Educação

Ações de mediação de leitura na Educação Infantil ganham destaque em Maceió

Relato de experiência apresentado no 4º Simpósio Internacional da Literatura de Berço evidencia novas formas de mediação literária com bebês

Por Ascom Semed 03/04/2026 12h54
Ações de mediação de leitura na Educação Infantil ganham destaque em Maceió
Mais do que ensinar, a proposta é criar experiências que respeitem o tempo, a autonomia e as formas singulares de cada criança se expressar - Foto: Cortesia

A leitura na primeira infância vai muito além das palavras. Ela aparece nos olhares curiosos de quem está prestes a conhecer o mundo e na forma como cada criança se aproxima de um livro. Em Maceió, esse entendimento tem orientado práticas desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), por meio do Setor de Rede de Bibliotecas.

Nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), ações de mediação de leitura têm buscado construir, desde os primeiros anos de vida, uma relação sensível e significativa entre crianças e livros. Mais do que ensinar, a proposta é criar experiências que respeitem o tempo, a autonomia e as formas singulares de cada criança se expressar.

Uma dessas experiências foi apresentada no 4º Simpósio Internacional da Literatura de Berço, que reúne pesquisadores e educadores para discutir práticas de leitura com bebês e crianças bem pequenas. O evento ocorreu em março, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), com apresentações de trabalhos e programação presencial, além de transmissão on-line.

O trabalho apresentado pela Semed, intitulado “Entre livros e gestos: interações e vínculos no primeiro encontro de mediação de leitura com crianças bem pequenas em um CMEI de Maceió”, relata uma experiência realizada com sete crianças no CMEI Professora Maria De Fátima Melo Dos Santos, no bairro do Tabuleiro do Martins.

Metodologia

A atividade partiu de elementos simples e próximos do universo infantil. Uma cantiga conhecida marcou o início do encontro, seguida pela exploração de um objeto surpresa e de um fantoche, despertando a curiosidade das crianças. Em seguida, foi apresentado o livro “O Sapo Bocarrão", de Keith Faulkner, escolhido por suas características interativas e sensoriais.

Ao longo da mediação, as crianças reagiram de formas diferentes: algumas permaneceram próximas, outras circularam pelo espaço, enquanto algumas exploraram outros livros. Longe de ser um problema, esse movimento foi entendido como parte essencial da experiência.

A coordenadora da Rede de Bibliotecas da Semed, Simone de Souza, destaca que esse tipo de prática exige uma mudança de olhar por parte dos educadores. “Quando a gente enxerga o bebê e a criança bem pequena como um sujeito potente, nós, enquanto mediadores, não temos como manter o controle. Esse controle, muitas vezes presente em uma educação mais tradicional, pressupõe que todos estejam no mesmo tempo e no mesmo ritmo”, explicou.

Segundo ela, a mediação de leitura passa a ser menos sobre conduzir e mais sobre acompanhar. “Tinha criança que saía do tapete, outras que voltavam, outras que iam olhar outros livros, e está tudo bem. Cada uma se conecta de um jeito”, disse.

Nesse processo, o papel do mediador está diretamente ligado à escuta e à presença. O olhar atento, a disponibilidade e a conexão com a criança criam um ambiente em que a leitura deixa de ser uma atividade conduzida e passa a ser uma experiência compartilhada. “Esse lugar de encontro entre mediador, livro e criança é o lugar do inédito. É algo que acontece ali, naquele momento, porque estamos lidando com uma experiência literária única”, destacou Simone.

As interações foram acompanhadas por meio de observação, registros em diário de campo e documentação pedagógica, buscando compreender os modos de participação das crianças e os sentidos produzidos nesse primeiro contato com a leitura.

Leitura na primeira infância

A experiência dialoga com um campo de estudos em expansão no Brasil, voltado à chamada Literatura de Berço, que investiga o contato inicial das crianças com a linguagem e a cultura escrita. Mais do que um método, a proposta aponta para uma mudança de perspectiva: reconhecer que a leitura começa muito antes da decodificação das palavras e que, desde cedo, as crianças constroem sentidos, vínculos e experiências próprias com os livros.

Em Maceió, esse entendimento vem sendo incorporado às políticas educacionais. Em 2025, o município consolidou uma política pública de formação leitora nas creches e escolas da rede municipal de ensino, fortalecendo ações que incentivam o contato com a literatura desde os primeiros anos de vida e ampliando o papel da leitura na Educação Infantil.