Educação

24 de junho de 2021 09:02

Jovem de Matriz do Camaragibe passa em Medicina na Ufal

De origem humilde, Jônatan precisa de ajuda para custear despesa e não desistir do curso

↑  Jônatan precisa de ajuda para custeio de equipamentos para aulas práticas (Foto: Arquivo pessoal)

Jovem de Matriz de Camaragibe, Região Norte, passa no curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pede ajuda para custear despesas. Natural do município, Jônatan Caetano Santos da Silva tem 21 anos, é de origem simples e de uma família bastante humilde.

Jônatan estudou no Instituto Federal de Alagoas, (Ifal) em Maragogi, onde concluiu o Ensino médio e técnico em Agroecologia. Apesar de ter conquistado recentemente e seu maior sonho, não tem condições de custear as despesas do curso de graduação, mesmo numa universidade federal.

“Fazer medicina sempre foi seu sonho. Desde criança sempre me imaginei sendo médico, mas parecia um sonho distante. Por isso, sempre evitei dar uma resposta definitiva para as perguntas: ‘O que você quer ser quando crescer? Qual o seu sonho?’”.

Vencido o primeiro desafio, agora a realidade se apresenta diante desse jovem sonhador. Depois de ganhar um notebook novo do prefeito de Matriz de Camaragibe, Fernando Cavalcante, o jovem diz que boa parte dos seus problemas serão reduzidos. “Conseguirei estudar com mais tranquilidade. No entanto, o curso demanda muito mais que estudos. Agora no segundo período teremos diversas atividades práticas presenciais, o que é ótimo para a minha formação como futuro médico. Entretanto, para isso, são necessários recursos e materiais como jaleco, estetoscópio, esfigmomanômetro, custos com passagens, aluguel, internet, alimentação, energia e outras coisas”.

Perguntado se teve ajuda de alguém para estudar, ele releva que estudou sozinho, mas não nega a contribuição dos professores que estiveram ao longo da sua vida de estudo. Por isso mesmo sua rotina de estudos era intensa. “Dediquei-me integralmente a ela. Acredito que estudava em média 5 horas por dia. Mas acho importante ressaltar que nem sempre uma maior quantidade de horas de estudo significa uma maior aprendizagem. Existem métodos e é possível estudar por menos tempo e fixar o conteúdo por mais tempo. Para garantir a eficiência da aprendizagem eu gostava de explicar ao meu irmão mais novo o que tinha acabado de estudar. Estudos indicam que ‘ensinar alguém’ garante uma eficiência de aprendizagem acima de 90%. Deu certo comigo.”

Aí veio o Enem e foi aprovado. “Como se sabe, o curso de medicina é muito concorrido. As notas de cortes são altíssimas. Não obtive nota suficiente para entrar na primeira chamada. Mas eu não desisti. Descobri que a lista do curso de medicina ‘rodava’ muito. Então decidi deixar na lista de espera. Como o observado em anos anteriores, a lista de espera foi ‘rodando’ até que chegou ao meu nome. Entrei na terceira chamada. Às vezes vale a pena esperar um pouco mais. Algumas pessoas pensaram que estava fazendo loucura ao dispensar cursos que eu certamente entraria, como por exemplo, direito, enfermagem e odontologia. Se eu tivesse feito isso, não estaria fazendo o que sempre quis fazer. Se eu vejo que há uma chance real, eu arrisco”.

Jônatan Caetano diz que em algum momento pensou em desistir. “Eu estava decidido. Cheguei a falar com a coordenação do curso para solicitar o trancamento. Porém não é possível trancar a matrícula no primeiro período, eu teria que abandonar. Não tinha muito o que fazer, eu realmente estava considerando abandonar o curso e entrar futuramente quando tivesse mais condições. Apesar de todas as dificuldades, eu sempre tive em mente que conseguiria entrar novamente. Sempre soube do meu potencial”.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Claudio Bulgarelli e Daniele Soares

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