Economia
São João impulsiona renda de costureiras e artesãs em Maceió
Com produção iniciada meses antes das festas, trabalhadoras do Mercado da Produção apostam na tradição junina para aumentar as vendas e fidelizar clientes
Desde o início do mês de junho, as bandeirinhas espalhadas pelas ruas de Maceió anunciam a chegada do São João. Mas para centenas de costureiras e artesãs da capital alagoana, que enxergam a festividade como uma oportunidade de renda, os preparativos para a data começaram há meses.
A costureira Marisa Costa tem 72 anos e há 40 mantém seu ponto no Mercado do Artesanato, localizado na Levada. A indicação foi feita por uma amiga e deu tão certo que ao perceber a demanda dos maceioenses, Marisa começou a criar os seus próprios modelos de roupas juninas.
“Eu me casei nova e nunca gostei de pedir nada ao meu marido. Percebi que tinha uma procura grande por roupas dessa época e comecei a me dedicar, vi essa oportunidade”, conta.

Hoje, com a alta demanda, Marisa confecciona modelos para serem revendidos em outros estados, mas afirma que, através da venda no Mercado do Artesanato, conquistou uma clientela fiel, que sempre procura pelo seu trabalho. “Tenho clientes que compram comigo desde quando comecei, há 40 anos”, diz.
Assim como Marisa, a artesã e costureira Lenilda Holanda construiu sua trajetória profissional a partir das oportunidades encontradas no Mercado do Artesanato. Ela começou a trabalhar com artesanato aos 12 anos, auxiliando comerciantes que já possuíam lojas no local. Anos depois, ao se casar, encontrou na máquina de costura da sogra, também permissionária do mercado, a ferramenta que transformaria sua vida. “Minha vida sempre foi viver da costura e do artesanato”, resume.
Hoje, Lenilda se dedica à criação de roupas e acessórios juninos, buscando inspiração nos tecidos, nas tendências de cada ano e também nos pedidos das clientes. “Eu sempre fico pensando: esse ano vai ser cordel? Vai ser chita? Vai ser o quê?”, conta. Segundo ela, a troca constante com quem compra suas peças também influencia o processo criativo e ajuda a renovar as coleções a cada temporada.
A chegada do período junino representa um dos momentos mais importantes para o faturamento do negócio. Por isso, a preparação começa cedo, entre os meses de fevereiro e março, quando surgem as primeiras encomendas. Entre os pedidos estão saias para apresentações escolares, vestidos para quadrilhas e fantasias de noivinhas para as festas das crianças.
“Tem cliente que já sabe e me procura todo ano. As escolas começam a pedir, as mães vêm atrás dos vestidos, das saias. É uma época que aumenta bastante a procura”, afirma.

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