Economia

IA no marketing: onde ela realmente aumenta a produtividade da sua equipe

Por Assessoria 15/09/2026 17h28 - Atualizado em 15/09/2026 19h15
IA no marketing: onde ela realmente aumenta a produtividade da sua equipe
Inteligência Artificial - Foto: Pexels

Textos, imagens, resumos, análises de dados, tarefas repetitivas automatizadas. A inteligência artificial deixou de ser novidade nas equipes de marketing e virou ferramenta de trabalho. A pergunta que fazia sentido há dois anos, "devemos usar IA?", já foi respondida. A pergunta que importa agora é outra: onde ela realmente melhora a produtividade, sem comprometer qualidade, estratégia e identidade de marca?

Os números confirmam que a adoção já é ampla. Segundo a pesquisa global The State of AI 2025, da McKinsey, 71% das organizações entrevistadas afirmaram usar IA regularmente em pelo menos uma função de negócio e marketing e vendas estão entre as áreas de maior utilização.

Mas adoção não é sinônimo de resultado. Uma pesquisa da própria McKinsey, publicada em 2026, mostrou algo que deveria dar uma pausa em qualquer equipe empolgada demais: quase 60% dos profissionais de marketing usam IA várias vezes por semana, mas menos de 10% afirmam ter capturado valor real em fluxos de trabalho completos. Ou seja, a maioria está usando a ferramenta mas poucos estão, de fato, colhendo o ganho de produtividade prometido. A diferença não está na ferramenta. Está em como ela é incorporada à operação.

Onde a IA realmente aumenta a produtividade

A IA funciona melhor em tarefas que consomem tempo mas seguem um padrão relativamente previsível: preparação de briefings, pesquisa inicial, rascunhos, organização de informação, adaptação de conteúdo entre formatos, análise de grandes volumes de dados.

O que ela não faz, e não deveria tentar fazer, é substituir estratégia, posicionamento, criatividade e leitura de contexto. Isso continua (e vai continuar) dependendo de gente que entende o negócio e o público.

A própria McKinsey estima que a IA generativa pode aumentar a produtividade da função de marketing em algo entre 5% e 15% dos gastos totais da área. É uma estimativa de potencial, não uma garantia. Cada empresa vai extrair um valor diferente disso, dependendo de como implementa.

Pesquisa e planejamento mais rápidos

Um dos ganhos mais concretos acontece antes mesmo da produção começar. A IA pode ajudar a organizar informações sobre público, concorrência, tendências e campanhas anteriores, transformando dados dispersos em uma primeira estrutura de briefing.

O valor aqui não está em receber uma resposta pronta e publicável, está em reduzir o tempo até chegar numa primeira versão organizada, que a equipe então refina.

Um conteúdo, vários formatos

Uma mesma ideia frequentemente precisa virar artigo, e-mail, anúncio, post e roteiro de vídeo. A IA acelera essa adaptação: um conteúdo pensado para um canal pode servir de ponto de partida para outros formatos, desde que alguém revise linguagem, contexto e consistência com a marca depois.

Para equipes pequenas que em geral precisam sustentar vários canais sem crescer proporcionalmente em número de pessoas, esse tipo de ganho é especialmente relevante.

O que dá para automatizar (e o que não dá)

O padrão que a tabela deixa claro: a maior oportunidade não é eliminar tarefas, é realocar o tempo humano para onde ele importa: o julgamento, a decisão, a validação. A IA prepara e acelera; a pessoa avalia e decide.

IA para criar conteúdo visual

O visual é uma das áreas em que a IA mais ampliou as possibilidades. Em vez de partir do zero em cada peça, é possível usar ferramentas de geração de imagem para testar conceitos, referências e alternativas antes de decidir o que vai para a produção final.

A pesquisa global da McKinsey de 2025 mostra que mais de um terço das organizações que usam IA já geraram imagens com essas ferramentas. Na prática, ao montar uma campanha, o time pode criar imagens com IA para explorar diferentes direções estéticas rapidamente, antes de investir tempo e orçamento na produção definitiva.

Isso não elimina a direção de arte, pelo contrário, ela se torna mais importante. A ferramenta gera possibilidades; cabe à equipe avaliar composição, coerência visual, adequação ao público, consistência de marca e questões de direitos autorais.

E em SEO, a IA ajuda?

