Educação

25 de janeiro de 2021 19:10

Segmentos da Ufal falam sobre desafios e conquistas nos 60 anos da instituição

Docentes, Técnicos e Discentes criticaram os cortes de verbas e a ''perseguição ao pensamento crítico'' imposta por Bolsonaro

↑ Ufal completa 60 anos (Foto: Edilson Omena)

Como parte da comemoração de aniversário dos 60 anos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), completados nesta segunda-feira (25), uma live com o tema ‘’Ufal 60 Anos: raízes conectadas com o futuro’’ abriu as solenidades do dia.  O evento online iniciou com alguns docentes contando a história da universidade e com o coral da Ufal cantando o Hino de Alagoas.

Em seguida, um bate papo com representantes de todos os seguimentos da universidade e os reitores eméritos foi iniciado. O atual reitor professor Josealdo Tonholo mediou o debate que teve a participação dos ex-reitores; professora Delza Gitaí, Rogério Pinheiro, Ana Deyse Dórea, Eurico Lobo e Valéria Rocha. Durante o evento através do canal oficial da Ufal no Youtube e transmitido pela Rádio Ufal, os reitores parabenizaram a universidade pelas seis décadas de contribuição da ciência, tecnologia, cultura e assistência aos alagoanos e a todo o país.

“Mesmo com a pandemia, a universidade não parou. Tivemos que nos reinventar e continuar trabalhando para levar conhecimento e continuar contribuindo coma educação. São seis décadas de luta e compromisso. A Ufal e o Hospital Universitário (HU) estão de portas abertas não só para Alagoas, mas para o Brasil, digo isso com esse exemplo de solidariedade com o manauaras nesse momento de pandemia que vieram ao nosso estado para tratar da Covid-19’’, comentou o reitor Josealdo Tonholo.

Após sua fala o reitor abriu espaço para a representante dos discentes, a estudante de ciências sociais, Ana, integrante da coordenação de Assuntos Culturais do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A estudante iniciou falando sobre os cortes e ataques que a universidade vem sofrendo. “O Governo Federal vem tentando regredir as conquistas e defasar com as universidades públicas com os cortes de verbas’’.  Além disso, ela lembrou a história de lutas de muitos nomes de guerreiros alagoanos e representatividades negras. ‘Ainda há barreiras que distanciam a universidade do povo. Temos que ter mais pluralidade e continuar lutando por uma universidade pública de qualidade para todos’’.

Reitor Josealdo Tonholo (Foto: Ascom Ufal)

Ricardo Moresi diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), representou a categoria. Ele destacou o HU como marco na história de compromisso com Alagoas. “A universidade tem uma história de sonhos e luta em defesa da ciência, da vida.  O Sintufal faz parte da história porque a categoria se dedica a fazer o melhor –Vale lembrar que o HU não é só um hospital escola, mas uma porta aberta para assistir toda a sociedade com mais de dois mil funcionários. Destaco ainda destacou a participação coletiva dos seguimentos – técnicos, docentes e discentes’’, Moresi finalizou sua fala lembrando pautas como o combate ao discurso de ódio e defesa da liberdade.

Já o professor Jailton Lira, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), lembrou a época dos anos 60. “Naquela época era o otimismo e a crença no futuro do país que nos revigorava. No entanto, sabemos que de lá para cá houve vários problemas históricos e nossa luta continuou após o Regime Militar, Ditatura, perseguição políticas até a volta da democracia – mas até então, massacrada em pleno século XXI com retrocesso por conta do Governo Bolsonaro. Exemplos das novas reformas que prejudicam os trabalhadores, e se não bastasse a pandemia que trouxe uma série de novos desafios – mudando hábitos e costumes, fazendo com quer a gente tenha uma nova maneira de enxergar o mundo e nos reinventar para trabalhar o conhecimento’’, destaca.

