Economia

16 de janeiro de 2021 14:23

‘Preços e vendas de carros da Ford devem despencar em Alagoas’, avalia especialista

Fechamento de três fábricas no Brasil deve impactar desde empregos até o mercado

↑ Ford tem uma representatividade de 10% nas vendas de veículos novos no estado, segundo o Sincodiv-AL (Foto: Edilson Omena / Arquivo)

O anúncio de que a montadora Ford irá fechar suas três fábricas no Brasil, após mais de 100 anos de produção nacional, deve impactar nos preços e nas vendas de veículos em Alagoas. Com uma representatividade de 10% nas vendas de novos veículos no estado, a mudança deve prejudicar também o formato das concessionárias e a impactar na confiança do consumidor.

As análises são do presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Alagoas (Sincodiv-AL), Luiz Pires. Ele afirma que apesar de a primeira semana após o anúncio estar equilibrada, os reflexos do fechamento devem vir de forma crescente e causar profundas mudanças no mercado.

“Ainda não se tem um reflexo. O que se tem hoje é uma impressão muito negativa da receptividade. Agora certamente afetará o comércio e, principalmente, as concessionárias autorizadas Ford, que vão ter redução drástica da quantidade disponível para comercialização. O mercado em si talvez não sofra porque outras marcas vão ocupar o espaço, mas as concessionárias da Ford terão sim um prejuízo gigantesco. Aqui em Alagoas a Ford tem uma representatividade de 10% pelo menos. É um índice até acima da média nacional. Estamos falando de 200 a 250 carros por mês, que dá uma média de mais de 20 mil carros da marca Ford no ano. Esses concessionários que vendiam 100 carros no mês vão passar a vender 20, 30”, avalia.

Mesmo com o anúncio de que as operações de atendimento e de peças deverão ser mantidas, Pires destaca que a desvalorização dos veículos é outro fator preponderante, porque depende muito da avaliação não apenas da qualidade dos veículos, mas da imagem da marca. “O preço desses veículos deve cair, isso certamente acontecerá”, defende Pires.

“Vai comprometer as vendas porque a questão das peças de reposição dá uma certa tranquilidade para quem já tem o carro. Mas para quem vai comprar, adquirir um carro novo no futuro, ele passa a ter desconfiança da marca, vai querer logo passar para a frente. O cara que vai comprar vai logo dizer que é um carro desvalorizado, que não tem consistência, é um transtorno muito grande e que os concessionários Ford vão passar”, pontua Luiz Pires.

PREJUÍZOS

Os principais afetados pelo fechamento das fábricas são os concessionários e revendedores de veículos, diz o especialista. Pires detalha que a desconfiança na marca, a desvalorização, e a menor quantidade de veículos disponíveis deve gerar um menor fluxo de vendas nas lojas e, consequentemente, afetar postos de trabalho.

“As concessionárias não devem fechar, mas o que vai acontecer é uma redução no número de pessoal, como vai haver redução no número de vendas, porque alguns modelos vão ficar e outros virão importados. Mas a questão é se os importados vão agradar os consumidores e a confiança do público em relação a marca. Eles não vão fechar, mas vão precisar passar por uma grande adaptação porque esse volume de venda não sustenta uma operação como essa. Vai haver uma readequação e consequentemente demissões devem acontecer”, avalia o presidente do Sincodiv-AL.

Consumidor vê futuro dos veículos com desconfiança

Se para quem vende deve ficar difícil, para o consumidor que possui um veículo Ford a surpresa foi grande. Carlos Eduardo Falcão Hora é proprietário de um Ford Ka 2017. Ele conta que tem um histórico de confiança com a marca. O pai dele possuiu vários veículos Ford e para ele a marca era sinônimo de credibilidade. Agora, com o anúncio, ele vê com desconfiança o futuro dos veículos no mercado.

“Certamente a marca perde a confiança dos consumidores. Desvaloriza o carro, embora o mercado de peças deva se organizar para fazer a manutenção dos muitos que ainda estão e vão rodar. E isso tem um lado histórico. Já que a Ford estava no Brasil há 100 anos. Ford durante muito tempo era sinônimo de automóvel confiável. Meu pai teve Corcel, Belina, Escort. O emblema da Ford está na cabeça de muita gente. Aqui em Maceió a marca era especialmente forte pela tradição da concessionária Cycosa e também da antiga Flávio Luz. Num tempo em que as negociações eram mais pessoais. Apesar disso, eu não penso em vender agora, penso em usar e manter o máximo possível”, afirma o consumidor.

Fonte: Tribuna Independente

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