Ajuda, principalmente nas etapas de pesquisa e organização. Ela pode identificar perguntas relacionadas a um tema, agrupar palavras-chave por intenção, sugerir estruturas de conteúdo e transformar material extenso em pauta de trabalho reduzindo boa parte do tempo que tradicionalmente ia para pesquisa manual.

O que ela não substitui é a avaliação de intenção de busca, autoridade temática, qualidade das fontes e diferenciação editorial. SEO reduzido a "gerar texto automaticamente" tende a produzir conteúdo genérico e o Google já ficou bom em identificar isso.

Dados de marketing: da confusão à decisão

Equipes de marketing lidam com indicadores espalhados em várias plataformas, tráfego, conversão, mídia paga, CRM, comportamento do consumidor. A IA pode ajudar a identificar padrões, gerar resumos e formular hipóteses para investigação mais aprofundada.

A Adobe, em seu estudo 2025 AI and Digital Trends, entrevistou mais de 3.200 profissionais de marketing e experiência do cliente e 8.000 consumidores, reforçando o quanto a integração de dados importa para experiências personalizadas em diferentes canais.

Mas há um limite claro aqui: a IA é tão boa quanto os dados que recebe. Informação fragmentada, desatualizada ou mal estruturada gera análise ruim e decisão ruim em cima disso.

Os riscos que ninguém deveria ignorar

Produtividade não é só velocidade. Produzir mais rápido e errado custa caro, em retrabalho, em erro de marca, em risco jurídico.

A Deloitte identificou esse descompasso: em 2024, 54% das empresas entrevistadas buscavam ganhos de eficiência com GenAI, mas apenas 38% afirmaram estar de fato acompanhando mudanças na produtividade dos times. Ou seja, boa parte adota sem medir.

Vale ficar de olho em quatro pontos: informações incorretas (modelos generativos erram com confiança, e conteúdo publicado precisa de checagem humana); padronização excessiva (times usando os mesmos prompts sem direção criativa tendem a produzir conteúdo parecido, revisão editorial é o que preserva a personalidade da marca); dados confidenciais (nem toda informação de cliente ou estratégia comercial deve entrar em qualquer ferramenta); e direitos autorais (imagens e textos gerados por IA precisam ser avaliados conforme legislação e política interna).

Como implementar sem virar bagunça

Comece por processos específicos e mensuráveis como briefings, primeiras versões de textos, consolidação de relatórios em vez de tentar aplicar IA em tudo de uma vez. Isso permite comparar tempo e qualidade antes e depois.

Estabeleça padrões de uso: quais ferramentas são aprovadas, que tipo de informação pode ser inserida nelas, quem revisa o quê. E meça produtividade de verdade, tempo economizado importa, mas não sozinho; retrabalho, qualidade, conversão e satisfação do time contam tanto quanto.

O ganho maior geralmente não vem de reduzir a participação humana ao mínimo. Vem de liberar as pessoas de tarefas mecânicas para que gastem tempo analisando resultado, pensando estratégia e tomando decisão, que é onde, aliás, elas realmente fazem diferença.

O futuro não é automação total

Os dados não sustentam esse cenário. Na pesquisa da McKinsey de 2025, quase dois terços das empresas ainda não tinham começado a escalar IA por toda a organização, a maioria segue em fase de experimentação.

O que parece mais realista é uma transformação gradual: algumas tarefas serão automatizadas de fato, outras apenas aceleradas, e vão surgir funções novas em torno de estratégia, supervisão e governança do uso da IA.

O que isso significa na prática

A IA no marketing reduz tempo gasto em pesquisa, produção, adaptação de conteúdo, análise e tarefas administrativas e marketing está entre as áreas com maior potencial de geração de valor com essas ferramentas, segundo os dados disponíveis.

Mas produtividade não é produzir mais conteúdo. É reorganizar o trabalho para que profissionais parem de gastar horas em tarefas repetitivas e comecem a gastar mais tempo em estratégia, criatividade e relação com o público.

Vale a cautela de sempre com esses números: estimativa de potencial não é resultado garantido, e pesquisa de adoção reflete percepção, não certeza. Cada equipe precisa testar suas próprias aplicações, medir e ajustar.

No fim, o melhor uso da IA não é substituir o trabalho de marketing e sim, ampliar a capacidade de executar, analisar e experimentar mais rápido, mantendo gente supervisionando as decisões que realmente afetam marca e negócio.