Educação

1 de novembro de 2016 08:59

Professor aponta temas cotados para redação do Exame Nacional do Ensino Médio

Gabriel Gomes diz que temática contemporânea relevante e fatos históricos merecem atenção na preparação para o Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apresenta provas que exigem muito conhecimento dos estudantes. Com um total de 180 questões e mais uma redação, é difícil imaginar temas que não serão abordados nas provas dos dias 5 e 6 de novembro. Por isso, a exigência e atenção são redobradas na hora dos estudos para garantir uma boa nota no Exame. Além das aulas de redação que são fundamentais para uma prática eficiente, também é preciso estar em dia com os temas da atualidade, documentários e fatos históricos. Ler jornais e assistir telejornais ajuda bastante ao candidato.

Para ajudar nesse quesito, o professor de Redação Gabriel Victor Gomes reuniu alguns temas contemporâneos relevantes, bem como aqueles de fatos históricos, e que merecem atenção na hora de estudar para o Enem. Desigualdade social, intolerância, questão indígena, persistência da violência, feminícidio, Lei Seca e ou Maria da Penha, entre outros, estão entre os eixos temáticos e fazem parte da formação cognitiva do aluno. 

Maria Clara Brito, que quer fazer jornalismo, diz que está ‘antenada’ nos temas atuais, mas também nos antigos, porque é fundamental fazer uma relação entre os dois. “Conhecimento geral do passado nunca é demais. Leio muito autores antigos e da literatura clássica que influenciam bastante na Redação, assisto telejornal onde os fatos do dia a dia contribuem e são fortes candidatos a ser tema, documentários e fatos históricos nacionais e internacionais também são importantes serem parte dos estudos”, destacou.

Para ela o tema que pode cair na Redação deste ano, não está aparente, mas sim no que já foi discutido e que o público não lembra mais. “A questão indígena no Brasil é bastante discutida, mas não está em foco. Os temas que já foram discutidos são fortes candidatos e o Enem gosta de resgatar”, opinou a candidata.  A estudante deu uma dica da importância de discutir com outras pessoas sobre variados assuntos, segundo ela, estimulando o candidato para o senso crítico.

(Foto: Sandro Lima)

Gabriel Gomes aponta eixos temáticos, parte da formação cognitiva dos alunos

Maria Luiza Costa diz que gosta de ler, principalmente revistas cientificas, porém revela sua deficiência na escrita. “Me interesso mais na Redação quando o tema é interessante, sei que preciso melhor afinal restam apenas 17 dias”, frisou.

Cynthia Maria Silva diz que ainda não escolheu o curso de graduação, mas está focando na aprendizagem no sentido de praticar a escrita e concatenar as ideias para fazer bonito e atingir uma pontuação alta na prova de Redação. Arthur Barros também está super dedicado e dedica suas tardes e noite aos estudos. Ele contou que a rotina embora exaustiva é válida para conseguir passar no curso de odontologia.

Docente de História evidencia alguns assuntos

Para os candidatos, o professor de História Rabelo Filho chama a atenção para os temas seguintes:

Extradição de Olga Benários para Alemanha Nazista – Este ano, completam-se 80 anos da extradição de Olga Benário Prestes – alemã com origem judaica – do Brasil para a Alemanha nazista. Olga foi extraditada pelo Estado em 1936, mesmo grávida e legalmente casada com um brasileiro. E executada em uma câmara de gás de um campo de concentração nazista em 1942. “Essa data ressalta vários aspectos da história política do Brasil, mostra o conflito sempre existente entre os movimentos de esquerda e os de extrema direita, além de relembrar que foi o presidente Getúlio Vargas quem deu ordem de extradição para Olga”, comenta o professor Rabelo.

Brexit – Em junho de 2016, os britânicos foram às urnas para votar um plebiscito que contemplava a permanência ou a saída do Reino Unido da União Europeia. Com a escolha pela saída por 52% dos eleitores, o resultado do referendo gerou um forte impacto sobre o bloco econômico e impulsionou uma série de incertezas, sobretudo no que se refere às relações econômicas e diplomáticas entre os diferentes países da Europa. Como o professor Rabelo pontua, “esse acontecimento permite reflexões acerca da criação da UE, em 1992, e o contexto das relações políticas, econômicas e diplomáticas no pós-Guerra Fria”.

Olimpíadas – A segurança dos atletas olímpicos foi uma das principais preocupações do governo brasileiro ao longo das Olimpíadas, realizadas em agosto, no Rio de Janeiro. “Havia o temor que episódio similar ao ocorrido em setembro de 1972 se repetisse, quando um grupo de palestinos armados ligados à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), vestidos de atletas, tiveram acesso à Vila Olímpica de Munique e fizeram atletas israelenses reféns”, lembra o professor de História. Também é possível uma relação com a história das Olímpiadas desde a Grécia antiga.

Reedição da obra “Mein Kampf” (Minha Luta), de Adolf Hitler – Lançado em 1925, o livro é uma das principais referências de leitura sobre a sociedade alemã ressentida com os desfechos da Primeira Guerra Mundial. Nele, foram lançadas as bases do nazismo, passando a influenciar significativos setores da sociedade alemã da época. Entre 1925 e 1945, foram vendidos cerca de 21 milhões de exemplares. “A possibilidade de reedição da obra no Brasil gerou vários debates e impulsionou novas reflexões sobre a experiência nazista e a influência que ainda hoje exerce sobre diferentes grupos sociais”, explica o professor.

Crise Migratória – Os conflitos civis na Síria e em outros países do Oriente Médio têm ocasionado uma das mais graves crises de refugiados da história contemporânea. Estima-se que somente no ano de 2015 cerca de 1,25 milhões de pessoas pediram asilo em diferentes países que compõem a União Europeia. Um dos principais motivos dessas migrações é o protagonismo do Estado Islâmico no Oriente Médio, o qual desencadeia uma série de conflitos armados, gerando mortes de civis no Iraque, na Síria e na Turquia. “É possível relacionar o atual fenômeno a outros que ficaram marcados na história, como os gerados no contexto da Segunda Guerra Mundial”, sugere o professor de História.

Desastre ambiental em Mariana – Com o desastre ambiental ocorrido em Mariana (MG), temas relacionados ao modo de vida contemporâneo – marcado pela exacerbação do consumo – e, principalmente, à exploração de recursos naturais, ganham notoriedade. É importante observar a ampla dimensão do desastre sob o ponto de vista ambiental, social e histórico. Vale ressaltar que a história da cidade de Mariana está intimamente relacionada ao ciclo da mineração brasileira no século XVII. “Podem relacionar as atividades mineradoras do passado e do presente entre si e a outros episódios semelhantes da história recente, como os vazamentos das usinas nucleares de Chernobil, na Ucrânia, em 1986, e de Fukushima, no Japão, em 2011”, acredita o professor Rabelo.

Fonte: Tribuna Independente

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