Economia
Com endividamento em 83,40%, as famílias conseguem manter o consumo, mas sentem o peso no orçamento
Em valores absolutos, são mais de 291 mil famílias endividadas em Maceió. Quase 104 mil estão com contas atrasadas e mais de 29 mil não pagarão as dívidas
O endividamento segue em alta na capital alagoana. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), demonstra que, em março, o percentual de famílias endividadas atingiu 83,40%, um pouco maior em relação a fevereiro (83,12%) e significativamente acima do observado no mesmo período do ano anterior (79,60%). Já a inadimplência chegou a 29,80%, subindo na variação mensal (29,10%), mas mantendo-se abaixo do percentual anual 39,2%.
Março encerra um trimestre marcado pelo impacto financeiro de janeiro, pelo processo de ajuste de contas em fevereiro e pela tendência à normalização do orçamento doméstico neste terceiro mês do ano, quando os efeitos do endividamento recente começam a se consolidar. “A leitura econômica para março é de um ambiente de estabilidade frágil: as famílias ainda conseguem manter o consumo e, em grande parte, honrar seus compromissos, mas já começam a apresentar sinais de desgaste financeiro”, ressalta o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato.
De acordo com ele, diante desta realidade, as empresas do comércio de bens, serviços e turismo devem adotar estratégias mais prudentes para a concessão de crédito, bem como podem intensificar ações de renegociação e acompanhar de perto a evolução da renda e do emprego; fatores determinantes para a sustentabilidade do consumo ao longo do ano.
Evolução do endividamento
Considerando a população de Maceió, os 83,40% de famílias endividadas representa, em valores absolutos, pouco mais de 291 mil famílias. Quase 104 mil estão com contas em atrasos e mais de 29 mil não terão condições de pagar as dívidas. Em média, as contas estão atrasadas há 70 dias e as famílias mantêm o orçamento comprometido por 24 semanas, ou seja, seis meses.
Se por um lado as dívidas assumidas no início do ano começam a vencer, o aumento do endividamento pode sugerir que o crédito continua sendo utilizado como instrumento de sustentação do consumo, embora em ritmo menor, o que indica uma cautela maior das famílias. Por outro lado, parte das famílias enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia. “Ainda assim, o nível atual de inadimplência é significativamente inferior ao do ano anterior, o que indica uma melhora estrutural na capacidade de pagamento, possivelmente associada a ajustes financeiros e renegociações realizadas ao longo dos últimos meses”, avalia o economista.
A pesquisa completa encontra-se disponibilizada em www.fecomercio-al.com.br/instituto/pesquisas/
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