Economia
Estudo da Climate Ventures aponta caminhos para estruturar mercado de Soluções Baseadas na Natureza no Brasil
Levantamento organiza o setor em dez segmentos econômicos e mostra que país já reúne ativos, capital interessado e capacidade técnica, mas ainda precisa superar fragmentação, falta de padronização e gargalos de financiamento
O Brasil tem biodiversidade em escala continental, base agroindustrial relevante, matriz energética limpa e um ecossistema crescente de organizações voltadas à economia da natureza. Mesmo assim, o mercado de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) ainda é fragmentado, com linguagem pouco padronizada, métricas heterogêneas e instrumentos financeiros que nem sempre acompanham os ciclos da natureza e a realidade dos territórios. Falta coordenação entre desenvolvedores de projetos, organizações dinamizadoras, investidores, empresas e formuladores de políticas públicas.
É o que mostra o estudo “Estruturação do mercado de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no Brasil: mapa de segmentos, gargalos e alavancas”, lançado pela Climate Ventures hoje, 19 de maio, durante a Brazil Climate Investment Week (BCIW), em São Paulo. O levantamento propõe uma leitura econômica do setor e organiza o mercado brasileiro de SbN em dez segmentos estratégicos, a partir da análise de mais de 2.150 organizações do ecossistema.
Para baixar o estudo completo, clique aqui.
O estudo organiza os dez segmentos pela forma como se relacionam com SbN: alto nível de integração (Conservação e Restauração Florestal, Sociobioeconomia, Economia Azul e Infraestrutura Verde); médio nível, condicionado à comprovação de impacto positivo sobre natureza e biodiversidade (Restauração Produtiva e Agricultura Regenerativa); segmentos de interface, que operam em diálogo com a economia da natureza sem ser centrais em SbN (Bioinsumos, Biotecnologia e Biomateriais, e Biomassa e Bioenergia); e um segmento habilitador transversal (Nature Techs), que amplia a integridade e a atratividade dos demais.
Dados incluídos no levantamento mostram que o mercado de SbN atraiu US$ 2,1 bilhões entre 2023 e 2024. Existe a intenção de alocar mais US$ 10,4 bilhões até 2027 e US$ 18,8 bilhões até 2030. O estudo, no entanto, alerta que esses dados devem ser lidos como sinal de apetite de capital e maturidade de parte do ecossistema, e não como estimativa consolidada do tamanho do mercado brasileiro.
O relatório identifica cinco frentes prioritárias para destravar o mercado: criação de uma infraestrutura nacional de pipeline, fortalecimento de plataformas territoriais de implementação, dados, inovação financeira e capital paciente, além de políticas públicas capazes de estimular a demanda. Na prática, isso possibilitará tornar projetos mais comparáveis, aproximar ativos de instrumentos financeiros adequados, reduzir custos de transação e ampliar a confiança de investidores, compradores e reguladores.
O estudo também mostra que a escala das SbN dependerá da conexão com mercados já estruturados, como agropecuária, energia renovável e setores intensivos em recursos naturais. Essa aproximação pode abrir novas rotas de capital, contratos e aumentar a demanda. “Estamos falando de um mercado que já existe, mas ainda precisa ser organizado para ganhar escala. O Brasil tem ativos naturais, capacidade técnica, capital interessado e uma agenda global alinhada ao que o país pode oferecer. O desafio agora é transformar essa convergência em infraestrutura de mercado, com dados, instrumentos financeiros, coordenação territorial e políticas públicas capazes de sustentar crescimento com integridade”, afirma Daniel Contrucci, co-CEO da Climate Ventures.
O estudo foi realizado pela Climate Ventures, com financiamento da Fundação Grupo Boticário e do Fundo Vale. A Fundação Grupo Boticário é embaixadora da iniciativa. O trabalho conta ainda com apoio do Instituto Itaúsa, apoio técnico da Amazon Investor Coalition e do Nature Investment Lab e cooperação de dados da Capital for Climate e da Mútua Systems.
Mais lidas
-
1Centro e Levada
Compra, venda e troca: Feira do Rato segue viva
-
217h às 23h
Orla aberta tem horário ampliado a partir deste sábado para lazer
-
3Medidas
Ufal investe quase R$ 1 milhão em reforma do Ichca; obras iniciam em junho
-
4True Crime
Condenações e corredor da morte: o destino dos criminosos de 'Os Piores Ex 2' na Netflix
-
5Traição!
Saiba quem são as modelos apontadas como pivôs da separação de Vini Jr.



