Economia

4 de agosto de 2020 08:24

Petroleiros mobilizados contra venda de campos em Alagoas

Manifestação contra privatização da Petrobras no Estado acontece nesta terça (4)

↑ Objetivo é barrar venda de campos de petróleo e unidade de gás (Foto: Divulgação)

Uma manifestação nesta terça-feira (4) questiona a venda dos campos de exploração da Petrobras em Alagoas. Além dos campos, a unidade de processamento de gás natural também será vendida. Os trabalhadores afirmam que a venda os colocará em condições difíceis de trabalho e pode pressionar o preço dos produtos no estado.

O presidente do Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE) José Luciano Alves afirma que o protesto é uma das estratégias utilizadas pelos trabalhadores para evitar que a venda ocorra.

“Precisamos pressionar, conscientizar a população do risco que representa essa venda. Temos atuado junto à bancada alagoana, às prefeituras para buscar apoio”, esclarece.

Para o Sindipetro, a privatização resulta em prejuízos seja no preço dos itens explorados, seja para os trabalhadores.

“O ato pretende chamar a atenção da sociedade para os prejuízos que irá representar a privatização da estatal, com possível redução de royalties e impostos para os municípios produtores de óleo e gás. Os petroleiros afirmam ainda que a venda dos ativos da Petrobras em Alagoas tende a aumentar o preço dos combustíveis e do gás de cozinha”, diz a entidade em comunicado.

As atividades da Petrobras em Alagoas compreendem sete concessões de produção no chamado Polo Alagoas  em pontos identificados pela estatal como Anambé, Arapaçu, Cidade de São Miguel dos Campos, Furado, Paru, Pilar e São Miguel dos Campos, todas localizadas no estado de Alagoas. “O campo de Paru está localizado em águas rasas, com lâmina d’água de 24 metros. Os demais campos são terrestres”, afirma a empresa.

Com a privatização, a empresa “deixa de existir” em Alagoas. Para os 250 trabalhadores a opção é pedir transferência ou aderir ao programa de demissão voluntária, afirma o líder da categoria.

Órgãos estaduais “defendem” a privatização

 

O impacto no recebimento de royalties tem sido objeto de questionamento do Sindipetro. A reportagem da Tribuna Independente esteve em contato com a Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz-AL) sobre a possibilidade.

Ao contrário do que aponta o Sindicato, a Sefaz afirma que a venda “pode aumentar” os royalties recebidos.

“O estado não recebe nenhum royalty pela venda. O que estado acredita é que com os novos investimentos nesses campos a produção pode aumentar significativamente nos próximos anos e com isso o valor dos royalties Pagos ao Estado e aos municípios”, diz a Sefaz.

Segundo informações da própria Sefaz, o governo estadual já vem em contato com a Petrobrás desde o ano passado para discutir o assunto. A avaliação do secretário da Fazenda George Santoro, é de que a efetivação da transação deve trazer benefícios ao estado.

“Avalio de forma positiva a venda. O Estado de Alagoas procurou a Petrobras ano passado.  O Governador Renan Filho participou de uma reunião com a toda Diretoria da Petrobras preocupado com o fim do período de concessão e com a queda da produção no Estado. Era necessário a Petrobras reinvestir ou passar para o setor privado operar esses campos, aumentando desta forma os resultados nos campos como já havia acontecido em outros estados. O Governador também se reuniu com a ANP e colocou a necessidade da agência, ao analisar essa transferência de concessão, somente a autorizasse com a perspectiva de investimentos do concessionário. Essa venda é muito importante para o estado, já que teremos novos investimentos e assim, consequentemente, haverá um aumento na produção de gás e óleo em Alagoas.

Outra entidade diretamente ligada ao assunto é a Algás. De acordo com  João Paulo Mesquita Vilella, Diretor Técnico e Comercial da instituição, a venda não deve impactar nas atividades da Algás. Ele defende a perspectiva de que a venda direta pode trazer “novos investimentos”.

“A Algás avalia que a venda poderá ser positiva na medida em que trará um novo investidor com maior foco no desenvolvimento dos ativos existentes, podendo iniciar um novo ciclo de investimentos no estado e, quem sabe, explorar novos potenciais e oportunidades de sinergia com os campos e instalações adquiridos”, diz.

Na contramão da avaliação do Sindipetro, a Algás defende que a venda ajudará a reduzir os custos do gás natural no estado.

“A entrada de novos players aqui no estado e nos demais campos e instalações que a Petrobras colocou à venda tende a aumentar a competição na oferta e reduzir o custo do gás natural. Neste sentido, a Algás atuará, como sempre, para obter as melhores condições na aquisição de gás natural e repassá-las para os seus clientes. Desta forma, estaremos cumprindo a nossa visão de promover a utilização do gás de forma sustentável e contribuir para ao desenvolvimento do estado”, aponta o diretor da Algás.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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