‘’Nossa meta é sempre buscar demanda necessária para se fazer presente enquanto instituição de ensino’’

A professora Delza Gitaí, uma das primeiras reitoras a inaugurar o processo de eleição para reitores logo após a Ditadura ressaltou a política de redemocratização na década de 80.

“A instituição busca a demanda necessária para se fazer presente enquanto instituição de pesquisa, ensino e assistência. Antes tínhamos uma Universidade oprimida e reprimida por estarmos em início de uma política de redemocratização, mas mesmo assim, para o período era época rica – o DCE estava se rearticulando junto a UNE [União Nacional dos Estudantes] e a gente assumimos um papel – saímos do casulo, deu início a expansão para buscar e receber a demanda da sociedade. E também criamos os núcleos temáticos, institutos e centros. Durante a

NOVOS DESAFIOS

O Professor Rogério Pinheiro lembrou das gestões de Ana Deyse Dórea, Eurico Lobo e Professora Valéria Rocha falando de um caminho novo para a universidade com a construção de uma universidade cada vez melhor pela contribuição e ousadia de todos os seguimentos com mudanças de paradigmas do mundo atual, mas sem deixar de construir educando com formação de qualidade, com ciência, tecnologia, cultura, ensino, pesquisa e extensão com corpo docente qualificado e com dimensão internacional – ‘’que sempre buscam meios de melhorar cada dia mais’’.

Emocionada, a professora Ana Deyse que foi reitora de 2003 a 2011 disse que sempre buscou autonomia.  “A Ufal precisava crescer – o espaço era pequeno e tínhamos muitas histórias do interior do estado e a necessidade das pessoas terem acesso à universidade pública, e em dados descobrimos que cerca de 10% das matrículas vinham de cidades do interior e outras que nem chegavam, e foi justamente nessa época do governo Lula que aderimos ao projeto de expansão com apoio de toda bancada federal – isso se deu no Campus Maceió com criação de novos cursos e pós graduação e daí se interiorizou, foi um marco da gestão. Isso ainda me emociona e tive a oportunidade de formar algumas turmas do interior’’.

Eurico Lobo, atual gerente de ensino e pesquisa do HU disse que aprendeu a conviver em modelo de democracia estudando fora do país e tentou trazer isto para dentro da Ufal. ‘’Entendi as nossas divergências políticas e ideológicas que não podem ser obstáculos ao crescimento da sociedade por mais que elas sejam válidas e verdadeiras’’.  Disse lembrando do projeto da Ebserh que na época foi polemico, mas hoje ele diz que se sente feliz nessa estrutura.

Finalizando as falas, a professora Valéria Rocha, antecessora de Tonholo na reitoria também comenta as perdas de verbas da universidade pública. “O financiamento é que eleva os sonhos. Foi um período difícil de 2016 a 2020, foi dramático e que continua agora com a pandemia – houve perseguição ao pensamento crítico e autonomia universitária – isso fere a autonomia, temos também o problema da guerra cultural de ideias, e nós temos um papel importante – o papel central da educação que nunca tinha sido questionado antes na história. Atravessamos isso e vamos seguir enfrentando. Atravessamos a ‘PEC do fim do mundo’. Tive um período com uma greve e ocupação na reitoria em 2016 em meu primeiro ano de gestão, e apoiei porque sabia da emenda, sem contar o SUS [Sistema único de Saúde] que também vem sofrendo com esses cortes’’, avaliou.

Mas, a ex-reitora também lembrou das conquistas. “Atravessei o período de qualidade acadêmica com conceito muito bom – fruto do engajamento da comunidade universitária’’.

Na solenidade via live, todos ressaltaram o desafio da universidade diante do momento de pandemia causada pelo novo coronavírus e de temas como intolerância religiosa, preconceito racial e o socialismo democrático.

Ao fim, convidaram a sociedade para prestigiar a TV Ufal, no canal 8.1 na EBC aqui em Alagoas – uma TV aberta, digital com alta resolução para toda a Maceió e região metropolitana que foi inaugurada nesta segunda-feira (25), em solenidade no Museu Theo Brandão.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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