Educação

6 de maio de 2021 21:55

Pesquisa comprova aumento da desvalorização da educação durante a pandemia em Alagoas

Um terço dos profissionais que responderam à pesquisa afirmam possuir algum tipo de comorbidade e 20% já contraíram o novo coronavírus

↑ Consuelo Correia (Foto: Edilson Omena)

Durante a pandemia de Covid-19, que no Brasil já vitimou mais de 400 mil pessoas, as trabalhadoras e os trabalhadores em educação têm enfrentado duas frentes de batalha: o risco de contágio e as condições precárias para seguirem com seu propósito de educar, aumentando ainda mais a desvalorização profissional da categoria. Essa realidade pôde ser comprovada na Pesquisa Sinteal | Retrato das Unidades Escolares na Pandemia de Covid-19, realizada no período de 26 de março a 20 de abril deste ano, e divulgada nesta quinta-feira (6) em live no canal do sindicato no Youtube.

Para se ter ideia, um terço dos profissionais que responderam à pesquisa afirmam possuir algum tipo de comorbidade e 20% já contraíram o novo coronavírus.

Para Consuelo Correia, presidenta do Sinteal, esta pesquisa construída pelo GT – Grupo de Trabalho Educacional do sindicato “não é a fala da entidade, mas, sim, a fala dos trabalhadores e trabalhadoras da educação que transformar suas casas em escolas, com todos os sacrifícios dessa mudança: financeiros, pessoais, familiares. Isto num momento de grave pandemia, em que se cobra muito desses e dessas profissionais e se valoriza e se dá tão pouco”.

Alguns dos dados revelados pela pesquisa, e apresentados didaticamente, pelo assessor político do Sinteal e sociólogo Anderson Campos, são preocupantes e demonstram o quanto é dura a realidade dos profissionais da educação em Alagoas. Por exemplo, a maioria dos profissionais que responderam à pesquisa desconhecem protocolos de segurança sanitária. Para piorar, o Governo do Estado e as prefeituras não têm garantido os equipamentos básicos de proteção, como máscaras e tapetes sanitizantes.

Ainda de acordo com a pesquisa, 1/3 das escolas não possui lavabos acessíveis com sabão, nem sanitários com tampas e descargas. Em Maceió, 20% das escolas da rede municipal não possui água potável com regularidade. E 20% das escolas da rede estadual não possuem salas com janelas que permitam a necessária circulação de ar.

“Com esta pesquisa, estamos mostrando a dura realidade de nossas escolas, que a sociedade precisa conhecer. Os sindicatos têm esta obrigação e o Sinteal está cumprindo esse papel de esclarecimento, alerta e conscientização, do mesmo jeito que cobra dos gestores o direito à vida e à valorização humana e profissional”, comenta Consuelo Correia.

Mais desvalorização

A constante desvalorização dos profissionais da educação se acirrou durante a pandemia de covid-19. Para garantir a realização das aulas, os trabalhadores precisam arcar com os custos das transmissões on-line, com a aquisição de equipamentos e sinal de internet, por exemplo, o que gera diminuição indireta de seus salários.

Segundo a pesquisa, 90% dos professores usam o aparelho celular como equipamento para as aulas remotas. Além disso, os estudantes têm dificuldades de acesso à internet e, quando conseguem, o sinal é de baixa qualidade.

Já os trabalhadores das secretarias escolares não tiveram o direito de exercitar o trabalho de forma remota durante a pandemia.

“Esta pesquisa avança muito a nossa luta de denúncias das condições péssimas de trabalho e de funcionamento e infraestrutura das escolas. Antes, tínhamos apenas a oralidade, mas, hoje, temos a realidade expressas em números, percentuais e gráficos, que provam o que sempre denunciamos. E se a realidade é difícil assim na zona urbana, imagine na zona rural”, indaga Consuelo.

Segundo a presidenta do Sinteal, a pesquisa será imediatamente disponibilizada para a categoria e a sociedade em geral, mas também será “prontamente encaminhada” para os gestores públicos (Estado e municípios, inclusive a AMA – Associação dos Municípios de Alagoas), parlamentares e partidos políticos e a todos os órgãos de controle social – “a exemplo do Ministério Público Federal, que pressiona pelo retorno às aulas presenciais sem defender, no entanto, a vacinação dos trabalhadores da educação”, diz Consuelo.

Fonte: Assessoria

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