Economia
Preço da cenoura aumenta 30% e consumidor opta por outros legumes
Alta da hortaliça, que havia sido de 0,58% em fevereiro, disparou para 28,08%, conforme dados do IPCA, do IBGE
Os reajustes nos preços da cenoura e da batata inglesa estão obrigando os brasileiros – e alagoanos – a tirarem do cardápio os frequentes purês do tubérculo e o tão querido arroz de cenoura. É que no último mês, o preço da cenoura subiu quase 30%.
A alta da hortaliça, que havia sido de 0,58% em fevereiro, disparou para 28,08%, conforme dados divulgados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em alguns supermercados da capital alagoana, o quilo da cenoura está custando R$ 11,00. Já a batata inglesa, tão democrática nas escolhas das donas de casa, está saindo ao custo de R$ 8,00, o quilo.
Na casa da advogada Shirley Calheiros, o arroz de cenoura, preferido da família, foi rapidamente substituído pelo arroz de alho e assim todos vão se virando até o preço ser normalizado.
“A alternativa é sair diminuindo a quantidade, alterando receitas, elaborando novos pratos. Não dá para comprar afetando o bolso de forma exagerada”, argumentou.
A explicação para o reajuste nos valores da cenoura e da batata inglesa, conforme o economista Fábio Leão, está ligada à menor oferta e aos problemas causados por eventos climáticos. mostram que a alta entre fevereiro e março foi de 28,08%.
“O movimento recente nos preços da cenoura e da batata inglesa no Brasil está sendo impulsionado principalmente por fatores climáticos extremos e pela transição de safras, que reduziram a oferta desses produtos no mercado interno”, explicou o economista.
Fabio Leão salientou que a cenoura registrou altas expressivas (chegando a quase 30% em um mês em algumas regiões) devido à combinação de menor área plantada e clima adverso.
Ainda segundo ele, o excesso de chuvas e o volume de precipitação acima da média nas principais regiões produtoras, como Minas Gerais, São Paulo e Goiás dificultaram o ritmo de colheita e prejudicou a qualidade das raízes.
De acordo com as explicações do economista, a produção nacional é altamente concentrada (cerca de 87% em apenas três estados), o que torna o preço muito sensível a problemas regionais nesses polos.
“Além disso, houve aumento nos gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas em ciclos recentes, o que pressionou o custo de produção por hectare”.
Quanto à batata inglesa, acrescentou Fábio Leão, graças à umidade e entressafra, o tubérculo tem sido um dos itens que mais pressiona a inflação de alimentos devido à sua sensibilidade à umidade.
“O excesso de umidade no solo impede a entrada de máquinas e favorece o apodrecimento do tubérculo ainda na terra. O período recente marcou a transição entre a safra de inverno e a safra das águas, momento em que a oferta naturalmente oscila, mas foi agravada pelo clima. E os problemas climáticos em estados como Paraná e Minas Gerais impactam rapidamente o abastecimento nacional, elevando os preços no atacado e varejo”, finalizou.
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