Economia

15 de setembro de 2021 00:02

Audiência sobre exploração de petróleo na Bacia Sergipe-Alagoas gera debate ambiental

Maioria das pessoas que participaram da audiência foi unânime em uma preocupação: vazamento de óleo

↑ Foto: Divulgação / Petrobras

Uma audiência pública on-line envolvendo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a empresa multinacional ExxonMobil aconteceu na noite desta terça-feira (14). O objetivo da audiência foi debater sobre a possível futura atividade de perfuração marítima na Bacia de Sergipe – Alagoas, que tem a ExxonMobil como responsável. Durante o evento, consultores apresentaram os riscos do projeto e o planejamento para solucionar e prevenir acidentes, como vazamento de óleo, por exemplo, entre outros impactos ambientais, e a população teve a oportunidade de participar com perguntas. E muita gente mostrou-se preocupada.

A audiência foi presidida pelo diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama, Jônatas Trindade, que fez questão de ressaltar que o Ibama ainda não concedeu a licença para a atividade e que a audiência pública é uma das etapas para que a ExxonMobil atinja esse objetivo. Logo no início do evento, os representantes da ExxonMobil deixaram evidente o comprometimento ambiental da empresa e afirmaram que houve todo um estudo de impacto ambiental e econômico na região sobre a atividade de perfuração em alto mar. O local da exploração será a cerca de 80 quilômetros mar adentro, tomando como referência para a distância a cidade de Aracaju. Segundo a ExxonMobil, o apoio logístico envolve os portos de Maceió e Niterói – por mar – e o Aeroporto de Aracaju como apoio aéreo.

Segundo o oceanógrafo e consultor do projeto, Pedro Martins, há vários impactos ambientais que podem acontecer no decorrer do tempo de exploração de óleo na região. Ele citou, como os mais comuns, colisões com animais marinhos e aves e introdução de espécies exóticas vindas incrustadas nos cascos dos navios, o que poderia causar um desequilíbrio na fauna local. Porém o consultor afirmou que a ExxonMobil tem todo um planejamento de monitoramento e prevenção para essas possibilidades e que, possivelmente, nenhum dano ambiental vai ocorrer na região.

Pescadores temem o pior

Segundo Pedro Martins, a pesca na região não será afetada, já que a exploração da ExxonMobil se dará muito longe da área de atividade pesqueira. Porém um dos participantes da audiência, o pescador Alexandre Anderson, que exerce papel de liderança entre os pescadores no Rio de Janeiro, leu uma carta aberta escrita por diversas organizações de pesca. Na carta, profissionais da pesca de vários pontos do litoral brasileiro repudiaram a iniciativa da ExxonMobil e pediram ao Ibama que não liberasse a licença para a atividade. A carta lida pelo pescador também comentava sobre a falta de contato entre a ExxonMobil e as comunidades que sobrevivem da pesca.

A maioria das pessoas que participaram da audiência foi unânime em uma preocupação: vazamento de óleo. Muitas perguntas citaram o vazamento de 2019, que atingiu diversas praias no nordeste brasileiro e segue impune. Quanto a isso, os representantes da ExxonMobil deixaram claro que são inteiramente responsáveis por qualquer problema que possa vir a ocorrer. “Em caso de acidente, as comunidades serão assistidas”, afirmou um consultor.

Já a consultora Valéria Rossi, responsável pelo setor de Assuntos Institucionais, informou que nessa primeira fase de exploração não há expectativas de geração de empregos para as comunidades.

Fonte: Texto: Rívison Batista

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