Economia

Taxas de financiamento imobiliário variam até 3,7 pontos percentuais entre bancos e influenciam decisão de compra de imóveis

Dados do Banco Central apontam juros entre 8,13% e 11,86% ao ano; especialista destaca impacto do crédito no orçamento e no mercado imobiliário

Por Assessoria 20/05/2026 14h52
Taxas de financiamento imobiliário variam até 3,7 pontos percentuais entre bancos e influenciam decisão de compra de imóveis
Lauro Braga, especialista em mercado imobiliário - Foto: Assessoria

A diferença entre as taxas de financiamento imobiliário praticadas pelos bancos tem influenciado cada vez mais o planejamento de quem pretende adquirir um imóvel no Brasil. Dados do Banco Central do Brasil mostram que, em abril de 2026, os juros do financiamento imobiliário para pessoa física, na modalidade com taxas reguladas e pós-fixadas referenciadas em TR, variaram de 8,13% a 11,86% ao ano entre as principais instituições financeiras do país.

A menor taxa média registrada no período foi da Caixa Econômica Federal, de 8,13% ao ano. Na sequência aparecem o Banco Inter, com 9,12%, o Banco do Brasil, com 9,89%, e cooperativas de crédito como Banco Cooperativo Sicredi e Banco Sicoob, acima de 10% ao ano. Entre os grandes bancos privados, os juros ficaram próximos de 12%, com Banco Bradesco registrando 11,76%, Santander Brasil 11,85% e Itaú Unibanco 11,86%.

Na prática, a diferença entre as instituições pode representar uma mudança significativa no custo total do imóvel ao longo dos anos. Isso porque o financiamento imobiliário é uma operação de longo prazo, normalmente contratada entre 20 e 35 anos, fazendo com que pequenas variações percentuais tenham efeito direto sobre o valor das parcelas e o montante final desembolsado pelo comprador.

Para o fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária e especialista em mercado imobiliário, Lauro Braga, a taxa de juros é um dos principais fatores a serem observados antes da assinatura do contrato, mas não deve ser analisada isoladamente.

“Uma diferença aparentemente pequena na taxa de financiamento muda completamente a conta no longo prazo. Isso impacta diretamente no valor da parcela, no comprometimento da renda e até na aprovação do crédito. Mas a decisão entre financiar ou comprar à vista precisa considerar o contexto financeiro de cada comprador, o objetivo do imóvel e a estratégia patrimonial”, afirma.

Segundo Lauro, a compra à vista costuma oferecer vantagens relacionadas à negociação e à economia com juros, enquanto o financiamento pode funcionar como uma ferramenta para preservação de capital e alavancagem patrimonial.

“Em alguns casos, vale mais a pena manter parte do recurso investido e utilizar o crédito imobiliário de forma estratégica. Em outros, principalmente quando existe desconto relevante na negociação, a compra à vista se torna mais vantajosa. Não existe uma fórmula única. O ideal é fazer uma análise técnica do cenário financeiro antes da decisão”, explica.

O especialista destaca ainda que o crédito imobiliário exerce influência direta sobre o comportamento do mercado. Quando as condições de financiamento se tornam mais acessíveis, cresce o número de compradores aptos a adquirir imóveis, o que tende a aquecer as vendas e pressionar os preços.

“O mercado imobiliário é fortemente movido pelo crédito. Quando mais pessoas conseguem financiar, existe um aumento da demanda. Ao mesmo tempo, fatores como inflação da construção civil, aumento do custo dos terrenos e expansão de regiões em crescimento continuam influenciando o valor dos imóveis. Por isso, quem espera demais pelo ‘momento ideal’ pode acabar encontrando um cenário mais caro no futuro”, analisa Lauro Braga.

A avaliação do especialista ocorre em um momento de maior atenção do consumidor às condições do financiamento e de comparação mais criteriosa entre bancos, diante do impacto que a escolha do crédito pode gerar no planejamento financeiro de longo prazo.