Economia
Black Friday 2026: salões antecipam compras de produtos profissionais, e indústria abre o "esquenta" em outubro
Com a data marcada para 27 de novembro, projeção é de R$ 14,5 bilhões em vendas; para Aristides Israel, CEO da Treeliss, planejar o estoque com antecedência protege o caixa dos salões
A Black Friday de 2026 será em 27 de novembro, uma sexta-feira, seguida pela Cyber Monday, em 30 de novembro. A Stefanini Marketing projeta R$ 14,47 bilhões em vendas e 18,3 milhões de pedidos no período. Para os negócios que dependem de reposição constante de insumos, como os salões de beleza, o calendário de promoções passou a ser também uma ferramenta de planejamento financeiro.
A Black Friday deixou de ser um evento de um único dia. Segundo a Confi Neotrust, a janela da Black Friday respondeu por 24,6% do faturamento da Black November de 2024, o que mostra que as vendas se espalham por várias semanas do mês.
O comportamento do consumidor também mudou. No dia da Black Friday de 2025, o ticket médio caiu 12,8%, enquanto o número de pedidos subiu 28%, ou seja, as pessoas compram mais vezes, em valores menores e de forma mais seletiva. Além disso, levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que 82% dos consumidores pesquisam preços antes de comprar. Quem se prepara antes tende a comparar melhor, negociar com mais segurança e evitar decisões apressadas.
O setor de beleza está entre os que mais se beneficiam desse calendário. Em 2025, movimentou R$ 175 bilhões, alta de 6,8% sobre o ano anterior, segundo a ABIHPEC com dados da Euromonitor, o que mantém o Brasil como o terceiro maior mercado de beleza do mundo.
Os salões estão entre os canais que levam esses produtos ao consumidor, e o segmento tem grande peso na economia dos pequenos negócios. Dos quase 15 milhões de microempreendedores individuais do país, cerca de 1,3 milhão são profissionais de beleza, segundo o Sebrae. Para esse público, comprar insumos é parte direta da operação, e não consumo ocasiona, sem shampoo, máscara, coloração e finalizadores, o atendimento simplesmente não acontece.
Fim de ano pede estoque
O período entre novembro e dezembro costuma concentrar a maior demanda dos salões, com festas, confraternizações, formaturas e viagens. É também quando as indústrias e distribuidoras lidam com maior volume de pedidos, o que pode gerar atrasos na entrega e falta de produtos. Para o dono de salão, ficar sem um item de alta rotatividade na semana de maior movimento significa perder atendimentos e, muitas vezes, clientes.
Por isso, a antecipação da reposição ajuda em três frentes: organiza o fluxo de caixa, reduz o risco de ruptura de estoque e abre espaço para negociar condições melhores com o fornecedor, sem a pressão do calendário.
Indústrias do segmento profissional, como a Treeliss, lançaram em outubro o "Esquenta Black Friday", com condições especiais para que donos de salão antecipem a reposição de produtos.
Para Aristides Israel, CEO da Treeliss, o profissional de beleza precisa encarar a data de forma diferente do consumidor final. "O salão não compra por impulso, compra insumo para trabalhar. Quem se organiza em outubro negocia com mais calma, evita ruptura de estoque no fim do ano e protege o caixa justamente na época de maior movimento", afirma.
A empresa conta com representantes que acompanham os salões e ajudam a dimensionar o pedido de acordo com o perfil de cada negócio, como volume de atendimentos, serviços mais procurados e giro dos produtos. "Nosso papel é facilitar essa antecipação, com condições claras e orientação do representante para cada salão. A Black Friday vai até novembro, mas o planejamento começa agora", completa o executivo.
Dicas para o dono de salão se planejar
Para quem quer aproveitar o período sem comprometer o caixa, algumas práticas ajudam:
1 - Levantar o consumo real: olhar o histórico de saídas dos últimos meses e identificar os produtos de maior giro.
2 - Priorizar o essencial: concentrar a compra antecipada nos itens que não podem faltar e que têm validade longa.
3 - Comparar condições, não só preço: considerar prazo de pagamento, frete, prazo de entrega e suporte do fornecedor.
4 - Reservar margem para o imprevisto: manter uma folga no caixa para demandas inesperadas do fim de ano.
5 - Alinhar com a equipe: profissionais que usam os produtos no dia a dia sabem o que mais acaba e o que tem mais aceitação entre os clientes.
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