Educação

27 de maio de 2019 09:42

Estudante é aprovado em programas nos EUA após vender doces para estudar

Gabriel Bio Guerra foi aprovado no LaunchX, que será realizado na Universidade Northwestern, e no Yale Young Global Schoolars

↑ Por falta de tempo e dinheiro para custear a viagem, ele poderá participar apenas do programa LaunchX (Foto: Reprodução)

Aos 17 anos, vindo do município de Guarujá, localizado no litoral de São Paulo, Gabriel Bio Guerra embarca em junho rumo a uma viagem de estudos por quatro semanas nos Estados Unidos. Após anos de dedicação o rapaz, que já chegou a vender pulseiras e pães de mel para arrecadar dinheiro para os estudos, garantiu vaga em dois programas concorridos.

Ele foi aprovado no LaunchX, que será realizado na Universidade Northwestern, e no Yale Young Global Schoolars Program, promovido pela Universidade de Yale. O primeiro curso aborda tecnologia, empreendedorismo e inovação. Já o segundo é voltado a temas variados, como artes, ciência, relações internacionais e literatura.

“Eu vim de uma estrutura na qual não sabia nem da existência dessas oportunidades de projetos, escolas e cursos fora do país. Tive que sair da caixinha e pensar além do que a minha família costuma pensar. Fazer isso sendo menor de idade não é coisa fácil”, afirma.

Por falta de tempo e dinheiro para custear a viagem, ele poderá participar apenas do programa LaunchX. E, mesmo com uma bolsa que lhe garante 54% de desconto, ele precisará de ajuda para realizar o sonho, já que o curso custará $ 3.400 dólares – aproximadamente R$ 13 mil.

“Não é à toa que estou em busca de patrocinadores para a realização do curso. Está na cara que o foco deles não é chamar pessoas que possuem o poder aquisitivo igual ao meu, mas continuarei lutando para provar que não é apenas na comunidade rica que há mentes brilhantes”.

Para Gabriel, as aprovações são resultado de muito esforço. Ele se engajou nos projetos e dedicou as férias escolares aos estudos. “Durante as férias eu praticamente não sai muito de casa, apenas para trabalhar. Fiquei no computador estudando as oportunidades até que determinei as duas melhores opções”.

Instinto empreendedor

O instinto empreendedor de Gabriel começou desde cedo. Ele estava no primeiro ano da escola quando os professores chamaram a atenção de sua mãe. “Minha mãe disse que um dia foi chamada na escola porque eu estava vendendo barquinhos de papel para os alunos por dois reais”, conta.

E ele não parou por aí. Anos depois, ele começou a vender figurinhas de álbum. “Eu comprava muito mais barato na banca do bairro e vendia mais caro na minha escola, além de ganhar figurinhas de graça no ?bafo?. Nessa brincadeira eu cheguei a lucrar R$ 180 e sempre pedia para o meu pai guardar meu dinheiro na poupança”, afirma.

Ele também chegou a vender pulseiras e pães de mel que comprava de uma vizinha. Tudo ia direto para a poupança e esse dinheiro o ajudou a custear sua ida a Portugal no ano passado, para fazer um curso de engenharia de computação na Universidade de Coimbra.

Rotina agitada

Durante a semana, ele acorda às 4h30. O trajeto até o Instituto Federal de Cubatão, onde estuda, leva aproximadamente 1h30. Ele sai de casa de bicicleta, depois entra em um barco que o leva até Santos e em seguida segue de ônibus até Cubatão. De lá ele volta para Santos, onde trabalha, e só retorna para casa à noite.

Para conciliar os estudos com a rotina agitada, ele conta que aproveita o trajeto de ônibus até a escola para adiantar suas tarefas. “Geralmente eu leio livros, estudo para provas, troco e-mails ou até mesmo faço esboço de trabalhos pelo próprio celular para agilizar as responsabilidades”.

Ciência e negócios

Gabriel é apaixonado pelo universo da ciência e dos negócios. Em 2018, junto com um professor e alguns colegas, ele desenvolveu um aplicativo de realidade aumentada que serve como suporte ao livro do ensino médio. Com o projeto, a equipe foi aceita em cinco conferências e venceu uma feira de ciências regional na categoria Tecnologia e Inovação.

Seu próximo objetivo é abrir startup focada em pesquisas de novas tecnologias. “Eu gostaria que tivessem programas de formação para os jovens mais influenciadores do mundo, formando assim uma comunidade com mentes brilhantes e ajudando na evolução do ser humano no espaço geográfico. Eu realmente gostaria de fazer história sendo um brasileiro”, diz.

Apesar das possibilidades no exterior, o jovem conta que seu desejo é trazer cada vez mais conhecimento para o Brasil. “No meu sonho eu vejo o Brasil fornecendo estrutura para que eu realize meus trabalhos aqui, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil, pois estamos muito atrasados. Mas acredito que temos mentes muito poderosas residindo neste país”.

Fonte: G1

Comentários

MAIS NO TH