Economia

20 de janeiro de 2021 18:22

Com Carnaval adiado queda nas vendas de itens da época é inevitável

Lojistas não investiram em novos estoques e pretendem realizar promoções e liquidação dos artigos

↑ 70% dos produtos ainda são do estoque do ano passado, segundo gerente (Foto: Edilson Omena)

Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os festejos de carnavais em Alagoas foram adiados e alguns cancelados ainda sem data definida para acontecer. Mesmo com a chegada da Vacina CoronaVac e os primeiros grupos da etapa sendo imunizados a determinação é para  os prefeitos e organizadores de blocos não colocar os foliões na rua.

Mesmo favoráveis à medida por conta da segurança, lojas de artigos do Centro de Maceió, lojas de fantasias e costureiras que trabalham com encomendas nesta época já estão prevendo uma baixa nas vendas, mas já começaram a ofertar os produtos da temporada.

A proprietária de uma loja especializada em fantasias e artigos carnavalescos, Sandra Regina Garcia, fala que apesar de não ter os festejos oficiais, espera que os clientes comprem os itens básicos para decorar a casa e eventos em família. “De fato não teremos Carnaval oficial por conta da pandemia o que dificulta as nossas vendas, mas acredito que os clientes irão em busca de produtos para as festas em famílias, nas casas de praias por temporada’’, comenta.

Garcia também conta que alguns clientes já começaram a pesquisar preços de artigos mais básicos. “De forma bem tímida e em menor quantidade que nos anos anteriores, mas eles estão começando a fazer suas pesquisas e comprar. Continuamos na expectativa e otimistas. Este ano não investimos muito justamente por não termos certeza que iremos vender e amargar prejuízo’’.

Proprietária de loja espera que vendas melhorem nas próximas semanas (Foto: Edilson Omena)

Em outra loja de artigos a fachada e prateleiras da loja já estão no clima de Carnaval, mas de acordo com o gerente mais de 70% dos produtos ainda são do estoque do ano passado. “Este ano investimos muito pouco – fizemos algumas encomendas que estão para chegar, mas a maioria do que está aqui são do estoque que já tínhamos’’, ressalta Arnaldo Ferreira, gerente de loja.

Apesar disso, o gerente também acredita que as vendas melhorem nas próximas semanas. “Temos que pensar positivo e criar expectativas, mas até o momento confesso que a procura é mínima. Este ano não foi feito reajustes de valores e se até o final do mês e início de fevereiro não tiver procura vamos focar nas promoções e liquidação de estoques. Por aqui, já é possível encontrar produtos de R$ 3 à R$ 300 e a ideia é zerar o estoque mesmo em tempos atípico’’.

A funcionária pública, Lúcia Costa foi com os filhos em busca de itens para decorar a casa. “Não iremos sair, mas vamos festejar em casa, em família e por isso, viemos comprar alguns itens de decoração da época para ficar no clima. Nariane Menezes já estar fazendo as escolhas ’’.

Mesmo sem os festejos, economista diz que Alagoas não terá saldo negativo

A Portaria Federal de Nº 430, emitida pelo Ministério da Economia em 30 de dezembro de 2020, e o Decreto Estadual de Nº 72.527 definiram que os dias 15, 16 e 17 serão considerados pontos facultativos, tanto em Alagoas quanto no resto do território nacional.

No entanto, o MPE/AL, em reunião realizada no dia 13 de janeiro deste ano, sinalizou que expedirá uma recomendação aos 102 prefeitos dos municípios alagoanos para que não realizem qualquer tipo de evento durante o Carnaval devido à pandemia.

Para o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), Victor Hortencio, o impacto da ausência das festividades, pode gerar uma perda consubstancial no período para o complexo artístico, formado por bandas, shows, blocos, confecções e vendas de fantasias, além do encadeamento de serviços informais, que giram em torno desses eventos.

Para setor do turismo não haverá impacto negativo, diz economista (Foto: Edilson Omena)

“Diante de um cenário de incerteza, provocado pela pandemia, em um contexto em que a mensuração de perdas é algo difícil de se fazer, devido ao efeito em cadeia gerado por essa festividade e ao próprio controle no que tange aos dados do mercado informal, um dado que se pode tomar como base inicial é o valor que bandas, blocos e escolas de samba deixarão de receber, nesse primeiro momento, na forma de premiações dos editais municipais e estadual. No carnaval de 2020, o total desembolsado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult/AL) e pela Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió ficou em torno de R$ 800 mil, contemplando 115 blocos carnavalescos, doze escolas de samba e dois coletivos culturais’’, analisa o economista.

No entanto, ao avaliar aspectos como a ocupação hoteleira, a demanda de voos e a própria cadeia turística do estado, o assessor econômico da Fecomércio ressalta que: ‘’O que se constata é que, provavelmente, o turismo em Alagoas não registrará um forte impacto negativo, pois o feriadão, até o momento, está mantido. Corroborando com essa argumentação, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo publicou uma nota, em novembro de 2020, relatando que mesmo diante das incertezas referentes ao carnaval de 2021, a procura por viagens para Maceió no período é grande, fato que é reforçado com a informação de que a capital alagoana está em 2º lugar no ranking nacional de destinos mais buscados, desbancando destinos tradicionalmente procurados nesse período, a exemplo de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, conforme levantamento realizado pelo Decolar’’.

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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