Educação
Professora da rede municipal descobre caminho para vencer a depressão com a escrita
Obra “Assoalho” levou mais de uma década para ser escrita
A 11ª Bienal do Livro foi repleta de conhecimento e descobertas de talentos no estande da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Professora da rede pública de ensino de Maceió há mais de 30 anos e diretora da Escola Municipal Dom Miguel Fenelon Câmara, Eudymar Floriano, ou Dhyym Florez, como assina suas obras, é um desses talentos. Durante o evento, ela lançou o livro “Assoalho: versos de amor e dor sobre a autoestima e o despertar", obra autobiográfica marcada por profundidade emocional, ancestralidade e renascimentos possíveis.
Escrito ao longo de mais de uma década, "Assoalho" nasceu de um momento delicado e doloroso da vida da autora. Dhyym conta que o processo começou em 2014, durante sua travessia pela depressão — um ciclo que a acompanha desde a infância. Na escrita, encontrou não apenas refúgio, mas a possibilidade de se ouvir, de se reconstruir e de transformar fragilidade em força.
“Eu precisei atravessar um pântano, um longo deserto, para percorrer caminhos de cura. Assoalho nasceu como um processo de autodescoberta, de amor próprio, de entender minhas dores e transformá-las. Hoje, percebo que a depressão a gente não combate; a gente aprende a conviver com ela através da resiliência”, afirma.
Realizar o lançamento da obra na Bienal, especialmente no estande da Semed, representou mais que um marco profissional: foi uma celebração da sua trajetória como educadora e da força de sua ancestralidade.
“Essa obra não é apenas minha; carrega as vozes e as histórias das mulheres da minha família e da minha comunidade. Lançar esse livro na Bienal, no estande da Semed, é realizar um sonho e dar visibilidade a essas vozes femininas que tantas vezes foram silenciadas”, conta.

Mais do que autora, Dhyym Florez é uma referência poderosa dentro da rede municipal: uma gestora que transforma sua própria história em arte e gesto inspirador, mostrando que a educação também floresce quando reconhece e celebra os seus.
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