França Reis, em Arapiraca. Ela conta que fez a inscrição com medo, estudou com medo e viu o Big Ben com medo. Em Worthing, ela descobriu que o medo é apenas um detalhe. "Acho que foi por isso que eu comecei a ficar bem mais confortável com o meu inglês abrasileirado e aceitei que não preciso ter medo de errar as palavras", revela a estudante.

A convivência em Worthing foi recheada de afeto. Daielly recorda com carinho das histórias contadas pelos professores e das amizades que começaram ainda no aeroporto de Maceió. Ela voltou para Arapiraca com a mente aberta, sem querer se prender a uma única profissão.

Sua maior dica para quem vai agora é não deixar a preguiça vencer. "Aproveite tudo da sua cidade. Mesmo que um dia você acorde com preguiça, ainda assim, saia e vá aproveitar", incentiva a jovem arapiraquense.

Acredite que você é capaz

Stella Mirtes Gregório tem 17 anos e é aluna da Escola Estadual Professor Pedro Reys, em Igreja Nova. Apaixonada por Biologia e pelo funcionamento da vida, ela viu em Worthing um laboratório de novas experiências. Stella se encantou com o método de ensino da CES, onde rir e aprender caminhavam juntos.

"Os professores sempre buscavam se enturmar com os alunos de uma maneira engraçada e nos ensinar de uma maneira fácil", recorda.

A jovem de Igreja Nova, que sonha em cursar Psicologia Criminal, aproveitou o intercâmbio para observar as nuances culturais. "Foi algo mágico, pois tinha tantas coisas novas que eu nunca tinha visto para descobrir e explorar na cidade", conta Stella.

A jovem voltou para Alagoas com a certeza de que a educação e o respeito são as chaves para transformar o mundo. "Estudem e sejam sempre esforçados e corajosos, arrisquem-se e se entreguem a essa oportunidade única sem medo", recomenda a estudante.

A guia e a missão de cuidar

Nenhuma dessas histórias seria a mesma sem a presença de Simon Sena, o monitor responsável pelo grupo de Worthing. Formado em Letras-Inglês e mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal, Simon trouxe para a viagem não apenas seu conhecimento técnico, mas a sensibilidade. "Os alunos foram maravilhosos, responsáveis e engajados nas aulas e atividades", recorda.

Simon descreve a experiência como enriquecedora e destaca o papel da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e da escola inglesa no sucesso da viagem. Ele reconhece que "a adaptação inicial e estar longe da família" foram desafios, mas a produtividade do grupo superou as expectativas. Para ele, ver o desenvolvimento da organização e da autonomia desses jovens em apenas um mês foi a maior recompensa que sua carreira de professor poderia receber nesse período.

Simon ressalta que o programa Daqui pro Mundo é fundamental porque "democratiza um pouco mais o acesso destes estudantes ao conhecimento linguístico e de mundo". Hoje, ele retribui essa oportunidade dando aulas gratuitas para preparar novos alunos. "Eu faço votos que essa política de valorização da Educação em Alagoas se expanda e se perpetue", diz Simon.

Experiência transformadora

Sara, João, Daielly e Stella agora são os embaixadores de uma Alagoas que fala inglês e não teme fronteiras. Eles provaram que o destino de cada estudante alagoano é onde eles decidirem que seja, inclusive do outro lado do oceano.