Economia
Mudança no Imposto de Renda em 2026 exige novo planejamento das empresas
Tributação sobre lucros e dividendos marca virada histórica e obriga empresários a reverem estratégias financeiras e societárias
A partir de 2026, empresários brasileiros passaram a enfrentar um novo cenário tributário. A principal mudança está no fim da isenção do Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos, prática vigente no país desde 1996. Com a nova regra, parte dos valores distribuídos aos sócios e acionistas passa a ser tributada, aumentando a carga fiscal sobre o lucro das empresas e exigindo um planejamento mais rigoroso.
Segundo o advogado e contador Paulo Guilherme dos Santos Lins, a alteração não muda diretamente a alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mas impacta de forma significativa o resultado final recebido pelos empresários.
“O imposto não aumentou na empresa, mas passou a incidir na ponta final, quando o lucro é distribuído. Isso muda completamente a lógica de remuneração do empresário”, explica.
O que mudou na prática
Até 2025, os lucros distribuídos aos sócios eram isentos de Imposto de Renda. A partir de 1º de janeiro de 2026, os dividendos pagos passam a sofrer retenção de 10% de IR, quando ultrapassados determinados limites estabelecidos pela legislação.
Na prática, a soma da tributação já existente sobre o lucro da empresa — que pode chegar a cerca de 34% considerando IRPJ e CSLL — com a nova tributação sobre dividendos pode elevar a carga total sobre o lucro distribuído para patamares próximos de 44%.
“O empresário que não se adaptar vai sentir o impacto diretamente no bolso. O lucro que antes chegava integralmente agora sofre um novo desconto”, alerta Lins.

Regra de transição reduz impacto imediato
A legislação prevê uma regra de transição importante. Lucros apurados e formalmente registrados até 31 de dezembro de 2025 poderão ser distribuídos até 2028 sem a incidência do novo imposto, desde que atendidos os requisitos legais.
“Muitas empresas perderam essa oportunidade por falta de orientação. Quem fez o planejamento correto conseguiu preservar parte relevante do patrimônio”, afirma o especialista.
Quais são as soluções para os empresários
Diante do novo cenário, Paulo Guilherme dos Santos Lins destaca que a saída não é sonegar ou improvisar, mas planejar.
Entre as principais estratégias estão:
• Revisão da forma de remuneração dos sócios, combinando pró-labore e distribuição de lucros;
• Retenção e reinvestimento de lucros, evitando a tributação imediata;
• Reavaliação do regime tributário, especialmente entre Lucro Presumido e Lucro Real;
• Reorganização societária, com criação de holdings empresariais ou familiares;
• Planejamento patrimonial e sucessório, reduzindo impactos futuros e conflitos familiares.
“O planejamento tributário deixou de ser opcional. Ele passou a ser uma ferramenta de sobrevivência empresarial”, afirma Lins.
Contabilidade ganha papel estratégico
O novo modelo também muda o papel da contabilidade dentro das empresas. O contador deixa de ser apenas o responsável pelo cálculo dos impostos e passa a atuar como consultor estratégico.
“Hoje, não basta apurar tributos. É preciso simular cenários, projetar impactos e orientar decisões. A contabilidade se tornou um instrumento de gestão”, ressalta.
Quem ganha e quem perde
Empresas que distribuem grandes volumes de lucros regularmente tendem a sentir mais os efeitos da mudança. Já aquelas que reinvestem, planejam a sucessão ou ajustam sua estrutura societária conseguem reduzir o impacto.
“Quem não se planejar vai pagar mais imposto. Quem se planejar, mesmo com a nova regra, pode manter eficiência e competitividade”, conclui Paulo Guilherme dos Santos Lins.
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