Economia

21 de outubro de 2020 08:04

Produtos da construção civil sobem em até 90%

Esse é o caso do PVC e do fio de cobre; setor enfrenta escassez e aumento de preço de materiais encarecendo também imóveis

↑ Aumento do cimento já foi de cerca de 50% e pequenos lojistas deixaram de vender tijolos depois da alta (Foto: Edilson Omena)

Desde o início da pandemia, o aumento de preços e a escassez de produtos é uma realidade em muitos setores. Na construção civil, os empresários confirmam que o período é de dificuldade, e que será inevitável repassar a alta para o consumidor final.

Alfredo Brêda, presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon/AL) orienta pressa para adquirir imóveis. “Recomendo quem tiver condições de comprar imóvel até o dia 15 compre, porque depois do dia 15 deve haver novos aumentos”.

Ele explica que o custo de alguns materiais pesou no orçamento das obras. “O aumento do cimento já foi de cerca de 50%, o aumento do aço cerca de 50%, aumento em PVC 90%, aumento de fio de cobre 90%. Assim, os principais insumos da construção aumentaram acima de 30% e esses insumos impactam nas obras em cerca de 40%. Eu acredito então que o aumento mínimo de 10% podendo chegar a 20%”.

De acordo com o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, divulgado no site oficial do IBGE, o custo médio por metro quadrado sofreu uma variação anual de 3,11%  até o final de agosto de 2020. A economista Luciana Caetano considera o número baixo, se relacionado a outros. “Vai ficar muito acima tanto do IPCA quanto do INPC, mas se você comparar com o bloco de alimentos e bebidas não. Os dois que juntos representam 40% vão ficar acima de 5%”.

O presidente do Sinduscon esclarece que o índice é muito amplo. “O IBGE faz levantamento de aumento ou CUB [Custo Unitário Básico de Construção], também que é feito por nós. Pegamos os insumos em geral então, agora o que aumentou foi cimento, ferro, concreto, fio de cobre, telha. O tijolo também aumentou, era R$ 400 e passou a ser R$600.  Então tem vários aumentos de vários produtos que aumentaram e tem outro produto que não aumentaram e alguns diminuíram de preço, na hora que você coloca isso na construção isso corresponde a cerca de 10 a 20% de aumento real no custo”.

Algumas pessoas estão buscando até os órgãos de defesa do consumidor. “O Procon/AL está acompanhando as denúncias que estão chegando ao órgão por parte dos consumidores, as empresas estão sendo notificadas a apresentarem as notas fiscais de entrada e saída do produto e para que apresentem os esclarecimentos em relação ao aumento significativo que vem acontecendo nos preços dos materiais de construção. Ficando constatada a prática abusiva de elevação do preço sem justa causa, essas empresas serão submetidas as penalidades previstas na lei. O consumidor que verificar essa prática, deve fazer a denúncia através de nossos canais de atendimento.” Informou Daniel Sampaio, diretor-presidente do Procon.

Produção menor e crédito desequilibram mercado

 

Lojistas justificam que o aumento vem dos fornecedores. Iuri da Silva, gerente da Aldebaran Construções relata. “Tem chegado com aumento, e a gente tem repassado com o aumento. 30, 20%, o que chega de aumento no preço dos produtos, a gente só faz repassar. Produto é o mesmo, o que aconteceu é que está faltando muito produto, e o que chega é com o preço alto”. Apesar dos altos preços, não falta cliente. “A procura chegou a aumentar cerca de 25 a 30%”.

SEM TIJOLO

Iuri explica que o valor do tijolo está tão alto, que decidiram não trabalhar mais com o produto. “Se a gente for repassar pro cliente, ele cai achar que está muito caro, aí às vezes dá a entender que a gente está aumentando os preços, mas não é isso, são os fornecedores”.

Muitas razões são apresentadas para tamanha inflação e escassez neste período.

Na compreensão da economista Luciana Caetano, as condições de financiamento movimentaram o setor.

“Teve o anúncio federal deste setor com uma taxa de juros mais baixa do que era uma década atrás, de um certo modo acaba estimulando a busca de financiamento para compra de móveis. Inevitavelmente quando você tem qualquer movimento de financiamento com taxa de juros mais baixos acaba aquecendo mais o setor, resultando numa elevação de alguns preços que é o que está acontecendo”, diz.

O representante do Sinduscon, Alfredo Brêda, considera os recursos do auxílio emergencial um fator determinante nisso.

“O Governo Federal liberou dinheiro em Alagoas entraram mais 4 milhões ou seja 50% do orçamento anual do Estado de Alagoas. Um dinheiro novo, livre, começaram a comprar e fazer pequenas reformas”.

Segundo Brêda, durante o período da pandemia, as indústrias tinham diminuído a produção.

“Nos meses de março e Abril eles não esperavam que houvesse aumento tão grande no consumo”.  Mesmo agora com a retomada, acredita que vai demorar para normalizar o abastecimento.  “É uma demanda reprimida e isso vai gerar ainda talvez dois meses três meses ainda de escassez de material com tudo nós acreditamos que já no mês de dezembro deve haver uma regularização nos preços os preços vão voltar”.

Mesmo não acreditando que voltarão ao que eram antes da pandemia, o representante dos construtores conta com uma redução drástica. “Deve diminuir porque hoje estão absurdamente altos, inviabilizando o setor da construção”.

ALUGUEL

Usado no reajuste de contratos de aluguel no Brasil, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou inflação de 2,92% na segunda prévia de outubro. A taxa é inferior aos 4,57% da segunda prévia de setembro.

Mesmo assim, o índice acumulado em 12 meses subiu de 18,20% na segunda prévia de setembro para 20,56% na segunda prévia de outubro, segundo a Fundação Getulio Vargas ( FGV ), que fez a pesquisa.

Conhecido como inflação do aluguel, o IGP-M leva em consideração o comportamento de preços diversos, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços.

Na hora de reajustar o aluguel, a taxa utilizada é a variação do IGP-M nos últimos 12 meses. O padrão é que os contratos sejam reajustados de acordo com a variação registrada até o mês anterior. Se o contrato vence em novembro, por exemplo, a taxa usada é a do acumulado de 12 meses até outubro.

E é justamente essa taxa que subiu de setembro para outubro. Mesmo que a inflação em si registrada na prévia de outubro tenha ficado abaixo da de setembro, o acumulado dos últimos 12 meses subiu.

Fonte: Tribuna Independente / Emanuelle Vanderlei

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