Educação

4 de julho de 2017 08:21

Rede estadual de ensino mantém espanhol na grade curricular

Secretaria da Educação garantiu manutenção e apoio aos professores em sala de aula

Mesmo reconhecendo a prioridade da obrigatoriedade da língua inglesa, conforme preconiza a Lei Federal 13.415, a secretária executiva de educação de Alagoas, Laura Souza, confirmou a manutenção da oferta do Espanhol em todas as unidades de ensino integral, com duas horas semanais com a manutenção em sala de aula de todos os professores efetivos da disciplina, além da disponibilidade de oferta por meio de centros de línguas em regiões polo.

Ontem (3) durante uma reunião com representantes da Pró-reitoria de Graduação (Prograd), da Faculdade e do Curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Associação de Professores de Espanhol de Alagoas (Apeeal), para tratar da continuidade da oferta da língua espanhola na rede pública estadual, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), informou que a manutenção da oferta do espanhol na rede estadual continuará.

“Todos os professores efetivos de língua espanhola serão mantidos em sala de aula e em nenhum momento houve orientação divergente desta”, garantiu secretária executiva da Seduc, Laura Souza.

A secretária disse ainda que também haverá o atendimento nas escolas localizadas em regiões turísticas do Estado. “Do ponto de vista da gestão, precisamos de uma readequação e é nisto que temos trabalhado. Mas como já havíamos afirmado anteriormente, todos os professores efetivos de língua espanhola serão mantidos em sala de aula. Todas as escolas que já têm professor efetivo continuam. Em nenhum momento houve orientação divergente desta. Além disto, até o final do ano, pretendemos estar com os centros de língua funcionando, garantindo esta qualificação, inclusive com certificação, aos estudantes”, ressaltou Laura.

O grupo de professores que participou da reunião propôs uma parceria no diálogo constante e na formação de professores de espanhol da rede, além do apoio dos centros de idiomas a partir da elaboração da proposta técnico-pedagógica e formação dos quadros técnicos, planejamento e monitoramento.

“Muito importante este movimento da escuta, uma reunião para conciliar interesses e garantir que o espanhol mantenha seu lugar, visando principalmente o estudante e o aprendizado da língua”, destacou Sandra Regina Paz, pró-reitora de Graduação da Ufal.

A reunião foi solicitada pelos professores da Apeeal após a sanção da lei que tornou o ensino do espanhol facultativo.

Segundo a professora e vice-presidente da entidade, Eronilma Barbosa, no dia 17 de fevereiro de 2017 a lei foi sancionada revogando a Lei do Espanhol, Lei 11.161, de 05 de agosto de 2005, sancionada pelo presidente Lula e que favorecia o ensino da língua espanhola no Brasil. (Com assessoria).

Após medida, professores iniciam mobilização para garantir ensino

Desde a Lei 13.415 que tornou o ensino da língua espanhola facultativo nas escolas da rede pública estadual, os professores de espanhol de Alagoas iniciaram uma batalha em defesa da manutenção do ensino da língua nas escolas do estado.

A vice-presidente da Apeeal, a professora Eronilma Barbosa, informou que os professores e alunos estão lutando para que a disciplina volte ao currículo escolar do ensino médio.

“O ensino da língua espanhola no Estado de Alagoas é de extrema importância, assim como em todo o Nordeste. Dados oficiais da Secretaria de Turismo do Estado de Alagoas mostram que 66% dos turistas que chegam ao Estado são de origem hispânica, ou seja, falam espanhol como língua materna, então precisamos capacitar nossos alunos para o mercado de trabalho e progredir com o ensino” ressaltou Eronilma.

A vice-presidente destacou que o problema não iria afetar apenas os professores e alunos do ensino médio. “Afeta as universidades, o curso de Letras. Para que formar professores de Espanhol se estão tirando da grade curricular. Além disso, outro dado importante é que 71% dos alunos que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Nordeste escolhem o Espanhol como língua estrangeira. Retirando o Espanhol do ensino médio, estamos retirando a porta de entrada dos alunos da escola pública para a universidade”.

Vários deputados alagoanos defenderam a manutenção do espanhol na grade curricular da rede pública de ensino.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, durante solenidade no Palácio República dos Palmares no último dia (8), afirmou que cabe as secretaria de educação de cada estado ofertar, além da língua inglesa, a língua espanhola como opção do segundo idioma.

“A solução é o encaminhamento sobre esses alunos que estão sem aula de espanhol deve ser dada pela Secretaria Estadual de Educação. Que a rigor, não há nenhuma proibição de oferta de alguma língua estrangeira. A reforma do ensino médio ainda está em processo de implementação e isso depende ainda da viabilização da Base Nacional Comum Curricular que ela está sendo finalizada para ser entregue ao CNE no final deste ano”, explicou o ministro da Educação.

TURISMO

O presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do Estado de Alagoas (Singtur/Al), Henrique Dantas diz que, se de fato a língua não for mais oferecida nas escolas, o setor do turismo também pode ser prejudicado.

“Já somos deficientes em relação à questão do ensino de línguas. O Estado recebe muitos turistas estrangeiros e o profissional que tenha esse diferencial iria atender melhor as necessidades dos visitantes. Não afirmo o quanto pode prejudicar agora. Mas, com com certeza haveria prejuízos”, disse Dantas.

Estudantes criticam lei do governo Temer e dizem ser um retrocesso

A estudante Mariana Aguiar que se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e optou, como língua estrangeira, para o espanhol. Ela disse que a decisão do governo é uma falta de respeito com os alunos.

“É como se nós não tivéssemos o direito de estudar outra língua, como a espanhola. Em relação ao Enem, há muito tempo vinha criticando isso. Pois, não estudei em escolas particulares para ter ensino dessa matéria. Na escola ultimamente só ensinava português e inglês. Mas, vou arriscar a opção espanhol por achar mais fácil que o inglês”, comentou a estudante.

Jamyla Fidélis também optou pelo espanhol e disse que a medida do Governo é arbitrária e será horrível tanto para quem está estudando e se preparando para o exame, quanto para os alunos que irão entrar no ensino médio que não terão outra opção se não optar por cursinhos de línguas.

O universitário Edilson Ribeiro, que também irá fazer o Enem mais uma vez, avaliou como um retrocesso a medida.

“Foi um retrocesso para a educação, pois se analisarmos essa medida vamos perceber que foi uma medida tomada de cima para baixo sem nenhum contato com os alunos, fazendo com que estes sejam prejudicados. Pois uma grande porcentagem desses alunos na hora de escolher a língua estrangeira para a realização do Enem, escolhem o espanhol, talvez por ser uma língua mais parecida com o português. Acho que tal medida teria que ser discutida entre alunos, professores e governo, e assim encontrar no diálogo a melhor alternativa para educação brasileira”, comentou.

A estudante Crislayne Cavalcante que irá fazer o exame pela primeira vez diz que educação precisa melhorar e presidente voltar atrás dessa medida.

“Acho que seria muito prejudicial à educação na formação de estudantes que estão se preparando para o Enem e outros concursos, por ser uma língua mais fácil de ser interpretada é a que mais é escolhida nesses concursos. O governo Temer deveria deveria mudar de ideia em relação a isto, pois garanto que toda a sociedade iria querer se aprofundar e poder crescer, aumentando a chance de mais pessoas serem aprovadas e, então, arrumar empregos melhores”, expôs.

Fonte: Tribuna Independente

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